Ciência

Máscaras e distanciamento reduzem sintomas da covid-19, diz estudo

Como já se suspeitava, parece haver uma relação direta entre a quantidade de partículas virais inaladas e intensidade dos sintomas

Mulher com máscara protetora anda em calçada em Estácio, região central do Rio de Janeiro: (Allan Carvalho/NurPhoto/Getty Images)

Mulher com máscara protetora anda em calçada em Estácio, região central do Rio de Janeiro: (Allan Carvalho/NurPhoto/Getty Images)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 22 de julho de 2020 às 11h07.

Última atualização em 22 de julho de 2020 às 11h08.

A adoção de medidas como distanciamento social, uso de máscaras e lavagem frequente das mãos reduzem não apenas o número de pessoas infectadas pela covid-19, como também a gravidade dos sintomas daqueles que adoecem. Estudo da Universidade de Zurique (Suíça) com mais de 500 soldados acompanhou a disseminação da doença em uma base militar.

Como já se suspeitava, parece haver uma relação direta entre a quantidade de partículas virais às quais a pessoa é exposta e a intensidade dos sintomas que ela desenvolve.

Quanto mais vírus, maior a chance de adoecer gravemente. Isso pode explicar, por exemplo, a tendência de profissionais de saúde que estão lidando diretamente com doentes apresentarem formas mais graves da infecção do que outras categorias de trabalhadores.

O novo estudo, de cientistas da Universidade de Zurique, foi publicado na "Clinical Infectious Diseases", da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas.

Segundo o estudo, a adoção das medidas de prevenção reduz a carga viral no ambiente e altera a rota de transmissão da infecção de uma transmissão direta - de uma pessoa para a outra por meio de gotículas contaminadas - para uma transmissão indireta, que ocorre por meio de superfícies contaminadas.

Os cientistas acompanharam um surto de covid-19 em uma base do Exército da Suíça, em Airolo. Três companhias estavam lotadas na base, num total de 508 soldados.

Os militares das companhias 2 e 3 dividiram as mesmas barracas e tiveram contato próximo em áreas comuns e na cozinha. Já os da companhia 1 ficaram isolados a uma distância de três quilômetros e adotaram medidas de prevenção. As idades dos soldados variavam entre 18 e 28 anos.

Depois que o primeiro caso de covid-19 surgiu na companhia 3, a doença rapidamente se alastrou naquele grupo e no da companhia 2. Dos 354 soldados, 30% apresentaram sintomas da doença. Em contrapartida, dos 154 militares da companhia 1 nenhum apresentou sintomas, embora tenha havido detecção do vírus em material sorológico.

"Essa descoberta sugere que a redução da carga viral pode não apenas levar a uma probabilidade reduzida de infecção, mas também pode causar uma infecção assintomática, além de poder induzir a uma resposta imunológica em uma parte dos infectados", escreverem os autores.

Os cientistas alertaram, no entanto, que o estudo foi feito com jovens saudáveis e, por isso, seus resultados não podem ser extrapolados para grupos mais vulneráveis - como os de pessoas idosas ou daquelas com comorbidades.

Acompanhe tudo sobre:SaúdeCoronavírusPandemia

Mais de Ciência

China realiza primeiro transplante simultâneo de fígado e rins de porco em humano

James Webb revela cometa que pode ter se formado antes do Sistema Solar

Anvisa aprova 1º medicamento não hormonal para ajudar mulheres contra ondas de calor da menopausa

Fungo patogênico transmitido por arranhão de gato é identificado em animais selvagens