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Exclusivo: Drex vai aumentar inclusão no mercado financeiro, diz coordenador no BC

Em entrevista à EXAME, Fabio Araujo explicou objetivos do Banco Central com a criação de uma versão digital do real

Drex tem previsão de lançamento para o público até o início de 2025 (Banco Central/Divulgação/Divulgação)

Drex tem previsão de lançamento para o público até o início de 2025 (Banco Central/Divulgação/Divulgação)

João Pedro Malar
João Pedro Malar

Repórter do Future of Money

Publicado em 8 de novembro de 2023 às 16h20.

Última atualização em 8 de novembro de 2023 às 16h27.

O coordenador do Drex no Banco Central, Fabio Araujo, destacou à EXAME que o principal objetivo do projeto é facilitar a inclusão da população no mercado financeiro brasileiro, tornando-o mais democrático nos próximos anos. O executivo falou sobre o tema em uma entrevista exclusiva que faz parte do Especial: Real Digital.

Araujo explicou que, no momento, o Banco Central vê o Drex principalmente como uma nova plataforma para a realização de operações do mercado e criação de produtos e serviços. E uma plataforma cujo objetivo é "promover a democratização financeira e a inclusão, tanto para pequenas firmas quanto para o pequeno tomador de crédito".

"Isso é um problema que a gente enfrenta no Brasil: apesar de ter um sistema financeiro muito avançado, tem essa dificuldade de acesso. Então esse é o objetivo final do Drex, o que guia todas as decisões que a gente toma, ampliar a inclusão financeira", destacou.

Confira abaixo a entrevista completa:

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Araujo explicou que o Drex de Atacado, antigamente conhecido como Real Digital, será o dinheiro equivalente a reservas bancárias usadas pelos bancos. Já o Drex de Varejo, antigo Real Tokenizado, vai ser equivalente aos valores nas contas bancárias, permitindo que as pessoas acessem esses serviços e sendo, na prática, o "Drex que as pessoas vão usar no dia a dia, o ponto de acesso".

"A ideia é que [o banco] tenha uma área específica para as pessoas aprenderem a conviver [com o Drex]. Pode transferir ou não para a conta convencional. Se não tem nada de Drex, compra R$ 1 mil em títulos no formato tokenizado, o banco vê se tem saldo em Drex, se não tiver ele pega o saldo, transforma em Drex e faz a operação. No longo prazo, o ideal é que seja tudo muito transparente, mas no curto vai ter essa separação pelo tipo de transação, com o banco definindo", explica.

Ele destacou, ainda, que o objetivo final do Banco Central é ter uma rede unificada para a operação e registro de ativos. Até lá, porém, o projeto precisará ter uma interoperabilidade com redes blockchain. "A arquitetura converge para o ledger unificado conforme as fontes de interoperabilidade se fortalecem", opina.

Araujo afirma ainda que o projeto tem tido um "progresso muito bom", o que permite manter a previsão de lançamento do Drex junto à população - com alcance limitado e em fase de testes - até o início de 2025. No momento, ressalta, o foco é em superar dificuldades em torno de privacidade e segurança de dados, um tema central no piloto.

"Vai ser um ambiente completamente novo para a maioria das pessoas, então o Banco Central precisa ver como funciona a parte interna e como as pessoas fazem uso dessa tecnologia", observa. Por outro lado, Araujo acredita que o Drex tende a trazer benefícios claros para a população, em especial a redução de intermediários financeiros e a padronização de produtos e estruturas.

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"A tecnologia de tokenização permite que guarde os valores em um ambiente aberto, onde todo mundo consegue ver, mas ninguém consegue mexer. E isso permite fazer transações financeiras de forma mais simples. Hoje, todo valor está sob custódia de alguém, então tem esse guardião, e para usar precisa de uma interface, interoperabilidade. Com a tokenização, consegue abrir mão disso, e no momento que faz isso, a informação não pode ser corrompida", explica.

Na visão do coordenador do Drex, as primeiras mudanças que a versão digital do real deverá trazer giram em torno da facilidade maior para criar produtos financeiros e para investir neles. Além disso, ele espera que o uso de ativos, como títulos do Tesouro, como garantia em empréstimos também seja facilitado, barateando o crédito.

"Em uma plataforma como o Drex, a integração é automática, porque os ativos de mercados novos já estão padronizados e usaria os contratos inteligentes dentro da mesma infraestrutura. É uma facilidade que baixa a barreira de entrada. E esse caso ilustra muito bem como o mercado pode se alterar. Hoje, o mercado funciona em silos separados, e quando abre para o Drex, tudo que estiver padronizado fica naturalmente acessível", projeta.

Nesse sentido, ele afirma que a grande vantagem da moeda digital será trazer as características de produtos cripto para um ambiente regulado, o que "aumenta muito a eficiência e facilita a criação de novos produtos. Isso abre para entrada de fintechs, um acesso ao mercado de capitais, acesso ao mercado de crédito. É uma democratização e inclusão financeira muito grande se for bem regulada. Talvez tão grandes quanto o Pix em termos de pagamento".

Este conteúdo é parte do "Especial: Real Digital", que tem apoio da Mynt e patrocínio de Aarin Tech-Fin e Febraban. Para saber mais e acompanhar todos os conteúdos exclusivos com quem mais entender de Drex no Brasil, acesse a página do evento na EXAME clicando aqui

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