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Colunista
Publicado em 19 de outubro de 2026 às 11h00.
O Brasil é conhecido pela participação relevante das hidrelétricas na geração de energia elétrico. Elas respondem por pouco mais de 40% da capacidade instalada do sistema brasileiro, majoritariamente renovável, com participação também de usinas eólicas e solares. Mas o país também se destaca na sustentabilidade da produção de combustíveis líquidos.
O país é o segundo maior produtor mundial de etanol, com 33 bilhões de litros na safra 2023/2024, atrás apenas dos Estados Unidos. Do total da produção brasileira, 27 bilhões de litros vieram da cana-de-açúcar e uma parcela menor, do milho. Além disso, o país produz cerca de 9 bilhões de litros de biodiesel e conta com 13,5 gigawatts (GW) de cogeração a partir do bagaço de cana-de-açúcar.
Para se ter uma ideia da importância da bioenergia, os derivados da cana-de-açúcar são a segunda maior fonte de oferta interna de energia do país (15,8%), atrás apenas do petróleo e derivados (33,7%) e à frente da hidrelétrica (10,7%) e do gás natural (10,3%), de acordo com o Balanço Energético Nacional 2026, publicado pela Empresa de Pesquisa Energética.
A bioenergia, porém, pode desempenhar um papel ainda maior no processo de descarbonização brasileiro. Esse caminho passa por alavancas como a economia circular, o uso de bioenergia para descarbonizar sistemas isolados e cocção limpa, além do desenvolvimento de biocombustíveis avançados para novos mercados.
Nesse contexto, vale ressaltar a publicação, em agosto, do decreto nº 13.094/2026, que regulamenta o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV). A iniciativa, incluída na Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), organiza o sistema de certificação, comercialização e monitoramento do combustível sustentável de aviação (SAF, do inglês Sustainable Aviation Fuel) em linha com o arcabouço da Organização de Aviação Civil Internacional (ICAO, na sigla em inglês).
O SAF é um combustível produzido a partir de fontes renováveis, por meio de diferentes rotas tecnológicas, por exemplo a partir de óleos vegetais, gorduras animais, resíduos agrícolas e urbanos entre outros.
O objetivo do arcabouço aprovado recentemente é justamente garantir o aumento de participação gradual de SAF na mistura com o querosene de aviação.
O biometano também é um dos combustíveis contemplados pela Lei do Combustível do Futuro. O biometano é um gás renovável produzido a partir da decomposição de matéria orgânica, como resíduos de aterros sanitários, restos de alimentos e dejetos de agropecuária. Após o seu tratamento, ele pode ser utilizado em veículos e indústrias, entre outros segmentos. O mercado de biometano está em crescimento no país, com potencial expressivo para o futuro.
O desenvolvimento deste setor, sobretudo das novas tecnologias, enfrenta barreiras. A competitividade econômico-financeira e o acesso a linhas de financiamento adequadas ainda são desafios para algumas tecnologias.
Outro ponto importante é a necessidade de adequação de uma infraestrutura logística complexa, em alguns casos ainda incipiente, para as novas cadeias produtivas da bioenergia. A ausência dessa infraestrutura pode dificultar de forma significativa a viabilidade econômica dos projetos.
O avanço da bioenergia no Brasil dependerá, portanto, da combinação entre novas tecnologias, investimentos e infraestrutura para ampliar sua contribuição à descarbonização.