Portugal aposta em status de porto seguro para retomada

Portugal conseguiu manter uma taxa relativamente baixa de infecções e mortes por coronavírus, mesmo com vários setores da economia funcionando

Portugal espera que seu histórico como porto seguro ajude a atrair investidores estrangeiros e turistas que possam estimular uma recuperação “acentuada” quando as medidas de confinamento para combater o coronavírus forem atenuadas.

O ministro da Economia de Portugal, Pedro Siza Vieira, disse que o país, onde o confinamento tem sido menos rigoroso do que em muitos países europeus, começará a permitir que pequenas lojas e outros serviços reabram nas próximas semanas. Ele disse que suas perspectivas para a economia estão alinhadas com as do Fundo Monetário Internacional, que projeta retração do PIB de 8% neste ano antes de uma recuperação em 2021, com crescimento de 5%.

“Qualquer recuperação, quando temos uma contenção tão drástica, será acentuada”, disse Siza Vieira em entrevista por telefone na sexta-feira. “Esperamos recessão neste ano e recuperação no segundo semestre, com um ritmo acelerado no próximo ano.”

Recuperação em "V"? Recuperação em “V”? A economia de Portugal pode contrair 8% este ano antes de voltar a crescer

Recuperação em “V”? A economia de Portugal pode contrair 8% este ano antes de voltar a crescer (Divulgação/Bloomberg)

Portugal conseguiu manter uma taxa relativamente baixa de infecções e mortes por coronavírus, mesmo quando vários setores da economia continuaram funcionando depois que o governo declarou estado de emergência em 18 de março.

Com 10 milhões de habitantes, Portugal registrava 820 mortes até quinta-feira, em comparação com mais de 22 mil na vizinha Espanha, cuja população é cerca de cinco vezes maior. Portugal estendeu o estado de emergência até 2 de maio.

O fato de o governo ter agido rapidamente ao impor medidas de confinamento no estágio inicial da epidemia ajudou a conter o surto, disse Siza Vieira. A Espanha tinha 133 mortes por coronavírus quando declarou estado de emergência pela primeira vez em 14 de março, enquanto Portugal registrava apenas duas mortes quando anunciou a mesma medida quatro dias depois.

“Agimos antes da maioria dos países”, disse Siza Vieira. “O distúrbio à atividade foi menor do que em outras nações que agiram depois, e ainda conseguimos manter níveis muito baixos de contágio e especialmente níveis muito baixos de mortalidade.”

Portugal é considerado o terceiro país mais seguro do mundo segundo o Índice Global da Paz, e Siza Vieira disse que a imagem da nação como uma sociedade pacífica e aberta continuará atraindo visitantes e investimentos.

Ainda assim, o setor de turismo em Portugal, que ajudou na impressionante retomada do país depois do resgate internacional em 2011, pode levar algum tempo para se recuperar. Cerca de 85% de trabalhadores do setor hoteleiro devem ser temporariamente demitidos em abril, segundo a Associação Portuguesa de Hotéis.

O turismo responde por um em cada cinco empregos em Portugal e por 19,1% do PIB, a terceira maior proporção da União Europeia, de acordo com o Conselho Mundial de Viagens e Turismo.

Siza Vieira disse que o governo está discutindo maneiras de reativar o setor enquanto impõe restrições, como um limite para o número de pessoas em restaurantes e a garantia de que os hotéis sigam as melhores práticas para proteger hóspedes e funcionários.

“Vai ser difícil” em 2020, disse Siza Vieira, em referência ao setor de turismo. Ele disse que o setor provavelmente dependerá mais de turistas locais, enquanto foca em mercados tradicionais como Espanha, França, Reino Unido e norte da Europa para reservas.

Portugal é um dos países da União Europeia mais dependentes do turismo Portugal é um dos países da União Europeia mais dependentes do turismo

Portugal é um dos países da União Europeia mais dependentes do turismo (Divulgação/Bloomberg)

Espera! Tem um presente especial para você.

Uma oferta exclusiva válida apenas nesta Black Friday.

Libere o acesso completo agora mesmo com desconto:

exame digital

R$ 15,90/mês

R$ 6,36/mês

  • Acesse onde e quando quiser.

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.
Assine

exame digital + impressa

R$ 44,90/mês

R$ 40,41/mês

  • Acesse onde e quando quiser

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.

  • Edição impressa quinzenal.

  • Frete grátis
Assine

Já é assinante? Entre aqui.

Apoie a Exame, por favor desabilite seu Adblock.