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Na COP28, acordo abre oportunidade de US$ 72 bilhões a 1,8 milhão de produtores rurais

Parceria entre Conafer e Sthorm, startup que tem o artista Tulio Dek como sócio, viabilizará o pagamento por serviços ambientais. Autopass, do cartão TOP, será a primeira na plataforma

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Túlio Dek (à esq.) e Pablo Lobo, sócios da Sthorm: apoio à ciência para encontrar soluções globais (Leandro Fonseca/Exame)

Túlio Dek (à esq.) e Pablo Lobo, sócios da Sthorm: apoio à ciência para encontrar soluções globais (Leandro Fonseca/Exame)

A COP28, realizada no início de dezembro em Dubai, terminou com um acordo histórico. O documento final da conferência climática da ONU fez, pela primeira vez, menção ao fim dos combustíveis fósseis. O impacto da conferência, no entanto, extrapola as negociações diplomáticas. Encontros entre setor privado, mercado financeiro e ativistas produzem ações e inovações que, em muitos casos, se tornam modelos de negócios. Em meio às discussões geopolíticas, uma empresa de pagamentos brasileira, uma associação de produtores agrícolas e uma startup de impacto social podem ter feito exatamente isso.

O acordo envolve a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), entidade que representa 1,8 milhão de pequenos produtores rurais; a Autopass, empresa de pagamentos eletrônicos que administra o TOP, sistema de bilhetagem de ônibus e metrô presente na região metropolitana de São Paulo; e a Sthorm, startup de impacto social focada em soluções para financiamento de ações climáticas e sociais que tem como sócio o rapper e artista plástico Tulio Dek.

A Sthorm busca e financia pesquisas científicas e ideias de negócios que tragam soluções para grandes problemas globais. A startup ganhou notoriedade durante a pandemia, quando lançou a plataforma ViralCure, arrecadando mais de R$ 30 milhões em doações para o combate à covid-19 no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Estima-se que pelo menos 4 mil vidas foram salvas na unidade de saúde com a ajuda dos recursos dessa campanha.

O projeto com a Conafer tem como objetivo o pagamento de serviços ambientais e envolve outra plataforma apoiada pela Sthorm, a Planetary X, que tem entre seus idealizadores o cofundador da Singularity University, Bob Richards. Baseada em blockchain, a plataforma viabiliza investimentos em finanças regenerativas. Por meio dela, parte das transações realizadas pela Autopass no transporte público paulista será transformada em ativos sustentáveis – os chamados Ativos de Conservação de Bioma (BCAs). Os recursos obtidos com sua comercialização serão direcionados aos associados da Conafer como pagamento por serviços ambientais, ou seja, pela conservação das áreas de floresta.

As propriedades associadas à Conafer somam uma área superior a 800 milhões de hectares, equivalente aos territórios de Alemanha, França, Inglaterra e Espanha somados. Entre os produtores estão comunidades indígenas de 157 etnias. Os parceiros estimam que o potencial de ativos comercializáveis chegue a 72 bilhões de dólares. “Com essa aliança, uniremos conhecimento científico avançado e práticas sustentáveis para enfrentar problemas ambientais críticos, de pandemias a mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que trabalhamos para assegurar a biodiversidade e a sustentabilidade econômica das comunidades que dependem desses ecossistemas”, afirma Pablo Lobo, fundador e CEO da Sthorm.

(Em sentido horário) Tiago Lopes, vice-presidente, e Carlos Lopes, presidente da Conafer; Pablo Lobo e Túlio Dek, da Sthorm; e Bob Richards, da Singularity University: acordo beneficia 1,8 milhão de produtores (Sthorm/Divulgação)

Do rap ao ativismo   

Dek tem uma longa trajetória no mundo artístico, com diversas produções no rap e na música pop, incluindo parcerias com NX Zero, DJ Cuca e o rapper Xamã. Além de ser conhecido por seus trabalhos como artista plástico, especialmente em pinturas e esculturas.

