ESG

Sicredi destina R$ 51 bilhões para a economia verde em 2023

Relatório de Sustentabilidade mostra que prioridades foram pequenos produtores, mulheres e agricultura de baixo carbono; COP deve favorecer chegada de mais investimentos, conta executivo

Gustavo de Freitas, direitor executivo de novos negócios do Sicredi: "Muitas atividades que nós financiamos enfrentam um risco se nada for feito pela transição do clima" (Leandro Fonseca/Exame)

Gustavo de Freitas, direitor executivo de novos negócios do Sicredi: "Muitas atividades que nós financiamos enfrentam um risco se nada for feito pela transição do clima" (Leandro Fonseca/Exame)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 5 de abril de 2024 às 13h49.

Última atualização em 8 de abril de 2024 às 17h27.

O Sicredi, cooperativa financeira, divulgou o Relatório de Sustentabilidade referente a 2023. Ao todo, a carteira de crédito para economia verde e ESG chegou a R$ 51 bilhões, o que representa 24% dos recursos na carteira do Sicredi. Com a aproximação da COP30, a expectativa é que a alta, em média de 10% ao ano, tenha aceleração.

Em entrevista exclusiva à EXAME, Gustavo de Castro Freitas, diretor executivo de negócios, crédito e produtos do Sicredi, contou que o financiamento de práticas verdes para pequenos produtores foi o que mais movimentou investimentos nesta fatia, com R$ 14 bilhões investidos em quase 100 mil operações no último ano.

Os recursos para apoiar empreendimentos femininos e de produtoras rurais, somados, chegam a R$ 13,6 bilhões. Em seguida está a agricultura de baixo carbono, com um custo de R$ 8,4 bilhões, e o investimento em energias renováveis e limpas, por R$ 5,8 bilhões.

Ele ainda explica que ao apoiar a economia verde no Brasil, a empresa foca resolver as crises que afetam as regiões onde seus mais de 7,5 milhões de associados estão inseridos. “As pessoas já têm vivido o impacto das mudanças climáticas. Muitas das atividades que nós financiamos enfrentam um risco se nada for feito pela transição do clima”, conta.

“Além disso, o Brasil é muito responsável por influenciar o mundo nas questões ambientais. A gente tem um papel em evitar o desmatamento e a migração do campo para a cidade e no fornecimento de alimentos para outros países”, afirma.

Na área social, mais educação e apoio às mulheres

Na área social, foram R$ 390 milhões destinados para financiar o desenvolvimento de comunidades onde a empresa está presente. O valor inclui investimentos em educação, regiões em vulnerabilidade, entidades esportivas e programas sociais.

Dentro da educação, a Fundação Sicredi criou programas para formar professores e crianças em temas como sustentabilidade, finanças e cooperativismo. Um deles é A União Faz a Vida, programa que criou uma metodologia de ensino escolar com base no cooperativismo e cidadania. Dessa forma, além dos conteúdos escolares, os estudantes também garantem conhecimentos sobre o outro, o planeta e a vida, garantindo habilidades socioambientais. Só em 2023, mais de 530 mil crianças passaram pelo método de ensino em mais de 3 mil escolas.

O Sicredi busca linhas de crédito no exterior e capta recursos de entidades multilaterais para fornecer taxas menores ao associado. Desde 2019, quando os investimentos em economia verde começaram, já foram mais de R$ 5 bilhões captados.

Os R$ 7,2 bilhões de crédito fornecidos para empresas lideradas por mulheres atingiram quase 60 mil companhias — 80% delas localizadas em municípios de baixo Índice de Desenvolvimento Humano e maior vulnerabilidade social.

Para as produtoras rurais, as operações chegaram a R$ 5,8 bilhões. Para o diretor executivo, os investimentos do Sicredi não só buscam apoiar regiões vulneráveis, mas também desenvolver negócios que tenham maior impacto social, ambiental e econômico para as regiões.

Investimentos para manter a COP30 de pé

Com a aproximação da Conferência do Clima da ONU de 2025, que será realizada em Belém no próximo ano, o Sicredi tem apoiado investimentos de infraestrutura, mobilidade e hotelaria — áreas necessárias para a realização do evento, mas que atualmente estão abaixo da capacidade necessária na capital paraense.

“Tudo que tem sido movimentado é para ajudar a COP a ficar de pé até lá, como hospedagem e transporte. O evento é importante para o Brasil. Estamos tendo discussões com órgãos ambientais, governo e bancos de desenvolvimento para viabilizar esses investimentos para a COP30”, conta.

Durante a COP28, o Sicredi assinou dois acordos que já visavam a realização do evento no Brasil: se tornou parte da Rede Financeira para a Amazônia, que movimenta recursos para a qualidade de vida na região e a preservação ambiental, e captou US$ 125 milhões para financiar micro, pequenas e médias empresas chefiadas por mulheres, com um olhar especial para as da região amazônica.

Para 2024, a expectativa é que o crescimento continue no entorno dos 10%, atingindo por volta de R$ 56 bilhões de investimentos em economia verde e ESG. “Para o próximo ano, com a chegada da COP30, o otimismo prevalece", afirma Freitas. “A Conferência pode desatar nós e criar soluções em diferentes biomas a partir de práticas sustentáveis. Apesar dos muitos desafios atuais para garantir a realização do evento, seguimos confiantes”, conta.

A expectativa de crescimento, segundo o diretor, ainda esbarra na alta taxa de juro. Com o controle da Selic, a expectativa é de incentivar mais produtores e práticas agrícolas queque unam a lavoura, pecuária e floresta por meio da produção sustentável.

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