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EXCLUSIVO: CEUB busca comprador, mas coloca condição; Grupo SEB e Ânima entre os interessados

Com prejuízo em queda e balanço ainda pressionado, instituição adia venda para tentar dobrar valuation

UniCEUB: à venda (UniCEUB/Divulgação)
UniCEUB: à venda (UniCEUB/Divulgação)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 21 de agosto de 2026 às 07:00.

Última atualização em 25 de agosto de 2026 às 13:33.

O Centro Universitário de Brasília (CEUB), instituição privada de ensino superior fundada em 1968 e uma das mais tradicionais do Distrito Federal, está à venda. Antes, entretanto, a instituição de ensino quer colocar as contas em dia. Questão de valuation: hoje, o ativo vale cerca de R$ 1 bilhão; azeitado, a expectativa é levantar até R$ 2 bilhões.

Não é de hoje que o CEUB está à venda. O Grupo SEB e a Ânima Educação já estiveram em negociação pelo ativo, entraram em due dilligence e devem voltar à carga assim que o processo for reaberto pelos sócios. O Mubadala, fundo soberano de Abu Dhabi que se tornou um dos principais investidores estrangeiros no Brasil, também já esteve de olho no ativo.

O SEB, do empresário Chaim Zaher, esteve próximo de fechar a aquisição em 2024. O processo da Ânima é um pouco mais antigo. Em 2021, a instituição esteve em negociações avançadas numa transação avaliada em cerca de R$ 800 milhões.

Do CEUB ao inferno

A movimentação acontece enquanto o CEUB passa por um processo de reestruturação. A instituição opera no vermelho há anos, embora tenha conseguido reduzir o prejuízo: em 2024, a perda caiu 64%, de R$ 26,6 milhões para R$ 9,5 milhões.

A melhora no resultado, porém, convive com um balanço pressionado. O CEUB encerrou 2024 com apenas R$ 574 mil em caixa, uma queda de 87% em relação aos R$ 4,35 milhões registrados um ano antes. O fluxo de caixa operacional também ficou negativo em R$ 3,1 milhões.

A diferença entre ativos e obrigações aumentou. A instituição terminou o ano com R$ 132 milhões em ativos e R$ 171,3 milhões em passivos, levando o patrimônio líquido negativo de R$ 29,3 milhões para R$ 39,3 milhões.

A pressão aparece sobretudo no curto prazo. O CEUB tinha R$ 12,9 milhões em ativos circulantes para R$ 95,8 milhões em obrigações com vencimento no curto prazo, resultando em capital circulante líquido negativo de R$ 82,9 milhões — ante R$ 72,1 milhões negativos em 2023.

A dívida com instituições financeiras também avançou. O saldo chegou a R$ 34,7 milhões, ante cerca de R$ 29,1 milhões no ano anterior. Desse total, R$ 18,2 milhões venciam no curto prazo. As provisões para contingências, por sua vez, cresceram quase 40%, para R$ 36,9 milhões.

Apesar dos números, a administração afirmou nas demonstrações financeiras que não identificava risco à continuidade operacional. A avaliação era de que o plano de negócios e as medidas de gestão seriam suficientes para garantir a sustentabilidade da instituição.

Além do aspecto financeiro, há um componente societário. Os acionistas do CEUB são as famílias Américo, que detém uma fatia de 42%, e a família Alves da Silva, que também era dona da FMU, que também possuem 42%. O restante é de vários acionistas monirotários. O primeiro grupo tinha pressa para efetivar a venda; o segundo topava esperar. Venceu quem tem paciência. O processo de reestruturação, em busca de uma valorização, deve levar até dois anos.

Reconhecimento regional

Fundado em 1968, o CEUB é uma das mais tradicionais instituições privadas de ensino superior de Brasília. Atualmente, mantém dois campi, na Asa Norte e em Taguatinga, oferece mais de 20 cursos de graduação e já formou mais de 100 mil profissionais, principalmente em cursos como Direito, Saúde, Engenharia e áreas de negócios.

Em nota, o Grupo SEB admite que já esteve em negociação com o CEUB, mas que as trativas não avançaram. Diz ainda que "segue interessado no ativo, caso retorne ao mercado". A Ânima diz que não comenta especulações de mercado. O CEUB não se manifestou.

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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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