Como Atrio quer surfar onda de investimentos em hotéis para ir além da Accor
Companhia mira 150 hotéis até 2029, avalia aquisições e amplia atuação enquanto fundos voltam a colocar dinheiro no setor


Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHT
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 06:00.
A Atrio, maior franqueadora da Accor no Brasil, vai entrar em nova fase de operação. A terceira desde sua fundação, em 1988. A companhia, que nasceu incorporando e operando hotéis, tinha um problema: o mercado associava a operação apenas à gestão dos empreendimentos. O nome não ajudava: Atrio Hotel Management.
Agora, a companhia vai ampliar atuação. Na verdade, organizar o que sempre fez, integrando três pilares do negócio: imobiliário, marcas e gestão. A ideia é oferecer solução de ponta a ponta para performance em hospitalidade. "A gente sempre gostou de construir hotéis, faz parte do nosso DNA, mas acabamos associados à gestão. O que estamos fazendo agora é apenas organizar o que sempre fizemos, mas de forma pouca estruturada", diz Beto Caputo, CEO e fundador da Atrio. "Hospitalidade deve performar como um sistema, mas o sistema só funciona quando o ativo do investidor vai bem."
O reposicionamento coincide com uma série de movimentos de expansão. Em julho, a Atrio estreou na capital paulista com o Grand Mercure São Paulo Pinheiros, entrando no principal mercado hoteleiro do país. Também assumiu o tri-combo de Campo Grande, complexo que reúne três bandeiras e representa a maior conversão já feita pela companhia nesse formato, e confirmou a ampliação da presença no Rio de Janeiro com o Aēra Copacabana. "Não estamos reiventando a roda. Nosso trabalho é descobrir qual marca se encaixa melhor com o melhor ativo para o melhor mercado", diz Caputo.
Com as novas operações, a Atrio prevê encerrar 2026 com R$ 1,3 bilhão em faturamento, considerando todos os negócios. Para 2029, a meta é superar 150 hotéis em operação e alcançar R$ 100 milhões de EBITDA.
Com 15 marcas no portfólio, o plano de crescimento passa também por operações de M&A. Até hoje, a Atrio sempre optou pelo crescimento orgânico. "Há muitos hotéis independentes que avaliamos. É um mercado altamente fragmentado", diz Caputo.
Além dos hotéis, a Atrio avalia entrar em novos mercados. Comidas e bebidas é um deles. Já há dois restaurantes, mas dentro de empreendimentos da companhia. O KAIS Ø, de cozinha contemporânea, em Navegantes e Recife. Está em avaliação uma expansão em rede.
Novos bolsos
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Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHTJornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com
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