Economia

Após enchentes, Rio Grande do Sul perde 25% da arrecadação no ICMS

Crise climática também provocou estragos em várias atividades econômicas do estado, especialmente na agropecuária e indústria

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter da Home

Publicado em 17 de junho de 2024 às 19h29.

Última atualização em 17 de junho de 2024 às 19h44.

Tudo sobreEnchentes no RS
Saiba mais

A arrecadação de ICMS no Rio Grande do Sul caiu 25,3% em relação à previsão anterior às enchentes de proporções históricas que assolaram o estado. Essa variação foi divulgada em um boletim da Receita Estadual na sexta-feira, 14.

De acordo com o órgão, a previsão de arrecadação do imposto antes das enchentes era de R$ 6,64 bilhões para o período de 1º de maio a 12 de junho. No entanto, o valor arrecadado foi de R$ 4,96 bilhões. Em termos absolutos, o Rio Grande do Sul deixou de arrecadar R$ 1,68 bilhão em ICMS.

Esse cálculo se baseia em dados de notas fiscais eletrônicas (NF-e), diz o boletim. A devastação causada pelas chuvas e enchentes no estado ocorreu entre os meses de abril e maio.

Em maio, a Receita Estadual esperava arrecadar R$ 3,97 bilhões em ICMS, mas o valor registrado foi cerca de 17,3% menor, totalizando R$ 3,28 bilhões.

Para o período de 1º a 12 de junho, a projeção era de R$ 2,67 bilhões em ICMS. No entanto, a arrecadação efetiva foi de R$ 1,68 bilhão, 37% abaixo do estimado.

Impacto no preço dos alimentos

O boletim também destacou que a crise climática no estado também resultou em graves efeitos no preço dos alimentos, encarecendo vários itens básicos na mesa dos consumidores.

Os dados mostram uma variação dos preços médios dos alimentos antes e depois das enchentes no Rio Grande do Sul. Em uma lista com 38 produtos, batata-inglesa teve o maior aumento, de 55,8%.

O preço médio do quilo de diversos produtos também registrou aumento expressivo. Entre 21 e 27 de abril, antes das chuvas, o quilo custava em média R$ 5,94, mas entre 5 e 11 de junho, o valor saltou para R$ 9,25. Os alimentos que tiveram os maiores aumentos foram o tomate (47,8%), repolho (25,1%), leite (21,7%), vinho (17,4%), sal (16,5%), queijo (13,8%) e arroz branco (13,2%).

As enchentes devastaram plantações de diversos produtos no estado e causaram danos em rodovias, o que prejudicou a logística de distribuição dos alimentos em várias regiões.

A Receita Estadual ressalta também que as variações de preços podem ser influenciadas não apenas pelos impactos das enchentes, mas também por outros fatores econômicos e sazonais.

Setores mais prejudicados pela crise

Além da produção e distribuição de alimentos, as enchetes afetaram a atividade econômica do Rio Grande do Sul, com prejuízos registrados em vários setores. As vendas da indústria gaúcha tiveram redução de 5,2% no volume entre 15 de maio e 11 de junho, comparado ao mesmo período em 2023.

Os setores mais afetados foram os de insumos agropecuários (-22%), metalmecânico (-10,9%) e agroindústria (-7,9%). Em contraste, os setores que registraram os maiores aumentos foram papel (31,3%), móveis (20,7%) e bebidas (14,1%).

Por região do estado, considerando o mesmo período, os maiores prejuízos são verificados na Fronteira Noroeste (-59,4%), Alto do Jacuí (-33,3%), Sul (-26,3%), Vale do Caí (-16,0%) e Vale do Rio dos Sinos (-10,3%). Os maiores crescimentos, por sua vez, ocorreram no Vale do Jaguari (42,9%), Fronteira Oeste (33,3%), Litoral (21,4%), Alto da Serra do Botucaraí (19,2%) e Jacuí Centro (14,4%).
Acompanhe tudo sobre:Rio Grande do SulEnchentes no RSAgropecuáriaIndústriaAlimentosICMS

Mais de Economia

Argentina volta a ter alta de inflação em junho; acumulado de 12 meses chega a 271,5%

Com alíquota de 26,5%, Brasil deve ter um dos maiores IVAs do mundo; veja ranking

Haddad declara ser favorável à autonomia financeira do Banco Central

Dívida dos estados: projeto apresentado por Pacheco precisa passar por revisão, diz Haddad

Mais na Exame