Brasil voltará a ter ferrovias privadas após 100 anos, diz ministro

Com o modelo, o Brasil voltará a ter ferrovias privadas depois de mais de 100 anos, resgatando um formato que, no passado, foi responsável pelo primeiro boom ferroviário do país
Ferrovias: nove obras já foram autorizadas pelo governo, com previsão de R$ 50 bilhões em investimentos (Ricardo Botelho/Minfra/Agência Brasil)
Ferrovias: nove obras já foram autorizadas pelo governo, com previsão de R$ 50 bilhões em investimentos (Ricardo Botelho/Minfra/Agência Brasil)
Por Estadão ConteúdoPublicado em 20/12/2021 14:12 | Última atualização em 20/12/2021 15:13Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Os pedidos de autorização para construção de ferrovias privadas no Brasil chegaram a 49 projetos que devem envolver 165,8 bilhões de reais em investimentos. O número foi atualizado nesta segunda-feira, 20, pelo Ministério da Infraestrutura. Segundo o ministro da pasta, Tarcísio de Freitas, os projetos representam 12.900 quilômetros de novos trilhos.

Dessas 49 solicitações, nove ferrovias já foram autorizadas pelo governo, com previsão de mais de 50 bilhões de reais em investimentos.

Os pedidos chegam ao ministério com base na medida provisória editada em agosto que trouxe as regras de um novo Marco Legal de Ferrovias. O texto libera um novo regime ferroviário no país, chamado de autorização. Nele, novos traçados são construídos exclusivamente pelo interesse da iniciativa privada, sem licitação.

"Nada mau para o país que em 150 anos fez 28.000 quilômetros de ferrovias e metade praticamente operando", afirmou Tarcísio.

Com o modelo, o Brasil voltará a ter ferrovias privadas depois de mais de 100 anos, resgatando um formato que, no passado, foi responsável pelo primeiro boom ferroviário do país. Entre o século 19 e início do 20, as ferrovias foram construídas no Brasil pelo interesse do setor privado.

Com os novos traçados privados e as concessões planejadas e em andamento, o governo espera que o modal ferroviário represente mais de 40% da matriz de transporte de cargas em 2035. Com isso, a expectativa é que o custo de logística caia na ordem de 35%, disse Tarcísio.

Aeroportos

A sétima e última rodada de concessões aeroportuárias, programada para 2022, deve ter "forte competição", afirmou Tarcísio.

Segundo o ministro, os principais operadores aeroportuários, sobretudo europeus, estão estudando o projeto, que envolve a transferência de 16 aeroportos para a iniciativa privada.

"Teremos os principais operadores aeroportuários, sobretudo europeus, já estudando, contratando profissionais brasileiros para ajudar nas modelagens, elaboração das propostas. Fundos de investimento importantes, gente que não está ainda posicionada, que até confidenciaram que o que dava mais medo é a competição. Devemos ter forte competição, tenho certeza de que será um grande sucesso", disse Tarcísio em evento de balanço das ações da pasta em 2021.

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