Inflação e ruído político põem retomada em risco, diz Berenguer

O executivo recentemente se reuniu com os presidentes da Câmara e do Senado e afirmou que eles parecem compartilhar a mesma agenda e cronograma para reformas

Disputas políticas e a escalada da inflação no Brasil estão colocando em risco a recuperação econômica, disse José Berenguer, responsável pelo banco corporativo e de investimento da XP Inc., a maior corretora do país. “A situação é delicada”, disse o executivo em uma entrevista virtual com jornalistas da Bloomberg. “O fato de que a pandemia parece estar se acelerando, a falta de vacinação, o barulho político”, tudo está pesando na economia e nos mercados, disse ele.

O Brasil está entrando na pior fase da pandemia da Covid-19 até agora, e a Câmara dos Deputados ainda não votou o programa de estímulo emergencial. Para piorar o quadro: o real desvalorizou cerca de 8,5% este ano, liderando as perdas entre as principais moedas, e a inflação anual acelerou para 4,57% em meados de fevereiro, ultrapassando a meta de 3,75% deste ano.

 

Se continuarmos a ver uma desvalorização do real, dada a inflação que temos hoje, podemos nos ver em uma situação na qual o Banco Central terá que aumentar os juros de forma mais agressiva do que o que está previsto na curva de juros. Isso terá um efeito negativo na recuperação econômica e na confiança.

José Berenguer, responsável pela XP Inc.

A intervenção do Banco Central não conseguiu levantar a economia ou a moeda. As taxas de juros futuros de longo prazo dispararam quase 130 pontos-base em meio ao cenário fiscal em deterioração. O real caiu mesmo com a autoridade monetária vendendo mais de US$ 8,2 bilhões em moeda à vista e swaps este ano.

O número de vítimas da pandemia está crescendo. Houve 1.699 mortes nas últimas 24 horas, após dois dias consecutivos de fatalidades recordes, informou o Ministério da Saúde na quinta-feira. Os casos confirmados de Covid-19 aumentaram em 75.102.

Para acalmar os mercados e aumentar a confiança, os líderes políticos brasileiros precisariam se unir e aprovar um projeto de recuperação econômica de emergência com responsabilidade fiscal, disse Berenguer.

Ele está otimista que esse será o resultado. Berenguer recentemente se reuniu com os presidentes da Câmara e do Senado e eles parecem compartilhar a mesma agenda e cronograma para reformas, disse ele. O Senado aprovou o projeto em dois turnos e agora ele segue para a Câmara dos Deputados.

O sucesso de Berenguer na XP depende, em parte, do resultado desses esforços. O executivo de 54 anos causou surpresa ao deixar o cargo de presidente do JPMorgan Chase & Co. no Brasil para assumir o banco nascente na XP.

O movimento inesperado oferece a ele a oportunidade de construir a operação de banco de investimento e corporativo da XP, além de cuidar da área de empréstimos, câmbio, pagamentos e assumir neste ano o banco para pequenas empresas.

“Foi muito difícil deixar o JPMorgan, chorei na frente da minha equipe quando saí”, disse ele. “Mas agora com a XP estou me divertindo muito, trabalhando 15 horas por dia, tentando me reinventar. Sinto que tenho 30 anos de novo.”

O movimento de Berenguer vem na esteira do sucesso da XP. Criada pelo bilionário Guilherme Benchimol em 2001, a XP se tornou uma versão local da grande corretora dos Estados Unidos, a Charles Schwab Corp. Os clientes migraram para a empresa.

A XP encerrou o ano passado com um total de R$ 660 bilhões em ativos sob custódia, um aumento de 61% em relação ao ano anterior. O lucro líquido mais que dobrou no ano passado, para R$ 2,3 bilhões. A carteira de crédito do banco saltou de R$ 64 milhões para R$ 3,9 bilhões no período de nove meses do ano passado. A XP ficou em terceiro lugar no ranking de liderança de transações de venda de ações no Brasil no ano passado, seis posições acima de 2019, mostram dados compilados pela Bloomberg.

As novas regras do Banco Central que promovem a concorrência, como o “open banking” inclusive para empresas, são uma “grande oportunidade” para a XP e ajudarão o banco a ganhar participação de mercado de concorrentes maiores, disse ele.

“Em três a cinco anos, queremos ser um dos três principais bancos para nossos clientes”, disse Berenguer.

 

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