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Com Monashees e Valor, Sami sai da UTI e abre espaço para novos fundos

Após reduzir o prejuízo por três anos consecutivos, healthtech aposta na atenção primária e na verticalização virtual para ganhar escala e voltar ao mercado em busca de novos investidores

Vitor Asseituno e Guilherme Berardo, cofundadores da Sami: fundada em 2018, a empresa quer resolver os principais problemas do sistema de saúde privado com um plano para pequenas empresas e MEIs (Sami/Divulgação)
Vitor Asseituno e Guilherme Berardo, cofundadores da Sami: fundada em 2018, a empresa quer resolver os principais problemas do sistema de saúde privado com um plano para pequenas empresas e MEIs (Sami/Divulgação)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 31 de julho de 2026 às 08:00.

Última atualização em 31 de julho de 2026 às 10:30.

Guilherme Berardo, cofundador e CEO da Sami, garante que aprendeu com os erros do passado. Fundada em 2018, a healthtech, que atua no mercado de planos de saúde, saiu da UTI — e mira novos ares.

Em 2022, a operadora encerrou o ano com prejuízo de R$ 64 milhões. Em 2023, a perda caiu para R$ 34 milhões, enquanto a companhia seguia em fase de expansão e recebia aportes dos acionistas para financiar o crescimento. Em 2024, o prejuízo foi novamente reduzido, para R$ 21 milhões, resultado que a empresa atribui à consolidação da operação e à continuidade dos investimentos estratégicos.

"Aprendemos muito com ajustes anteriores e descobrimos que a relação entre médico e paciente é explosivamente positiva", diz.

Segundo ele, um modelo coordenado, como propõe a Sami, exige uma rede de fornecedores ajustada. Até então, esse processo não era bem amarrado. A operadora organiza o atendimento a partir da atenção primária, usando médicos de família e tecnologia para coordenar o cuidado dos beneficiários e reduzir custos assistenciais.

Acontece que o modelo de negócios também traz desafios operacionais. A empresa precisa expandir sua rede de médicos de família, hospitais e clínicas ao mesmo tempo em que controla a sinistralidade — indicador que mede quanto das receitas é consumido por despesas assistenciais —  num setor pressionado pela forte inflação médica.

"Quando você acerta a jornada assistencial, ela tende a ser mais barata", diz Berardo. "Saúde é cara, mas é muito mais quando é mal feita".

Remédio amargo

A Sami opera um modelo conhecido de verticalização virtual. Em vez de adquirir hospitais e clínicas, como fazem grupos verticalizados tradicionais, a empresa coordena toda a jornada do paciente por meio de equipes próprias de atenção primária, tecnologia e uma rede credenciada de parceiros. O objetivo é capturar ganhos de eficiência típicos da verticalização sem a necessidade de investir em ativos hospitalares próprios.

Com a estratégia de aprofundar esse modelo, a Sami já viu suas taxas de sinistro diminuírem 15%, o que levou a reajustes menores e também a maiores margens de contribuição. Em 2025, a diferença entre receita e gastos médicos na Sami cresceu 167% em relação a 2024. No primeiro trimestre deste ano, o crescimento foi de 28% em relação ao mesmo período de 2025.

O resultado é que a receita cresceu quase 20% no mesmo período. Se no ano passado a healthtech registrou R$ 130 milhões em faturamento, o diagnóstico é que neste ano o desempenho vai ser melhor.

"Resolvemos muita coisa na intervenção virtual entre médico e paciente, o que reduz custos", diz Berardo. Cerca de 80% dos casos são resolvidos nessa etapa.

O segredo está no engajamento dos pacientes no aplicativo da Sami. O índice de usuários ativos mensais chega a 85%, enquanto operadoras tradicionais têm cerca de 7%.

"Não consigo ter custo de rede verticalizada, mas minha saúde populacional vai ser ótima, o que reduz o número de procedimentos", diz o executivo.

Quem cuida de quem cuida

A aposta num modelo verticalizado de saúde já conquistou investidores de peso, como Monashees, Valor Capital e Canary. Desde sua fundação, a companhia já captou cerca de R$ 300 milhões. Se depender da taxa de reajuste da Sami, ao redor de 5,27%, em comparação à média do mercado, de cerca de 11%, a tese tem mesmo valor. 

A aposta de longo prazo é melhorar a infraestrutura da plataforma, mas com escala. E isso só é possível com ainda mais capital. A companhia deve voltar ao mercado por novas rodadas a partir do próximo ano.

"Não vamos conseguir chegar a 10 milhões de vidas na plataforma sem necessidade de capital, então vamos ter muitos novos investidores no futuro", diz Berardo.

A última rodada pública da Sami foi uma Série B de R$ 90 milhões, liderada por Redpoint Ventures e Mundi Ventures, com participação de Alumni Ventures, Endeavor Catalyst, Digital Horizon, Tau Ventures e follow-on de investidores já presentes na base, como Monashees e Valor Capital.

Em 2025, a companhia voltou a captar recursos, desta vez em uma rodada interna de R$ 25 milhões. A operação foi subscrita pelos investidores já presentes no captable e teve como objetivo reforçar o caixa da empresa.

O remédio já deu sinais de fazer efeito. Nos últimos 12 meses, a companhia fechou as contas em 3 deles. Não é pouca coisa para um incumbente do setor de saúde. O desafio é ser constante.

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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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