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Parece cada vez mais certo que o italiano Carlo Ancelotti será o técnico da seleção brasileira. De acordo com fontes, já existe um acerto verbal entre as partes, e a tendência é ele assuma a função após o término de seu contrato com o Real Madrid, em meados de 2024. O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, já teria comunicado a diretoria do clube madrilenho.

Caso opte novamente por um técnico de fora, a CBF estará seguindo os passos do que já fazem os clubes na sua principal competição, o Campeonato Brasileiro. 9 dos 20 clubes que disputam a Série A em 2023 possuem treinadores estrangeiros (ver lista abaixo).

Apesar de ser considerado um dos maiores treinadores do mundo e com forte apelo midiático, Carlo Ancelotti é italiano e pode sofrer um choque cultural junto aos torcedores brasileiros, muito deles contrários à vinda de um profissional de fora para comandar a seleção.

O que dizem os especialistas?

"Ancelotti é treinador de primeira prateleira e vem comandar a seleção brasileira, um ícone do futebol mundial. Tem carisma e atributos interessantes para as marcas. Só isso seria suficiente para atrair investimentos, mas precisa entregar resultados em campo. A performance sempre vai ser preponderante. E para ganhar popularidade ele tem que vencer. Desde que esse potencial acordo com a CBF permita, ele pode e deve estruturar uma camada digital ativa e investir na relação com o fã, mas sem resultados em campo, já sabemos o que acontece", exemplifica Armênio Neto, especialista em negócios do esporte e sócio-fundador da Let's Goal.

"Estamos falando de um profissional super vencedor, era desejo antigo e muitos brasileiros têm a curiosidade de ter um técnico estrangeiro dirigindo a seleção brasileira. Para se aproximar dos torcedores e do mercado publicitário, é imprescindível que o Carlo se aprofunde na cultura e nos costumes do povo brasileiro", corrobora o especialista em marketing esportivo Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports, empresa que cuida do gerenciamento de imagem do atacante Endrick, recém-negociado com o Real Madrid.

Para Ivan Martinho, professor de marketing esportivo pela ESPM, a ideia de ter um técnico estrangeiro treinando a seleção mais famosa e mais vencedora da história das Copas é uma quebra de paradigma importante para o futebol nacional, mas será necessária adaptaçãa ao ambiente e ao jeito brasileiro.

"De torcer e entender o peso da camisa serão primordiais para Ancellotti. Ainda que cultura do Brasil como país é de receber bem estrangeiros no geral e até celebra ídolos de outras nacionalidades como é o caso de Lewis Hamilton mas em se tratando de uma posição de tamanha reponsabilidade, a escolha da equipe técnica, uma dose de carisma, simpatia e busca de conexão com os hábitos locais farão muito bem a rápida adaptação", explica.

Thiago Freitas, responsável técnico da TFM, agência que faz a gestão de carreira de prodígios como Vini Jr., Endrick e Martinelli, entende que os dirigentes brasileiros foram gradualmente se profissionalizando e buscando alternativas fora do país, e com o esperado e verificado sucesso dos treinadores estrangeiros no país, existe um clamor e uma aceitação maior.

"Nosso campeonato já não é mundialmente relevante, econômica e tecnicamente, faz pelo menos duas décadas. Os mais qualificados o deixam cada vez mais cedo, e muitos sequer chegam a disputar o mesmo. Restringir o comando de nossa Seleção a quem só comandou equipes nesse campeonato é no mínimo imprudente. Uma Seleção protagonista precisa ter em todo o seu entorno pessoas que convivem e enfrentam os protagonistas em âmbito mundial. Não se trata de termos um treinador brasileiro ou estrangeiro, mas de termos um treinador que na última década se submeteu aos mais relevantes desafios, e com provas dadas de ser capaz de os superar", argumenta.

Para o presidente Marcelo Paz, do Fortaleza, que possui um dos técnicos estrangeiros mais cobiçados do país, o argentino Vojvoda, o momento nunca foi tão propício para poder se discutir, de fato, a presença de um treinador estrangeiro na seleção brasileira.

"O futebol de grande nível permite essa internacionalização. Os nossos principais jogadores atuam em clubes no exterior e o futebol brasileiro vive um momento de grande presença de técnicos estrangeiros, acho que o maior da história. Todos que estão no futebol identificaram esse movimento e por isso a discussão é válida e cabível. Podemos, sim, abrir as portas para o desenvolvimento do futebol brasileiro e buscar a volta do protagonismo a nível mundial".

Ao longo da história, três treinadores estrangeiros já comandaram o Brasil: Ramón Platero, Joreca e Filpo Nuñez. Platero, de origem uruguaia, foi o primeiro durante o Sul-Americano de 1925. Já Jorges Gomes de Lima, conhecido como Joreca, era natural de Portugal e dirigiu a seleção em apenas dois jogos, dividindo o posto com Flávio Costa, em 1944.

"Eu vejo que todas as possibilidades são cabíveis de discussão, tanto de estrangeiros quanto de técnicos brasileiros. Temos excelentes profissionais em nosso mercado, mas também sabemos que alguns dos que vieram de fora provaram seu valor, e dos nomes que estão sendo especulados, estamos falando de multicampeões, como o Carlo Ancelotti. Eu acho que o que vale neste momento é gestão, competência, apego ao trabalho. Precisamos de um choque que transforme o Brasil novamente em protagonista", opina o presidente do Sport, Yuri Romão.

O último foi justamente um palmeirense - assim como Abel Ferreira. Filpo Nuñez, argentino, e que depois veio a naturalizar-se brasileiro, foi o técnico da Seleção em 1965, mas numa situação atípica: a CBD, então CBF da época, indicou o time inteiro do Palmeiras, considerado o melhor do país, para representar o Brasil no festival de abertura do estádio do Mineirão. Na ocasião, venceu o Uruguai por 3 a 0, com gols de Rinaldo, Tupãzinho e Germano. O Palmeiras que vestiu a camisa verde a amarela era chamada de Academia de Futebol, tamanha a quantidade de craques em seu elenco.

Membro da UEFA Academy e especialista na identificação de talentos pela FA, a Federação Inglesa de futebol, Sandro Orlandelli tem formação em Harvard e foi scout de equipes importantes da Europa, como Arsenal, Manchester United e Saint-Éttienne, da França. Atuando na função de diretor-técnico, seu atual posto, teve passagens por Red Bull Bragantino e Sport Club Internacional. Ele aponta que a adaptação cultural, e não a capacidade técnica, é o fator fundamental num eventual início de trabalho no Brasil.

"A questão não é mais técnica, nem da parte dele nem dos jogadores, mas sim essa adaptação cultural do entendimento e da necessidade de atingir um resultado de convencimento, e de conseguir apresentar o que vai executar e como ele pensa em construir fase a fase. Importante deixar isso alinhado tanto com a instituição como com o meio externo, pois vai ajudá-lo a ter a tranquilidade para trabalhar. Mas para essa adaptação cultural, o Ancelotti vai precisar de alguém que entenda da cultura e que possua o conhecimento do entendimento dele e do background que ele possui", argumenta.

Bahia: Renato Paiva (Portugal)
Botafogo: Luís Castro (Portugal)
Bragantino: Pedro Caixinha (Portugal)
Cruzeiro: Pepa (Portugal)
Cuiabá: António Oliveira (Portugal)
Flamengo: Jorge Sampaoli (Argentina)
Fortaleza: Vojvoda (Argentina)
Goiás: Armando Evangelista (Portugal)
Palmeiras: Abel Ferreira (Portugal)

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