No Brasil, o otimismo econômico cresceu 10 pontos percentuais, atingindo 43% em 2025. Esse sentimento acompanha a estabilidade da inflação oficial, que registrou alta de 0,33% em janeiro (Getty Images/Reprodução)
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Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 19h09.
O início de 2026 mantém o custo de vida como a maior preocupação para a população global. A pesquisa Ipsos revela que o medo da inflação está no topo das preocupações, afetando 29% dos entrevistados em 30 países, incluindo o Brasil, apesar de ser o nível mais baixo em quatro anos. No entanto, 68% da população mundial ainda teme que os preços aumentem em 2026.
No Brasil, o otimismo econômico cresceu 10 pontos percentuais, atingindo 43% em 2025. Esse sentimento acompanha a estabilidade da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que registrou alta de 0,33% em janeiro, acumulando 4,44% em 12 meses e mantendo-se dentro da meta do Banco Central.
O limite máximo de tolerância da meta do Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com intervalo de 1,5% a 4,5%. Desde novembro passado, o IPCA se mantém dentro deste intervalo.
Cenário nacional
Os setores mais destacados para o equilíbrio do regime de metas da inflação foram:
Combustíveis: a gasolina foi o item que mais pressionou o índice para cima, com alta de 2,06%, refletindo o reajuste do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) estadual na virada do ano em todo o país. O grupo Transportes subiu 0,60%.
Energia: por outro lado, a conta de luz residencial ficou 2,73% mais barata, impactada pela mudança da bandeira tarifária amarela para verde em janeiro. Esse recuo compensou a pressão dos combustíveis.
Alimentação: o grupo alimentação e bebidas subiu 0,23%, o menor resultado para um mês de janeiro desde 2006.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou em evento do BTG Pactual que o patamar brasileiro das metas de inflação está alinhado ao de outros países, e que a autoridade monetária age como um "transatlântico", evitando movimentos bruscos. Segundo ele, o BC também busca dados adicionais para confirmar a confiança necessária para iniciar um ciclo de redução na taxa Selic (atualmente em 15% ao ano), a partir de março.
Em relação ao receio do aumento da inflação por parte da população, a explicação está no termo econômico: "desancoragem das expectativas", de acordo com o especialista André Trein, CIO, sócio e head de investimentos do Clube do Valor.
“Se a dona Maria e o seu João acreditam que o preço vai subir, eles aceitam pagar mais caro hoje ou correm para estocar. O empresário, antecipando custos maiores, remarca a tabela antes da hora. O medo cria a inflação que ele previa. O desafio do governo e do Banco Central é a comunicação, eles não podem apenas dizer ‘está tudo bem tecnicamente’. Eles precisam gerenciar essa psicologia”, explica. “Se o governo forçar a mão em gastos ou se o Banco Central cortar os juros (a Selic de 15%) rápido demais em março, eles podem validar o medo da população.”
“A estratégia correta agora é a cautela. O corte de juros deve vir, mas precisa ser gradual (como projeta o mercado, para 12,25% ao fim do ano), mostrando que a autoridade monetária não vai baixar a guarda. Apenas a estabilidade prolongada vai curar o trauma inflacionário e transformar o ‘conforto financeiro’ presente em ‘otimismo futuro’", avalia André Trein.