Economia

Ataques cibernéticos geram perdas de US$ 12 bi ao setor financeiro em duas décadas, diz FMI

Número de incidentes mais que dobrou desde a pandemia e representa uma ameaça crescente à estabilidade financeira mundial

Ataques de Hacker: crime pode desestabilizar economias, alerta FMI (Bill Oxford/Getty Images)

Ataques de Hacker: crime pode desestabilizar economias, alerta FMI (Bill Oxford/Getty Images)

Estadão Conteúdo
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Agência de notícias

Publicado em 9 de abril de 2024 às 16h41.

Bancos, seguradoras e gestoras de ativos sofreram mais de 20 mil ataques cibernéticos nas últimas décadas e que geraram perdas de US$ 12 bilhões ao setor financeiro global, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), em relatório publicado nesta terça-feira. O número de incidentes mais que dobrou desde a pandemia e representa uma ameaça crescente à estabilidade financeira mundial, alerta a organização, com sede em Washington DC, nos Estados Unidos.

"Os ataques a empresas financeiras são quase um quinto do total, dos quais os bancos são os mais expostos", afirmam Fabio Natalucci, Mahvash Qureshi e Felix Suntheim, autores do estudo parte do Relatório de Estabilidade Financeira Global (GFSR, na sigla em inglês) do organismo, que será publicado na próxima semana, em paralelo às suas reuniões de Primavera.

Segundo eles, a dimensão de perdas extremas mais que quadruplicou desde 2017, para US$ 2,5 bilhões. E perdas indiretas, como danos à reputação ou atualizações de segurança, são "substancialmente maiores".

Natalucci, Qureshi e Suntheim consideram os incidentes cibernéticos uma "ameaça grave" à estabilidade uma vez que o setor financeiro é exposto a dados sensíveis, elevados níveis de concentração e uma forte interligação, incluindo conexões com a economia real. Alertam ainda para um "risco elevado" e que pode ameaçar a resiliência operacional das instituições financeiras, causando impactos negativos para a estabilidade macrofinanceira global.

Conforme o estudo do FMI, instituições financeiras baseadas em economias avançadas estão mais expostas do que aquelas situadas em países emergentes e em desenvolvimento. Apesar disso, o número de eventos têm crescido de um lado ao outro do planeta.

O JPMorgan Chase, maior banco do mundo em ativos, informou recentemente que enfrenta 45 bilhões de eventos cibernéticos por dia, enquanto gasta US$ 15 bilhões com tecnologia por ano. Em outro incidente, o Commercial Bank of China sofreu um ataque, em novembro do ano passado, que prejudicou temporariamente as negociações no mercado do Treasuries, que são os títulos do Tesouro dos EUA.

"Embora os incidentes cibernéticos não tenham até agora sido sistêmicos, eventos nas principais instituições financeiras podem representar uma ameaça grave à estabilidade macrofinanceira através da perda de confiança, da perturbação de serviços críticos e devido à interligação tecnológica e financeira", atentam os autores do estudo do FMI.

O Fundo reconhece maiores esforços globais para mitigar os riscos cibernéticos no universo financeiro tanto em países desenvolvidos como nos emergentes, mas alerta para a necessidade de melhorias. Dentre as formas de proteção, o estudo do FMI cita o uso de seguros, cuja adoção cresceu, mas as coberturas ainda continuam baixas, sendo 60% abaixo de US$ 1 milhão.

"Dada a natureza global e as implicações sistêmicas dos ataques cibernéticos, a coordenação transfronteiriça é crucial para mitigar os riscos cibernéticos", conclui o Fundo.

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