Na Amazônia, Mombak aposta em maior projeto de reflorestamento do mundo para remover carbono
A startup de créditos de carbono captou US$ 120 milhões de investimento visando escalar o plantio de mudas nativas e adquiriu uma área de 20 mil hectares no Pará
Repórter de ESG
Publicado em 7 de janeiro de 2025 às 08h00.
Última atualização em 7 de janeiro de 2025 às 09h45.
"Para chegar a emissões zero, não basta reduzir: empresas precisam investir em iniciativas de remoção de carbono " disse em entrevista exclusiva à EXAME,Gabriel Silva, um dos fundadores da Mombak, junto com Peter Fernandez.
Isto porque, em um planeta que emite 50 bilhões de toneladas de gases estufa por ano, a empresa acredita que pelo menos 10 bilhões será com soluções naturais de retirada de CO2 da atmosfera -- seja pela restauração de florestas, manguezais ou conservação de solos saudáveis.
Fundada em 2021, a startup especializada em gerar créditos de carbono a partir do reflorestamento nasceu do sonho da dupla em deixar um legado de impacto e criar uma nova indústria voltada a solucionar os desafios impostos pelas mudanças climáticas. Ambos vinham de uma jornada em gigantes de tecnologia: Gabriel, ex-CFO do Nubank, e Peter, ex-CEO do 99.
"Na época, eu me vi numa posição muito privilegiada de desenvolver algo relevante. Pelo meu histórico, eu tinha acesso a capital, talento, e já tinha uma experiência em empresas comcrescimento exponencial", contou Gabriel.
Após um ano de dedicação e estudos de mercado, os empreendedores entenderam que havia uma forte demanda por projetos capazes de remover gases estufa para ajudar outras corporações a atingirem suas metas ambientais. "Nós unimos duas teses: oreflorestamentoé a maior oportunidade decaptura de carbono,e oBrasilé o melhor lugar para fazer isto", destacou.
A prática, que visa restaurar áreas desmatadas por meio do plantio de mudas nativas, tem o potencial decapturar de 2 a 3 bilhões de toneladas de CO2 por ano da atmosfera.
Após captar 120 milhões de dólares de investimento, a Mombak adquiriu20 mil hectares de áreas no Pará-- e agora quer atingir a escala global. Até então, oprojeto na Amazôniapromete ser o maior do mundo e já plantou mais de3,4 milhões de árvores.Entre seus investidores, estão AXA, CPP (Canada Pension Plan Investment Partners), Bain Capital Partnership Strategies e Fundação Rockefeller. Além disso, R$ 1.25 bilhão foi levantado em recursos do Banco Mundial, BNDES e DFC - Development Finance Institution, e a startup fechou contratos pioneiros de carbono com gigantes como Google, Microsoft e McLaren Racing.
O mais recente, de dezembro de 2023, foi com a Microsoft e envolve 1,5 milhão de toneladas de carbono a serem removidas até 2032 -- um dos maiores em compra e venda baseados na natureza do mundo.
Atualmente, a parceria entre a startup e seus clientes (empresas) funciona no mercado voluntário de carbono, mas com a regulação no Brasil conquistada no final de 2024, isto pode mudar e ser "muito positivo", acredita Gabriel.
"A criação do mercado regulado é muito importante, porque dá essa racionalização e obrigação das empresas atingirem a neutralidade.Ainda não temos os detalhes e as regras de como isto se dará, mas acreditamos que vamos poder vender os nossos créditos nele também", ressaltou.
Na prática, o que acontece hoje é que empresas de diferentes setores fazem um planejamento de redução de emissão até o 'net zero ': começam olhando para as suas operações e analisam oportunidades de eficiência. Depois, identificam aquelas em que não é possível reduzir, e aí vão ao mercado procurar os melhores produtos e créditos de remoção de carbono para comprarem e compensarem sua pegada ambiental.
É aí que entra a Mombak: a parceria também envolve a assinatura de acordos com proprietários de terras, financiamento dos custos de reflorestamento, compartilhamento dos lucros obtidos com produtores rurais e contratação de pessoas locais, visando girar a economia da floresta.
Sem metas de hectares ou toneladas de carbono no longo prazo, o que a Mombak quer é continuar nessa trajetória de crescimento exponencial. "Já conseguimos provar que existe o mercado: atraindo investidores, clientes e executando os projetos verdes", concluiu Gabriel.