Seu inconformismo, no entanto, o levou a uma nova perspectiva a respeito de sua arte e, principalmente, sobre sua responsabilidade com questões globais. A partir disso, o artista passou a se dedicar a projetos que vão da redução da pobreza às mudanças climáticas. Em entrevista à EXAME, ele contou como essa conscientização alterou seu rumo como empreendedor e artista.

"Ingressei no rap ainda muito novo e comecei a ganhar dinheiro. Fiz carreira, minhas músicas tiveram reconhecimento e ganhei prêmios pelo meu trabalho. Mas, eu percebi que o meu compromisso como ser humano vai muito além da profissão. Por exemplo, não fazia sentido me deslocar entre os shows em carros luxuosos e no caminho ver pessoas na rua passando fome. Para alguns isso é normal, para mim não", diz Dek.

A partir desse comprometimento, Túlio se tornou sócio da Sthorm. Fundada em 2010 pelo ativista e CEO Pablo Lobo, a startup paulistana conta com profissionais especializados em soluções digitais para questões que vão do financiamento de pesquisas contra doenças infecciosas ao combate às mudanças climáticas.

Em sua sede em Alto de Pinheiros, circulam especialistas em tecnologia vindos de países como Argentina, Ucrânia, Rússia, Estados Unidos, México e África do Sul. Dessa interação, são criadas soluções financeiras para o combate às mudanças climáticas e à perda da biodiversidade.

Para Dek, a pesquisa científica estimula a consciência da interdependência entre a saúde de qualidade para as pessoas e a proteção do meio ambiente. "A Sthorm nasceu deste propósito de buscar saídas com eficiência. Uma das nossas operações é o investimento em cientistas para acelerar o desenvolvimento de seus projetos de impacto socioambiental e, também para que tenham legitimidade e reconhecimento sobre eles. Por isso, o Pablo e eu trouxemos pessoas que saibam mais do que nós sobre as diversas áreas nas quais estamos nos envolvendo", afirma.

Match entre a arte e o ativismo

O envolvimento de Dek com o ativismo se baseia também na ideia de que a arte é política, principalmente por gerar impactos na sociedade. Durante os anos em que morou na Europa, ele passou a se dedicar às artes plásticas e a criar pinturas e esculturas que despertem a consciência para a crise ambiental.

Um dos trabalhos de Dek em Portugal, no Jardim do Torel, famoso ponto turístico da cidade, a intervenção urbana "Beyond the trees", chamou a atenção para as queimadas de florestas. Na instalação, os visitantes puderam caminhar entre 500 restos de troncos de árvores, retirados das regiões afetadas por incêndios no país. "O dever do artista não é só produzir uma tela ou escultura, vender por um valor alto e participar de uma exposição. Compreendi que meus talentos também poderiam contribuir com a ciência e o meio ambiente", resume.

Presença na COP28

A COP de Dubai foi a primeira de Dek e Lobo. Além do acordo com a Conafer e a Autopass, Lobo e Dek levaram para os Emirados Árabes parte do Sthorm Festival, evento que une a música com debates sobre e meio ambienbte, idealizado por Lobo, a ambientalista e filantropa Ana Paula Junqueira e o ex-baterista do Guns N’ Roses Matt Sorum, que fez uma apresentação na conferência climática ao lado da cantora Agnes Nunes.

Segundo Dek, a parceria com a artista baiana começou em sua gravadora Bagua Records e evoluiu para um engajamento em pautas sociais. "A Agnes foi contratada pela minha gravadora com 15 anos de idade, o que permitiu a ela ajudar a família em moradia e escola. Ela tem em mente a importância da inclusão, tanto que quando percebeu a urgência da questão ambiental, pediu para participar da conferência para levar uma mensagem do Brasil e da Amazônia", disse Dek.

Matt Sorum, ex-Guns N' Roses, e a cantora Agnes Nunes se apresentaram durante a COP28

Matt Sorum, ex-Guns N' Roses, e a cantora Agnes Nunes se apresentaram durante a COP28 (Sthorm/Divulgação)

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