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Apesar de ainda ser recente, a tecnologia blockchain tem ganhado cada vez mais espaço entre empresas. E ela possui potencial de aumentar a eficiência dos negócios em duas áreas cada vez mais relevantes no ambiente corporativo: a Lei Geral de Proteção de Dados (LPGD) e temas ligados a Meio Ambiente, Social e Governança (ESG, na sigla em inglês).

A avaliação foi compartilhada em uma entrevista à EXAME por André Carneiro, CEO da BBChain, um projeto brasileiro de blockchain. O executivo, que já coordenou iniciativas com uso da tecnologia nas duas áreas, destaca que os projetos já possuem as condições técnicas para serem aplicados nesses segmentos, mas ainda precisam superar "preconceitos" no mercado.

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Da LGPD ao ESG

Na visão de Carneiro, o ponto central que torna a tecnologia atraente para as empresas é a transparência, que "faz parte, está dentro da própria ideia do blockchain". Ele destaca que a LGPD envolve não apenas a proteção de dados, mas também "como compartilhar dados e usar a tecnologia para um compartilhamento de forma segura".

E é nesse aspecto que as redes já existentes no mercado poderão trazer contribuições para as empresas. "O problema é ter bases centralizadas de dados, que às vezes são vítimas de vazamentos, e é possível usar blockchain para ter dados de forma descentralizada e validar informações com uso e propósito específico, na estrutura de LGPD", comenta.

Com a tecnologia, é possível "dar autorização para que os dados sejam validados por outras empresas, aí a empresa consegue validar o dado, mas sem precisar distribuir esse dado em si". Nesse sentido, ele acredita que a área de interoperabilidade de dados seria a maior beneficiada pelo uso da tecnologia, algo já comprovado em um projeto piloto da BBChain.

No caso da temática do ESG, ele pontua que uma das maiores preocupações das empresas é a divulgação de dados de ações ligadas à área. Carneiro avalia que a tecnologia poderia dar mais transparência ao processo e facilitar a checagem de dados por auditorias e investidores interessados, com a garantia de que, uma vez inseridos no blockchain, as informações seriam imutáveis.

"Uma outra provocação envolve ter uma determinada pegada de carbono e mostrar onde está compensando ela, quais projetos estão sendo impactados o em torno, mas também os impactos de empresas que prestam serviços, saber qual é a pegada efetiva", afirma.

Um projeto da BBChain também envolve o uso de blockchain para criar marketplaces de negociação de compensação de pegadas de carbono, mas com uma dinâmica mais transparente e rastreável, dando mais segurança a investidores interessados na área.

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Os desafios

Mas, com essas vantagens, por que a tecnologia blockchain ainda não é usada amplamente pelas empresas nas duas áreas? Para o CEO da BBChain, há um conjunto de razões, mas é importante lembrar que também existem setores mais avançados no processo de adoção de blockchains, com destaque para o mercado financeiro, onde "isso já é algo muito bem resolvido".

"Em outras indústrias, as empresas têm um nível de desconhecimento muito alto e também uma mitificação em torno da tecnologia. O que é desconhecido parece ser mais complexo, difícil, então muitas vezes a gente precisa comunicar sobre o blockchain de forma menos complexa pra levar a uma adoção em massa", diz Carneiro.

Ele acredita ainda que o setor foi prejudicado por "projetos muito faraônicos" envolvendo a tecnologia, passando uma impressão de que a sua adoção seria muito custosa e afastando pequenas e médias empresas interessadas. Por isso, ele comenta que um dos principais desafios atuais de empresas de infraestrutura blockchain é "transformar esse mito da complexidade".

"Hoje você consegue fazer soluções mais acessíveis, então precisa pensar no empresário médio e no pequeno também para que consiga ter uma adoção maior. O foco no momento ainda é no grande empresário e então no médio, mas a tendência é que você vá escalando para reduzir custos. Em termos de tecnologia, já é possível fazer tudo isso", pontua.

Para Carneiro, "a questão é como democratizar a tecnologia, é o que está acontecendo agora com inteligência artificial. A democratização vai ser por setor, porque cada um tem tempo e maturidade distintos. No mercado financeiro é natural, ele já lidera [a adoção], mas temos visto crescimentos em agronegócio e indústria como um todo".

Mas, mesmo com esses desafios, o CEO da BBChain acredita que uma adoção em massa da tecnologia blockchain não vai demorar tanto assim. No mercado financeiro, ele acredita que já haverá uma adoção em larga escala até 2027. Em outros setores, porém, serão necessários mais anos. "Falta também um movimento de agentes, fomentadores, para engajar o mercado. É normal, mas resulta nessas diferenças entre setores", comenta.

A tendência, acredita, é que a adoção seja semelhante à observada com a internet, que começou primeiro como intranet (interna), evoluiu para a extranet (externa, mas limitada) e chegou por fim à internet, de caráter público. "É um caminho natural, as empresas vão experimentar, ver o que dá certo, como funciona. Hoje é um momento ainda do permissionado, mas naturalmente em alguns anos vai avançar para coisas mais abertas. É um caminho que poderia ser mais rápido, gostaríamos, mas é um caminho natural de amadurecimento e cuidado das empresas", diz.

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