4 pontos sobre a confusão econômica na Argentina

País está perto de um calote técnico, explicam consultorias

São Paulo – A greve geral que ocorreu há uma semana em Buenos Aires é uma das demonstrações de insatisfação dos argentinos sobre o governo atual do país. Investidores internacionais também começam a se preocupar com a situação econômica da Argentina.

Os sindicatos que pararam Buenos Aires por 24 horas pediam reajustes salariais acima da inflação. Já os investidores internacionais se preocupam com a chance de o país não honrar dívidas.

Um relatório do Fórum Econômico Mundial divulgado neste mês colocou a Argentina na posição 55º de um ranking sobre sistemas financeiros em 62 países. Traduzindo em miúdos, o sistema argentino é o oitavo pior do mundo, detectou o relatório.

O ranking é um reflexo da frágil situação econômica no país. Conheça quatro questões que colocam a economia da Argentina em dúvida no cenário atual:

Nacionalizações

As incertezas internacionais em relação ao país começaram no início do ano. Em abril, o congresso argentino aprovou desapropriação da YPF das mãos do grupo espanhol Repsol.

A lei tirou 51% das ações da Repsol YPF, as ações do grupo espanhol na YPF Gas, declarando a ação do interesse público nacional.

A ação gerou preocupação de que algo parecido pudesse acontecer com outras empresas estrangeiras no país.

Dados econômicos duvidosos

Os dados do Instituto Nacional de Estadísticas y Censos (Indec, equivalente ao IBGE na Argentina) não são confiáveis. Especialmente quando se trata de inflação, os argentinos sentem no bolso um peso muito maior do que o governo diz que sente.


Por conta disso, existe uma série de consultorias e modelos no país que buscam medir a inflação como alternativa a oficial. Uma dessas ferramentas é o site PriceStats, usado pela The Economist para substituir os dados oficiais do Idec na área de indicadores da revista. 

Segundo o PriceStats, a inflação oficial na Argentina em 2012 está em 25%, enquanto os dados oficiais apontam alta de 13% dos preços.

No país, algumas consultorias que medem e jornalistas que divulgam índices alternativos da inflação podem ser processados pelo governo por meio de um conjunto de leis da “Lealdade Comercial”.

Câmbio regulado

O Banco Central da Argentina controla há um tempo a compra de moedas estrangeiras por seus residentes. Em julho deste ano, o país colocou regras para proibir formalmente a compra de dólares como poupança, algo praticado pelos moradores do país que buscam se proteger contra a inflação.

Recentemente, esse controle prejudicou a província de Chaco, que não conseguiu fazer o câmbio necessário para pagar uma divida em dólares emitida no país, quebrando assim uma regra contratual de emissão de dívidas.

Dívida arriscada

O caso da província de Chaco foi citado pela Moody's em um relatório de 25 de outubro, no qual reduziu a nota máxima para as dívidas argentinas. O problema do câmbio é só um dos pontos que torna as dívidas do país duvidosas.

No documento, a Moody's reconheceu que o banco central argentino permite a compra de moedas estrangeiras para pagamentos de dívidas no exterior, mas lembrou que o aumento das restrições para transações internas tornam o pagamento de outros tipos de dívidas cada vez mais incerto.

Se as agências já vinham apontando chance de calotes em algumas dívidas, neste mês, esse risco aumentou, como apontou a consultoria de riscos políticos Eurasia Group em relatório.

Um tribunal dos Estados Unidos ordenou que a Argentina pague para detentores de bônus do país um total de 1,3 bilhão de dólares até 15 de dezembro. A aposta da consultoria e de outros bancos é de que o país deve apelar da decisão, podendo levar o assunto para a Suprema Corte dos Estados Unidos, para postergar o pagamento. “Um calote técnico é muito provável, a não ser que a decisão mude antes de 15 de dezembro”, escreveram os analistas da Eurasia em relatório.

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