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A vantagem e a desvantagem de privatizar em ano eleitoral

"O risco de reversão desses projetos, como Dilma já fez, vai colocar um pé atrás em quem entrar", diz Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados

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Aeroporto de Congonhas: "joia da coroa" dos ativos estatais (Infraero/Divulgação)

Aeroporto de Congonhas: "joia da coroa" dos ativos estatais (Infraero/Divulgação)

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João Pedro Caleiro

Publicado em 24 de agosto de 2017 às, 10h52.

Última atualização em 24 de agosto de 2017 às, 11h08.

São Paulo - O governo anunciou ontem a inclusão de 57 projetos para privatização no âmbito do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).

A previsão é de investimentos de 44 bilhões de reais ao longo do prazo dos contratos e de R$ 6,4 bilhões no caixa da União já no ano que vem em valores de outorga só com os projetos de transporte.

Seria uma ajuda importante para fechar a meta de déficit para 2018, que foi revisada recentemente de R$ 129 bilhões para R$ 159 bilhões.

O pacote de 14 aeroportos tem como destaque Congonhas, em São Paulo, o segundo mais movimentado do país. Ele será leiloado separadamente enquanto os outros serão agrupados em blocos.

"Congonhas e Santos Dumont são as jóias da coroa dos ativos estatais atuais. Já li que a ponte aérea Rio-SP é o trecho mais rentável do mundo", diz Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores, em e-mail para EXAME.com.

De acordo com a Reuters, já foram iniciadas conversas com os dois grupos que já tem parcelas dos aeroportos de Galeão (RJ) e Brasília (DF) e estariam interessados em comprar a parte de 49% da Infraero, que também deve ser vendida.

A questão é que a maior parte dos leilões está prevista para o período de plena campanha presidencial: a dos aeroportos está prevista para o terceiro trimestre enquanto a da Casa da Moeda seria no último.

"Certamente ano eleitoral é complicado porque há muita incerteza sobre os candidatos. São poucos com pendor reformista. O risco de reversão desses projetos, como Dilma já fez, vai colocar um pé atrás em quem entrar", diz Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, em e-mail para EXAME.com.

Dilma disse no Twitter que “Vender a Eletrobras é abrir mão da segurança energética. Como ocorreu em 2001, no governo FHC, significa deixar o país sujeito a apagões” e completou que “o consumidor vai pagar uma conta de luz estratosférica por uma energia que não terá fornecimento garantido”.

A presidente liderou uma reformulação nas regras do setor elétrico com fortalecimento do papel da Eletrobras, mas que gerou perdas bilionárias para a empresa e aumento da conta de luz nos últimos anos.

As pesquisas para a eleição presidencial são lideradas pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), com 32% das intenções de voto, seguido do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), com 25%.

Os dois já criticaram duramente privatizações do passado e se posicionam contra as propostas de reformas apresentadas pelo governo Michel Temer.

Ambos também tem enormes níveis de rejeição, o que deixa o cenário turvo para um possível segundo turno.

O mercado não parece preocupado, a julgar pela alta da Bolsa e queda do dólar diante dos anúncios desta semana.

"Acho que interesse terá, há muito apetite dos chineses por ativos de energia elétrica (vide a compra recente da CPFL). E os chineses têm um horizonte mais longo do que fundos de private equity, dando menos peso para essas volatilidades associadas a, por exemplo, eleições", diz Bráulio.

A dúvida é sobre o tamanho do ágio e se o governo conseguirá superar as barreiras burocráticas de forma a dar segurança jurídica aos investidores.

A instabilidade política e a mudança constante de regras são fatores historicamente citados pelos investidores como barreiras para investir no país. Mas Bráulio aponta outro fator:

"Se o câmbio subir por conta das eleições (na linha do que aconteceu em 2002), isso pode até aumentar o apetite, já que, em US$, o preço desses ativos ficará ainda mais baixo (e com um lado positivo, caso a relação R$/US$ valorize depois das eleições)".

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