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Banco Central adia fim de fase de testes do Drex para maio de 2024

Diretores atribuíram atraso à dificuldade em inserir participantes em plataforma e problemas de privacidade

Drex tem previsão de lançamento para o público no fim de 2024 (Marcelo Casal/Agência Brasil)

Drex tem previsão de lançamento para o público no fim de 2024 (Marcelo Casal/Agência Brasil)

João Pedro Malar
João Pedro Malar

Repórter do Future of Money

Publicado em 22 de agosto de 2023 às 14h07.

A atual fase de testes com uma versão piloto do Drex, a versão digital do real, vai demorar mais que o previsto pelo Banco Central. Na última terça-feira, 21, diretores da instituição anunciaram um adiamento no cronograma do projeto. Agora, a fase atual deverá se estender até maio de 2024, alguns meses a mais em relação à projeção inicial.

Originalmente, a autarquia previa que a fase de testes acabaria entre fevereiro e março do próximo ano. Entretanto, o projeto tem enfrentado desafios que exigirão uma extensão das atividades. Mesmo assim, Fabio Araujo, diretor do BC responsável pelo projeto, afirmou que a projeção de lançamento da plataforma até o fim de 2024 ou início de 2025 está mantida.

"Esse é um projeto muito desafiador. A gente está tendo alguns problemas, executando o cronograma de forma um pouco mais lenta para colocar as pessoas na rede", justificou o diretor. No momento, o projeto está na fase de inclusão dos participantes que submeteram as 16 propostas aprovadas pelo Banco Central para os testes do Drex. Cada participante precisa criar um nó na rede blockchain escolhida para a etapa.

Segundo Araujo, metade das 16 propostas já tiveram uma inclusão total na rede, mas o processo está sendo "um pouco lento" em relação ao previsto. Ao mesmo tempo, ele também citou que o "processo de escolha da tecnologia e debate da tecnologia, de proteção e privacidade, tem se mostrado um desafio grande".

"A gente está conversando com vários provedores, e a gente vê que a maturidade ainda não está adequada exatamente para o nível que a gente precisa para a LGPD", comentou o diretor. Por isso, o Banco Central vem apontando problemas que já foram identificados e que precisam ser corrigidos para garantir a privacidade dos usuários do Drex.

A revisão do cronograma garante que "vamos conduzir os testes de privacidade de forma adequada". "Depois que resolver essas questões de privacidade, vamos trabalhar em amadurecer mais a plataforma e, quando ela tiver maturidade suficiente para trazer a população, que a gente ainda espera que seja no final de 2024, começo de 2025, a gente vai trazer a população para testar a plataforma", destacou.

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Foco em privacidade

Já Aristides Cavalcante, chefe de segurança digital no Banco Central, comentou que os próprios participantes da fase de testes tiveram um desafio, "que é se integrar na rede do Drex". Por isso, eles precisaram resolver questões de infraestrutura tecnológica que acabaram atrasando a integração à rede de testes, que estava prevista para terminar em agosto.

Sobre as soluções de privacidade, Cavalcante explicou que "os testes já mostraram algumas limitações, problemas e soluções que estamos vendo com os provedores. Vai precisar aprimorar processo". Até o momento, o Banco Central não revelou todos os provedores de serviços na área de privacidade que foram escolhidos para a fase de testes.

"É um processo que o Banco Central prima muito. Nós não vamos lançar nenhuma solução sem a segurança necessária. Por isso esse processo de maior período de testes que precisaremos fazer com as instituições financeiras participantes para amadurecer a tecnologia e a solução de privacidade que vai ser adotada na plataforma", ressaltou.

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