Ciência

Novo estudo indica que ar-condicionado pode espalhar coronavírus

O estudo foi feito por pesquisadores da China, mas ainda carece de revisão da comunidade científica. Divulgação preliminar é em caráter informativo

Coronavírus: ar-condicionado pode ter sido responsável pela contaminação de 9 pessoas (Getty Images/Getty Images)

Coronavírus: ar-condicionado pode ter sido responsável pela contaminação de 9 pessoas (Getty Images/Getty Images)

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Maria Eduarda Cury

Publicado em 26 de abril de 2020 às 05h55.

Última atualização em 26 de abril de 2020 às 05h55.

Na cidade de Guangzhou, na China, um estudo aponta que um ar-condicionado pode ter sido responsável por transmitir coronavírus para alguns indivíduos que jantavam em um restaurante local. O estudo, feito por pesquisadores do país, aponta que nove pessoas que estavam presentes no restaurante, que não possui janelas, no mesmo dia foram diagnosticadas com covid-19, sendo quatro da mesma família.

Os indivíduos foram contaminados no dia 24 de janeiro e, após apresentarem alguns sintomas, foram ao hospital. O diagnóstico positivo chegou em 5 de fevereiro, e os pesquisadores acreditam que o surto isolado está conectado ao fluxo de ar do restaurante, que foi responsável por espalhar gotículas respiratórias pelo restaurante sem ventilação.

Realizada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças de Guangzhou, a pesquisa será oficialmente lançada em julho e ainda carece de revisões feitas por especialistas da comunidade científica. No entanto, a pesquisa foi divulgada com antecedência devido ao seu caráter informativo no contexto da pandemia do novo coronavírus.

O estudo traz um desenho que segue o possível caminho feito pelo vírus, com a mesa dos indivíduos contaminados identificadas pelas letras A, B e C. Confira, abaixo, a planta do lugar com as referências:

Estudo covid-19

(CDC/Reprodução)

Como representado acima, é possível ver que os infectados estavam no caminho que o fluxo de ar percorreu. O paciente indicado por A1 já estava com sintomas prévios, o que pode ter intensificado a taxa de contaminação. Em nota, os pesquisadores afirmaram que a direção do ar foi a peça chave: “Concluímos que, nesse surto, a transmissão de gotículas foi motivada pela ventilação com ar condicionado. O fator chave para a infecção foi a direção do fluxo de ar", escrevem os pesquisadores.

A própria pesquisa reconhece suas limitações e informa que o espalhamento do vírus pelo ar-condicionado é apenas uma das possibilidades. É preciso coletar mais evidências científicas e levar em conta outros cenários, como a possibilidade de infecção ter sido gradual, infectando um membro de cada família por vez, considerando que os pacientes estavam sentados em mesas vizinhas.

Especialistas já sabem, no entanto, que a circulação de ar em ambientes fechados espalha patógenos no ar, o que pode ter sido um fator agravante da transmissão do vírus. Em uma futura etapa, a conclusão da pesquisa, prevista para sair no mês de julho, deve apontar quais dos cenários foi o mais aceito pela comunidade científica.

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