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Para Fraga, Brasil está perdendo uma década em apenas 3 anos

“Eu definitivamente não vejo o fundo do poço. Não estamos patinando, estamos afundando”, disse o gestor e ex-presidente do Banco Central

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	Armínio Fraga: "eu definitivamente não vejo o fundo do poço"
 (Wikimedia Commons)

Armínio Fraga: "eu definitivamente não vejo o fundo do poço" (Wikimedia Commons)

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David Biller, Raymond Colitt e Julia Leite

Publicado em 22 de fevereiro de 2016 às, 13h51.

Não há recuperação à vista para a economia brasileira, com a incerteza política pesando sobre a confiança do investidor e sem sinal de avanço das reformas estruturais, segundo o gestor e ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga.

Mesmo que sobreviva às tentativas de tirá-la do cargo, a presidente Dilma Rousseff não terá força suficiente para conseguir a aprovação das medidas necessárias para colocar a economia de volta nos trilhos, disse Fraga em entrevista.

O produto interno bruto per capita cairá em três anos tanto quanto na chamada década perdida dos anos 1980, disse ele na sede da Gávea Investimentos, a gestora que ele fundou em 2003, no Rio de Janeiro.

“Eu definitivamente não vejo o fundo do poço. Não estamos patinando, estamos afundando”, disse Fraga, 58, sobre a economia nacional. “Se ela sobreviver, continuará sem autoridade para fazer as coisas. Isso conspira para que não aconteça muita coisa boa”.

Fraga diz que só está sendo realista em relação à economia, que segundo o Fundo Monetário Internacional se contrairá pelo segundo ano seguido em 2016 e terá crescimento zero em 2017.

Os comentários dele ecoam os de outros grandes gestores como Luis Stuhlberger, do Fundo Verde, que disse neste mês que os preços dos ativos poderão cair ainda mais se o governo não conseguir conter o aumento da dívida. Esse fracasso levou a Standard & Poor’s, neste mês, a rebaixar o país ainda mais dentro do território junk.

A piora das contas fiscais do Brasil contribuiu para uma queda de 29 por cento do real nos últimos 12 meses -- o que, segundo o governo, tornará as exportações mais competitivas.

Fraga disse que esses benefícios têm sido em grande parte compensados por um declínio nos termos de troca. O Ministério da Fazenda não respondeu a um pedido de comentário enviado por e- mail.

Eleição de 2018

A eleição presidencial de 2018 surge como um possível divisor de águas porque os brasileiros poderão escolher um líder capaz de reanimar o crescimento e adotar a disciplina fiscal, segundo Fraga, que foi o principal assessor econômico do segundo colocado na eleição de 2014, o senador Aécio Neves.

“Pode acontecer, mas não há garantia. Este é um terreno fértil para o populismo”, disse ele. “As pessoas ainda acreditam que o Estado é uma grande família e que elas devem ser cuidadas. Eu certamente acho que o Estado precisa oferecer muito, e o Brasil, como uma sociedade desigual, tem que ter isso. Até um certo ponto.”

O governo tem enfrentado dificuldades para conter as despesas e na sexta-feira informou que congelaria R$ 23,4 bilhões (US$ 5,8 bilhões) em gastos discricionários para ajudar a reduzir o déficit do orçamento.

Mas ao mesmo tempo em que defende reduzir os custos, o governo pediu aos bancos estatais a liberação de até R$ 83 bilhões em crédito para estimular o crescimento em um momento em que propõe o relaxamento das metas fiscais. A decisão levanta questionamentos sobre o compromisso do governo com a austeridade, disse Fraga.

“Isso só está confirmando as expectativas das pessoas, pelo lado negativo”, disse ele.

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