EXCLUSIVO: Zig, de gestão de bares, busca comprador em negócio de até R$ 1 bilhão
Empresa buscou potenciais compradores estratégicos, mas valuation defendido pelos acionistas esfriou as conversas


Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHT
Publicado em 4 de agosto de 2026 às 07:00.
A Zig, plataforma brasileira de tecnologia para pagamentos, gestão e consumo em bares, restaurantes e grandes eventos, colocou uma eventual venda da companhia no radar. Fontes ouvidas pelo EXAME Insight afirmam que os acionistas buscam um negócio avaliado em mais de R$ 1 bilhão, embora estimativas de mercado apontem um valuation próximo de R$ 700 milhões.
Nos últimos meses, representantes da empresa procuraram potenciais compradores estratégicos. Entre eles, o iFood despontava como o candidato mais natural. A combinação faria sentido: enquanto o iFood domina o delivery, a Zig construiu uma posição relevante na gestão do consumo presencial em bares, restaurantes e eventos.
As conversas chegaram a avançar, mas perderam força. Hoje, segundo fontes, o iFood não demonstra interesse em seguir com uma eventual aquisição. As tratativas continuam apenas em torno de possíveis parcerias envolvendo a Zoop, empresa de infraestrutura financeira do grupo, e a Sympla, plataforma de ingressos da Prosus, mesma controladora do iFood.
O principal obstáculo é financeiro. A Zig reúne investidores como Kaszek, Across Capital, Cloud9 Capital e Endeavor Catalyst e captou mais de R$ 265 milhões desde 2024. Os acionistas defendem um valuation superior a R$ 1 bilhão, patamar considerado elevado por potenciais compradores ouvidos pelo mercado.
Mais restaurante, menos delivery
O eventual interesse do iFood na Zig se encaixaria em uma estratégia mais ampla da companhia. Com cerca de 80% do mercado brasileiro de delivery, o grupo passou a concentrar esforços na construção de um ecossistema para restaurantes, ampliando sua atuação para além da entrega de refeições.
Nos últimos anos, o iFood acelerou a expansão de seu ecossistema para restaurantes. Depois da aquisição da Anota AI, em 2022, a companhia investiu nas plataformas de gestão OPDV, Saipos e 3S Checkout, adquiriu a divisão de software para alimentação da Videosoft e comprou a Advolve, especializada em inteligência artificial para marketing. Em 2026, reforçou a operação presencial com a aquisição da Get In, plataforma de reservas.
Na avaliação de Jean Pontara, fundador da J. Pontara Consultoria, a Zig complementaria esse movimento. "A Zig se especializou na leitura dos dados do salão, um ativo estratégico para um mercado em que o iFood busca ampliar sua presença" diz.
Ainda assim, o consultor afirma que o grupo tem preferido aquisições menores e mais baratas, capazes de ampliar funcionalidades específicas sem exigir desembolsos bilionários.
Essa estratégia de consolidação também aumenta a dependência dos estabelecimentos em relação ao ecossistema do iFood. "É um modelo que facilita a entrada de novos empreendedores, mas também eleva o custo de migrar para outros fornecedores conforme o negócio amadurece", alerta o consultor.
O que dizem as empresas
Procurada, a Zig afirmou, em nota, que mantém conversas com o iFood e outras empresas, classificando as tratativas como uma prática comum no mercado. A companhia acrescentou que, até o momento, não houve discussão sobre valores. O iFood preferiu não comentar.
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Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHTJornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com
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