Acompanhe:

Em fevereiro, uma notícia chamou a atenção: a Argentina teria superado, pela primeira vez, o Brasil em métricas que avaliam os mercados de criptomoedas dos dois países. Mas o mercado argentino realmente é maior que o brasileiro? Para Sebastián Serrano, CEO da Ripio, uma empresa cripto criada na Argentina, não, e não é provável que o Brasil perca sua liderança na área tão cedo.

Em entrevista exclusiva à EXAME, Serrano falou sobre as diferenças entre os dois mercados, a posição de liderança do Brasil no mercado cripto da América Latina, as novidades de regulamentação do setor na Argentina e as mudanças sentidas após a troca de governo, com a chegada ao poder de Javier Milei.

  • O JEITO FÁCIL E SEGURO DE INVESTIR EM CRYPTO. Na Mynt você negocia em poucos cliques e com a segurança de uma empresa BTG Pactual. Compre as maiores cryptos do mundo em minutos direto pelo app. Clique aqui para abrir sua conta gratuita.

Brasil, Argentina e cripto

Par Serrano, uma característica em comum aos mercados na América Latina é a alta adesão às chamadas stablecoins, criptomoedas pareadas a outros ativos, com destaque para as stablecoins de dólar. Essas moedas se tornaram uma opção popular para a dolarização de patrimônio e tem sido ainda mais usadas em países com problemas de inflação, como a Venezuela e a Argentina.

Por outro lado, o executivo vê diferenças claras entre os perfis de investidores no Brasil e na Argentina. Em geral, ele aponta que os brasileiros preferem investir em criptomoedas por meio de corretoras, tanto que a principal operação da Ripio no país é a sua exchange. Já na Argentina, os usuários são mais desconfiados de instituições e preferem focar no uso de carteiras digitais próprias para negociar e armazenar seus ativos digitais.

Serrano ressalta que essa diferença explica porque, geralmente, os dados apontam que a Argentina possui mais usuários por carteira digital que o Brasil, passando a impressão que um mercado seria maior que o outro. "Mas o usuário brasileiro usa pouco a carteira digital, então é uma ilusão", comenta.

Na visão do CEO da Ripio, "não tem como" a Argentina superar o Brasil em termos de volume negociado de criptomoedas, em especial pelas características dos próprios países: a economia brasileira é maior e mais estável que a argentina, dificultando que os argentinos tenham mais recursos para investir que os brasileiros.

O executivo lembra ainda que, se forem considerados "apenas os brasileiros com contas com criptoativos no Mercado Pago, esse grupo já seria superior a todo o total de argentinos com carteiras digitais", mostrando a diferença entre os dois mercados.

Mesmo assim, Serrano aponta um movimento de crescente adoção de criptomoedas na Argentina. Esse movimento, pontua, começou antes mesmo da chegada de Milei à presidência. "Durante as eleições nós tivemos muitas mudanças, um câmbio selvagem, e foi quando nós tivemos muita adoção de stablecoins pela população, é um processo mais longo", diz.

Banner newsletter Future of Money

Regulação

O CEO da Ripio comenta ainda que o Brasil e a Argentina têm semelhanças na própria regulação de criptomoedas, mas com abordagens diferentes. No Brasil, foi aprovado em 2022 o Marco Legal das Criptomoedas, uma lei específica para o setor. Já na Argentina, projetos enviados ao Congresso em 2023 não avançaram, e o governo Milei optou por regular por meio de medidas do Executivo.

"O governo argentino está avançando na regulação. A CVM de lá criou na semana passada um programa de registro de VASPs [Prestadoras de Serviços com Ativos Digitais]. A ideia original era ter uma lei, mas demorou muito. O problema é que esse modelo de regulação é mais fácil de mudar em trocas de governo, então seguimos defendendo a aprovação de uma lei", afirma.

Por outro lado, Serrano comenta que a postura do novo governo tem sido mais positiva para o setor, com uma abordagem mais livre para as empresas. É um cenário semelhante ao do Brasil, que Serrano elogia pela abordagem pró-mercado tanto de regulações quanto de reguladores.

"A Argentina é até mais restritiva, porque bancos e fintechs não podem oferecer compra e venda de cripto", diz o executivo. E, ao mesmo tempo em que o novo governo tem uma postura mais aberta ao mercado cripto, Serrano lembra que ele possui "um desafio econômico muito grande" de estabilização da economia, dificultando ações mais profundas para o setor.

Além disso, Serrano rechaça a possibilidade do país adotar o bitcoin como moeda legal, uma estratégia adotada por El Salvador e que foi levantada por entusiastas de cripto após a vitória de Milei. "Milei compartilha os valores em torno de cripto por ser libertário, mas ele não é um 'bitcoiner' [defensor da criptomoeda]. A Argentina não vai adotar o bitcoin como moeda legal", ressalta.

Siga o Future of Money nas redes sociais: Instagram | Twitter | YouTube Telegram | TikTok

Créditos

Últimas Notícias

Ver mais
Justiça argentina bloqueia bens e quebra sigilo bancário de Alberto Fernández; entenda
Mundo

Justiça argentina bloqueia bens e quebra sigilo bancário de Alberto Fernández; entenda

Há 3 horas

Argentina enfrenta escassez de repelente em meio à epidemia de dengue
Mundo

Argentina enfrenta escassez de repelente em meio à epidemia de dengue

Há 4 horas

Grandes gestoras do mercado da China planejam lançar ETFs de bitcoin
Future of Money

Grandes gestoras do mercado da China planejam lançar ETFs de bitcoin

Há 17 horas

Solana está 'liderando a batalha' na área de pagamentos em blockchain, diz gestora bilionária
Future of Money

Solana está 'liderando a batalha' na área de pagamentos em blockchain, diz gestora bilionária

Há 18 horas

Continua após a publicidade
icon

Branded contents

Ver mais

Conteúdos de marca produzidos pelo time de EXAME Solutions

Exame.com

Acompanhe as últimas notícias e atualizações, aqui na Exame.

Leia mais