Pai da Economia Criativa: 'trabalhamos de casa tanto quanto do escritório'

Para o inglês John Howkins, a principal revolução do mercado de trabalho é que as pessoas entenderam que trabalhar em casa é tão produtivo quanto do escritório
John Howkins: inglês estuda a economia há décadas. (Getty Images/Pavlo_Bagmut/ Ukrinform/Future)
John Howkins: inglês estuda a economia há décadas. (Getty Images/Pavlo_Bagmut/ Ukrinform/Future)
Por Gilson Garrett JrPublicado em 27/05/2022 08:00 | Última atualização em 26/05/2022 14:15Tempo de Leitura: 3 min de leitura

É consenso de que a pandemia de covid-19 alterou consideravelmente as relações de trabalho. Para o inglês John Howkins, considerado o pai da Economia Criativa (o termo surgiu a partir de um dos seus livros), a principal revolução é que as pessoas entenderam que trabalhar em casa é tão produtivo quanto do escritório.

“Se a sua empresa depende de trabalho cognitivo, que pode ser realizado no escritório, em casa, no restaurante ou no café, então trabalhar de casa foi extremamente fácil e as pessoas entenderam. As plataformas de comunicação responderam muito bem a isso e acho que muitas pessoas ficaram surpresas pelo fato de que não precisamos ir ao escritório tanto quanto pensávamos”, disse ele durante entrevista ao canal UM BRASIL, uma iniciativa da FecomercioSP, a qual EXAME teve acesso, com exclusividade.

Na entrevista, o pesquisador britânico diz que acreditava que esse conflito entre trabalhar em casa e no escritório viria somente anos mais tarde, mas o confinamento, em decorrência da crise em saúde pública mundial, fez com que os setores da economia em que era possível o teletrabalho entendessem os benefícios das atividades remotas.

“O que eu acho que tem acontecido é que nossos colegas precisam sentir que estamos trabalhando tanto quanto estaria se estivéssemos no escritório. Para isso, precisamos ter esse momento em que falamos com eles, com o chefe, com o sócio ou líder da equipe, para deixá-los cientes do que está acontecendo”, opina.

Nas décadas de 1980 e 1990, Howkins já preconizava alguns conceitos sobre o que ele chama de Economia Criativa e que agora se tornaram realidade. “O que tentávamos fazer era levantar dados e alertar os governos sobre o que estava acontecendo. Se juntarmos tudo isso, a mídia, cultura e design, o que temos é um setor muito importante, que é o que chamamos de Economia Criativa”, afirma.

Na opinião do pesquisador, todas as pessoas nascem com a capacidade criativa, mas a escola, de muitas maneiras, tem um papel de deixar adormecido este lado imagético do ser humano. Sendo assim, qualquer pessoa pode trabalhar dentro da Economia Criativa, não sendo necessário desenvolver uma habilidade específica, uma vez que ela é nata.

“Na escola as crianças aprendem a socializar, se comportar, entrar em filas, ficar em silêncio e não pintar as paredes. Não estou dizendo que a escola é ruim, é uma coisa boa, mas o efeito colateral é que o instinto da criatividade, o senso de exploração, é contido. Algumas pessoas nunca recuperam”, diz.

Outro conceito abordado por ele há décadas e que agora as pessoas se questionam é a diferença entre emprego e trabalho. “Emprego eu quero dizer um serviço em que há um acordo, um contrato assinado, com outra pessoa”, diz. Já trabalho, na definição de Howkins, ultrapassa e independe de uma carteira assinada.

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