ESG

Advocacy Ambiental: Como o Onçafari busca melhorar as leis ambientais para a proteção da natureza

O Onçafari, instituição que atua desde 2011 no Pantanal e começou com ecoturismo focado em observação de onças-pintadas, expandiu sua atuação para  14 bases espalhadas pelo Brasil e em quatro diferentes biomas

Onçafari atua para a preservação do bioma Pantanal (Onçafari/Eduardo Fragoso/Divulgação)

Onçafari atua para a preservação do bioma Pantanal (Onçafari/Eduardo Fragoso/Divulgação)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 8 de maio de 2024 às 10h26.

Última atualização em 8 de maio de 2024 às 12h55.

Por Alexandre Bossi*

O ano de 2023 será para sempre marcado como um ano importante para a preservação do bioma Pantanal, local onde nasceu o Onçafari 12 anos atrás. Foi em 2023 que o Governador do Estado do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, assinou e homologou a primeira lei estadual para o bioma.

Essa lei foi resultado de uma construção feita a várias mãos com a contribuição da Secretaria de Meio Ambiente do Estado, do Ministério do Meio Ambiente, Sindicatos rurais, Federação dos Produtores, Universidades, pesquisadores que trabalham no bioma e a sociedade civil organizada (ONGs) – resultado de um processo no qual o Onçafari participou também ativamente.

O Onçafari, instituição que atua desde 2011 no Pantanal e começou com ecoturismo focado em observação de onças-pintadas, expandiu sua atuação para 14 bases espalhadas pelo Brasil e em quatro diferentes biomas: o próprio Pantanal, o Cerrado, a Mata Atlântica e a Amazônia – também para outras espécies além da onça-pintada: o lobo-guará, o puma e a anta. Hoje, sua atuação não se restringe mais ao ecoturismo.

O Onçafari está envolvido na educação ambiental com parcerias com governos municipais e escolas; e na ciência, contribuindo com diversos artigos científicos sobre as regiões onde atua. Temos hoje literalmente centenas de armadilhas fotográficas e dezenas de biólogos espalhados pelo Brasil produzindo extenso material sobre a natureza.

Também atuamos na construção de corredores ecológicos, comprando áreas para preservação. São mais de 60 mil hectares administrados em três estados brasileiros e três corredores que totalizam mais de 750 mil hectares. Por fim, o Onçafari atua no advocacy, buscando melhorar as leis ambientais ou criar novos arcabouços jurídicos para proteção da natureza, como a criação de Unidades de Conservação.

Foi dessa maneira que, em 2021, nasceu o Refúgio de Vida Silvestre dos rios São Benedito e Azul no sul do Pará, assinado pelo Governador Helder Barbalho. O Onçafari teve atuação decisiva para que nascesse essa importante Unidade de Conservação que protege mais de 200 quilômetros de margem de rios numa área de transição entre Cerrado e Amazônia extremamente ameaçada pelo arco do desmatamento.

Campanhas contra o tráfico de animais em aeroportos ou o atropelamento de fauna nas estradas brasileiras também são parte de estratégias de advocacy e fazem a sociedade rever as leis atualmente vigentes – ações reais das quais o Onçafari tem participado.

A morte, em 2023, de lobos-guarás monitorados pelo Onçafari afogados nos canais de irrigação na Bahia acendeu um alerta importante sobre a tecnologia usada nos campos de produção de soja no Cerrado. E a cobrança ao Governo baiano por ações concretas para que isso não volte a ocorrer é mais um exemplo de advocacy.

Voltando ao Mato Grosso do Sul e à nova lei do Pantanal, dentro dos mecanismos e do regramento da lei, está o Fundo Clima Pantanal, um mecanismo financeiro pioneiro de incentivo e ajuda aos produtores que conservam a natureza e a fauna pantaneira.

Dentro do regramento desse Fundo, o Onçafari está trabalhando para que existam pagamentos e ressarcimento pela predação por grandes carnívoros, a onça-pintada e a onça-parda – algo que seria uma política de governo inédita no Brasil.

Mais do que conscientizar a população, é hora também de conscientizar os políticos, de mostrar que em uma democracia podemos de fato mudar a direção da conservação da natureza fazendo um bom advocacy, ação tão importante para as gerações futuras.

Está cada vez mais claro que a atuação séria, feita por instituições sérias junto a políticos e o bom advocacy serão ferramentas das mais importantes para o futuro do planeta.

É uma honra enorme ser membro do Conselho e da Diretoria dessa instituição, e um prazer participar do crescimento da conservação da natureza no Brasil.

*Alexandre Bossi é diretor Presidente do Onçafari

Acompanhe tudo sobre:PantanalAnimaisAnimais em extinçãoSustentabilidade

Mais de ESG

Energia em Foco: conheça nova plataforma de análises qualificadas e objetivas sobre a indústria

Microsoft compra 8 milhões de créditos de carbono do TIG, que investe na proteção do Cerrado

Para cumprir meta de redução de CO2, Electrolux quer ajudar clientes na economia de energia

Mais na Exame