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Venda menor à Argentina contribuiu para déficit comercial

No último mês, a balança ficou negativa em US$ 939 milhões, pior resultado para o mês desde 1998, quando houve déficit de US$ 1,2 bilhão

Brasília - A queda nas vendas de manufaturados para a Argentina, que influencia a balança comercial desde o início do ano, está entre as principais razões para o déficit de setembro.

No último mês, a balança ficou negativa em US$ 939 milhões, pior resultado para o mês desde 1998, quando houve déficit de US$ 1,2 bilhão.

No acumulado do ano, o saldo está negativo em US$ 690 milhões.

O resultado de setembro também foi impactado pelas reduções de preços e quantidade embarcada de commodities (produtos básicos com cotação internacional).

Na avaliação de Roberto Dantas, diretor do Departamento de Estatística e Apoio à Exportação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a Argentina é responsável por 77% da queda nas exportações de produtos industrializados em 2014, principalmente no setor automotivo.

O país costumava ser o principal destino para os produtos manufaturados brasileiros. Mas, nos últimos meses, o posto passou a ser ocupado pelos Estados Unidos.

Em setembro, o Brasil vendeu US$ 10,9 bilhões em produtos industrializados para os EUA e US$ 9,8 bilhões para a Argentina.

As vendas externas gerais para os argentinos diminuíram 39,7% em setembro na comparação com o mesmo mês do ano passado. De janeiro a setembro, elas recuaram 25,7% ante igual período de 2013.

Com relação às commodities, caiu a média exportada de minério de ferro (23,8%), soja em grão (30,5%), petróleo bruto (18,5%), farelo de soja (23,1%), milho em grão (38,9%) e carne bovina (16,1%).

No caso do minério de ferro, Dantas destacou que há uma redução de preços, que atinge 17,1% no acumulado do ano.

O milho em grão também registra diminuição no preço, que chega a 24,5% no ano. Além disso, a quantidade vendida caiu em razão da maior oferta nos EUA.

Sobre o aumento na compra de petróleo e derivados pelo Brasil em setembro, Roberto Dantas disse que é difícil apontar um motivo.

“O movimento mensal oscila”, disse. O diretor voltou a destacar a redução no déficit da conta-petróleo, negativa em US$ 12,8 bilhões este ano contra US$ 16,5 bilhões no ano passado.

“É factível, continuar aumento de exportação [de petróleo]. Esse mês [a importação] foi muito forte. Mas, nos próximos meses, vai ter um certo arrefecimento, até porque no final do ano tem férias, uma demanda menor [por combustíveis]”, disse.

Dantas explicou ainda que as férias podem contribuir para reduzir igualmente as importações de outros itens, aliada à redução do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas de um país), que sinaliza queda da atividade econômica.

O diretor destacou o fato de o déficit acumulado, de janeiro a setembro, ser inferior ao saldo negativo de US$ 1,7 bilhão registrado para o mesmo período de 2013.

Para o fechamento de 2014, o ministério continua esperando superávit, mas não divulga números.

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