Ex-CEO da Vale, Eduardo Bartolomeo assume cadeira no conselho da Aldak
Executivo vai apoiar estratégia de expansão da companhia, que projeta R$ 520 milhões em receita e mira crescer em mineração e redes privadas


Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHT
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 14:27.
Última atualização em 27 de agosto de 2026 às 14:30.
Eduardo Bartolomeo, ex-CEO da Vale, vai assumir como sênior advisor e membro do Conselho de Administração da Aldak, empresa de conectividade e comunicação crítica. Ele apoiará a empresa em temas relacionados à governança, processos e expansão. "A Aldak já construiu uma presença relevante em operações de alta complexidade e tem uma oportunidade importante de ampliar essa atuação nos próximos anos. Espero contribuir com a experiência que acumulei em grandes operações, especialmente na mineração”, diz Bartolomeo.
Bartolomeo assumiu a Vale em 2019, no pior momento de sua história, semanas depois de Brumadinho, e liderou o processo de reconstrução operacional e reputacional da companhia. A saída, entretanto, foi conturbada. Ele deixou o comando da mineradora em 2024 após um processo sucessório turbulento, marcado por divisão no conselho e acusações de interferência política na escolha de seu substituto.
Desde que deixou a Vale, Bartolomeo vem montando um portfólio de posições em conselhos. O executivo já integra os boards da americana Albemarle, uma das maiores produtoras de lítio do mundo, da Boston Metal e da brasileira TSE Engenharia e Automação, da qual também se tornou investidor.
Rádio ligado
A chegada ocorre em um momento de expansão da Aldak, que vem combinando crescimento orgânico e aquisições em sua estratégia de consolidação no mercado de comunicação crítica. Resultado da integração entre Alcon, Kofre e TRC, a Aldak projeta faturamento anual de R$ 520 milhões em 2026, possui backlog de receitas contratadas de R$ 1,2 bilhão e reúne cerca de 2 mil clientes ativos. “Estamos construindo uma companhia com escala para assumir projetos cada vez mais complexos e ampliar nossa presença em setores estratégicos”, afirma Felipe Pereira, CEO da Aldak.
Investida dos fundos Spectra e Kviv, a Aldak segue ativa no mercado. O último movimento de M&A foi justamente a aquisição da TRC, em maio. "Crescimento inorgânico faz parte da nossa estratégia", diz Pereira. Segundo o executivo, a combinação de crescimento orgânico com inorgânico permitiu multiplicar a receita em 5,7 vezes e o EBITDA em 7 vezes em três anos.
Câmbio, desligo
A mineração está entre os mercados estratégicos para a expansão da Aldak. Atualmente, a companhia atende 16 das 20 maiores mineradoras do país. A atuação reúne tecnologias como radiocomunicação e redes privadas LTE, 4G e 5G, que permitem conectar equipes, equipamentos, veículos, sensores e sistemas em áreas extensas, remotas ou com limitações de cobertura.
A expansão das redes privadas é uma das frentes de crescimento da companhia no setor, acompanhando a maior demanda por conectividade em operações cada vez mais automatizadas e digitalizadas. Na mineração, entre os desafios tecnológicos observados estão a conectividade em áreas de sombra e ambientes remotos, a necessidade de transmissão de dados em tempo real e a comunicação entre equipes e equipamentos.
Para os próximos anos, a Aldak pretende ampliar sua participação em projetos greenfield, acompanhando os clientes desde as fases iniciais de implantação. Minas Gerais segue como uma região prioritária, enquanto a companhia também acompanha novos polos de investimento, especialmente no Pará e na Bahia.
Além da mineração, a Aldak atende 8 dos 10 maiores aeroportos e 2 das 3 maiores produtoras de papel e celulose do país, além de atuar em energia, óleo e gás, logística, indústria, infraestrutura e utilities. A estrutura combinada reúne 750 colaboradores, presença em todas as regiões do Brasil e uma base instalada de aproximadamente 150 mil equipamentos e sistemas.
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Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHTJornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com
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