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Produção sustentável no Cerrado pode gerar US$ 72 bi para PIB ao ano, aponta Fórum Econômico Mundial

Estudo em parceria com consultoria Systemiq aponta soluções para crise ambiental no Cerrado, o bioma com mais áreas destinadas à agricultura brasileira

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Cerrado recebe pouca atenção e menos proteção legal do que precisa, diz Fórum Econômico Mundial (Ramesh Thadani/Getty Images)

Cerrado recebe pouca atenção e menos proteção legal do que precisa, diz Fórum Econômico Mundial (Ramesh Thadani/Getty Images)

Um novo modelo de produção sustentável no Cerrado pode ser responsável por um aumento de US$ 72 bilhões por ano no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro até 2030, aponta um relatório do Fórum Econômico Mundial, produzido em parceria com a consultoria britânica Systemiq.

O estudo “Cerrado: Production and Protection”, do inglês Cerrado: Produção e Proteção, avalia que com a restauração de terras degradadas e com o aumento de áreas protegidas, o bioma pode implementar um novo sistema de agroindústria. Entre as soluções estão métodos de produção sustentável, como a agricultura regenerativa, que aumenta a produtividade nos plantios e cria condições melhores para a produção de alimentos, incentivando até mesmo a geração de empregos.

Além do setor alimentício, o bioma também tem grande potencial para a geração de bioenergia, ou seja, a que deriva de plantas e outros recursos naturais. Um terço das usinas de biogás no Brasil estão localizadas no Cerrado.

Outros mercados, ainda em crescimento, como o de combustíveis sustentáveis para a aviação e o de hidrogênio verde, apresentam chances de desenvolvimento nesse ecossistema, mas, segundo a pesquisa, devem ser acompanhados para que não abram espaço para mais desmatamento. O novo modelo de produção sustentável sugerido pelo Fórum Econômico Mundial exige uma colaboração entre os setores público e privado, incluindo ações de toda a cadeia de alimentos.

Desmatamento no Cerrado

É no Cerrado onde ocorre 60% da produção agrícola brasileira, comercializando itens como gado, cana-de-açúcar, milho e soja – 22% das exportações deste grão derivam da produção na região. Ainda assim, as políticas de proteção e preservação ambiental são baixas: só no ano passado, houve um aumento de 43% no desmatamento do ecossistema.

O principal fator que contribuiu para a desvastação do bioma é a produção agrícola, que já eliminou metade da vegetação nativa no Cerrado. O estudo aponta que se a exploração continuar no ritmo atual, o desmatamento pode acarretar em problemas na cadeia de fornecimento de alimentos em todo o planeta.

Para Jack Hurd, diretor executivo da Tropical Forest Alliance – iniciativa do Fórum Econômico Mundial pela proteção de florestas tropicais –, o relatório busca o pontapé inicial na discussão entre formuladores de políticas e a agroindústria sobre como podem instaurar um novo modelo de agricultura sustentável.

“O Cerrado é a maior e mais biodiversa savana do mundo e, por isso, um dos ecossistemas mais importantes do planeta. No entanto, recebe pouca atenção e menos proteção legal do que precisa. Isso resultou em significativa degradação e uso não sustentável da terra, o que representa uma grande ameaça à segurança alimentar de bilhões de pessoas em todo o mundo”, conta.

Para a chefe do escritório da Systemiq no Brasil, Patrícia Ellen da Silva, a aproximação da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que será sediada em Belém, e a presidência do Brasil do G20, o Brasil está bem posicionado para atuar como um líder na luta contra as mudanças climáticas.

“O Cerrado deve estar no centro da transformação global dos sistemas alimentares e da produção de energia, bem como das estratégias e tecnologias de conservação da natureza. Essa não será uma tarefa simples, mas ao aumentar a conscientização sobre a importância do bioma e a conexão entre produção e proteção, este documento nos colocará no caminho para um Cerrado mais sustentável”, afirma.

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