Jerome Powell, presidente do banco central dos EUA, diz que stablecoins "precisam ser transparentes"

Chefe do Federal Reserve falou sobre cenário de regulação de criptoativos em evento com a presidente do Banco Central Europeu
Jerome Powell é o atual presidente do banco central norte-americano (Tom Williams/CQ-Roll Call, Inc/Getty Images)
Jerome Powell é o atual presidente do banco central norte-americano (Tom Williams/CQ-Roll Call, Inc/Getty Images)
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João Malar Publicado em 27/09/2022 às 13:36.

O presidente do banco central dos Estados Unidos, Jerome Powell, afirmou nesta terça-feira, 27, que as stablecoins e suas reservas “precisam ser transparentes” com o público, de modo a evitar crises e um prejuízo para investidores.

Powell participou de um evento promovido pelo Banco da França junto com a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde.

Ao falar sobre as stablecoins, que são atreladas às cotações de outros ativos, ele defendeu que elas “precisam ser pensadas do forma diferente do resto dos criptoativos”.

“As reservas de stablecoins precisam ser transparentes para o público e precisam consistir de ativos de crédito que sempre estarão lá quando for necessário financiar as retiradas”, disse Powell.

(Mynt/Divulgação)

Do contrário, ele afirma que há o risco das stablecoins não serem capazes de lidar com as retiradas de investimento, o que demandaria um fornecimento de liquidez no mercado pelo Federal Reserve.

“Há muito interesse [no segmento de stablecoins] para atingir o público mais amplo, e nosso principal foco é, caso as stablecoin devessem ser usadas de forma mais ampla, fora de plataformas de cripto, qual seria a estrutura regulatória?”, questionou Powell.

Defendendo a criação de uma legislação sobre o tema, ele disse ainda que o Fed “é e sempre será a principal fonte de confiança do dinheiro”, e que as stablecoin “pegam emprestado” essa confiança.

“Há um trabalho regulatório a se fazer”, destacou Powell. “Favorecemos inovação responsável, inclusive de produtos cripto. O ponto da regulação é criar um ambiente que permita aproveitar os benefícios da inovação e evitar as armadilhas do processo”.

Citando atividades do setor de criptomoedas como carteiras digitais e contratos inteligentes, Powell observou que existe um potencial de usar novas tecnologias para melhorar o sistema financeiro, mas que é preciso lidar com os riscos dessas ferramentas. [sugestão de link: https://exame.com/future-of-money/o-que-sao-smart-contracts/ ]

No mesmo evento, Christine Lagarde afirmou que a evolução dos criptoativos têm sido “tempestuosa”, passando de um “hype cultural promovido por libertários” para uma ferramenta que já é aceita por grandes empresas, como Visa e PayPal.

“O mundo foi pego de surpresa, estamos em um estágio em que 10% a 15% de europeus e americanos investiram em criptos em 2021, e claramente os agentes regulatórios estão atentos ao desenvolvimento”, destacou.

Lagarde defendeu que os banqueiros centrais precisam “distinguir entre os ativos cripto tradicionais, bitcoin por exemplo, e as stablecoins. Os criptoativos, não as criptomoedas, são puramente especulativos, e o movimento nos últimos meses mostra isso, não são meios de pagamento ou reservas de valor”.

“Existem novos meios mais inovadores para pagamentos, transações, e os meios de pagamento digitais estão com uma alta demanda. Há um desejo maior do que no passado, e é algo que está crescendo”, pontou.

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