Ata mostra Banco Central de olho na inflação, diz Barclays

Para o co-chefe de economia e estratégia para América Latina do banco, ata mostra que o Banco Central não vai tolerar a aceleração da inflação

São Paulo - A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada hoje foi consistente com a última decisão de alta de juros, segundo Marcelo Salomon, co-chefe de economia e estratégia para América Latina do Barclays. Para Salomon, a ata mostra que o Banco Central está de olho na inflação e não vai esmorecer no curto prazo porque está consciente dos efeitos da inflação e vê risco de a confiança bater na atividade. “(a ata) Mostra um BC que está recuperando credibilidade, mostrando que não vai tolerar a inflação acelerando”, afirmou.

“A ata foi consistente com um BC que subiu 0,50 ponto percentual na última reunião e está sinalizando que o ciclo continua no mesmo ritmo - e está preocupado com inflação e efeitos secundários da depreciação do câmbio”, afirmou Salomon. O Barclays projeta mais uma elevação de 0,50 ponto percentual (na reunião de agosto) e de 0,25 em outubro, encerrando o ano em 9,25%.

É a mesma projeção do Goldman Sachs, para quem a concretização dessa projeção vai depender da evolução do balanço de riscos para crescimento e inflação - e o câmbio pode ter um papel chave na calibragem da política monetária. “Uma moeda substancialmente mais fraca poderia forçar o Banco Central a estender o ciclo de alta para limitar o repasse para os preços domésticos e segurar as expectativas de inflação”, afirma o banco em relatório assinado pelo economista Alberto Ramos.

Apesar de o Copom ter repetido, na semana passada, o comunicado emitido na reunião de maio e a intensidade de elevação de juros, a ata do Copom, divulgada hoje, apresenta algumas novidades em relação a que foi emitida após aquela reunião – entre elas, a menção a confiança de empresas e famílias e a depreciação cambial.

Ao falar sobre o cenário central, o Comitê pondera que a velocidade de materialização dos ganhos esperados pode ser contida caso “não ocorra a reversão tempestiva no declínio que ora se registra na confiança de firmas e famílias”. Esse ponto sobre confiança é uma novidade que o Copom traz para a ata e que está monitorando, segundo Salomon.

Sobre o câmbio, diz a ata que a depreciação cambial constitui fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos. O comitê pondera que “os efeitos secundários decorrentes, e que tenderiam a se materializar em prazos mais longos, podem e devem ser limitados pela adequada condução da política monetária”. Para Salomon, isso indica que, quanto maior o efeito secundário na inflação, maior será o ciclo de aperto monetário do BC. Ontem, o dólar à vista fechou em baixa de 1,20% no balcão brasileiro, cotado a R$ 2,2310.


O documento também eliminou dois parágrafos que manteve por muito tempo, referentes ao modo como as mudanças estruturais na economia brasileira nos últimos anos e o aumento na disponibilidade de reservas internacionais contribuíram para a queda na taxa de juros, em geral e, em particular, na taxa neutra. Segundo relatório do Goldman Sachs, isso sugere que o Copom pode estar vendo o recente aumento das taxas centrais globais e talvez um acesso mais seletivo ao financiamento externo como elementos levando a um nível mais elevado da taxa neutra doméstica.

Em relação a ata anterior, também foi eliminado o parágrafo que afirmava “O Copom avalia que, no curto prazo, a inflação em doze meses ainda apresenta tendência de elevação e que o balanço de riscos para o cenário prospectivo se apresenta desfavorável”.

Para Salomon, ontem a presidente respondeu qual é o nível de tolerância com a inflação: entre 6,50% e 4,50%. “No passado, o governo não estava disposto a sacrificar o crescimento para trazer a inflação ao centro da meta, agora, eles tentam garantir que a inflação fique dentro do teto da meta”. O Barclays projeta que, em 2013, a inflação será de 5,9% no final do ano – e que o crescimento fique em 2,3%.

Selic

Na semana passada, o Copom elevou a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, para 8,50% ao ano. A alta era esperada pelo mercado e manteve o ritmo da elevação realizada na reunião anterior. A decisão foi unânime e sem viés.

Em comunicado emitido após a reunião, na quarta-feira, o Copom afirmou que "avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano" - o mesmo comunicado emitido após a reunião de maio, que subiu os juros também em 0,50 p.p..

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