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Covid-19: Países menos ricos têm maior adesão à vacina, entenda o porquê

Nova pesquisa relata que países da África, Ásia e América do Sul têm maior confiança na vacina do que países ricos, onde a quantidade de imunizantes é abundante

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A pesquisa analisou 44.260 indivíduos em uma dúzia de países (Tafadzwa Ufumeli/Getty Images)

A pesquisa analisou 44.260 indivíduos em uma dúzia de países (Tafadzwa Ufumeli/Getty Images)

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Laura Pancini

Publicado em 29 de julho de 2021 às, 07h00.

Uma análise publicada no periódico Nature Medicine relata que países de renda baixa e média querem receber a vacina contra o coronavírus mais do que regiões mais ricas, onde a quantidade de imunizantes é abundante.

A pesquisa, que analisou 44.260 indivíduos em uma dúzia de países, relatou que 80% dos indivíduos em dez países de renda baixa e média na Ásia, África e América do Sul estavam dispostos a tomar a vacina contra covid-19.

Em comparação com os dois países de renda alta analisados, a pesquisa mostrou que somente 65% da população dos Estados Unidos e 30% da Rússia querem se vacinar.

Com cerca de 50% da população totalmente imunizada, os EUA vê o número de mortes cair drasticamente, mas ainda se frustra com a falta de interesse do restante da população pela vacina.

O país possui doses o suficiente para vacinar três vezes a população total e esperava estar mais perto de um patamar seguro de imunização coletiva a esta altura. Atualmente, a variante Delta é responsável por 80% dos novos casos na região.

Já na Rússia, mesmo com três imunizantes disponíveis, somente 12% da população está totalmente imunizada e 24% tomou ao menos uma dose.

Por que países de renda mais baixa querem tomar a vacina?

De acordo com o estudo, o motivo principal para as regiões de renda baixa e média querer a vacina é pela proteção pessoal. O maior motivo de hesitação é a preocupação com possíveis efeitos colaterais, que são raros e dependem do imunizante.

Além disso, a população dos países confia em profissionais de saúde como fontes confiáveis sobre a vacina, o que mostra como a comunidade médica e líderes comunitários são essenciais para campanhas de vacinação, de acordo com Marina Joubert, pesquisadora que não estava envolvida no trabalho.

Já os que rejeitam a vacina, também se preocupam com os efeitos colaterais e questionam a eficácia dos imunizantes. A OMS requer 50% de eficácia para aprovar uma vacina contra a covid-19, taxa mínima para eventualmente alcançar a imunidade coletiva.

Para os autores do estudo, os resultados indicam que o acesso equitativo às vacinas vai além de ser moralmente certo. Distribuir vacinas para populações que querem vacinar é uma maneira inteligente de conter a propagação do vírus mundialmente.

“Além das preocupações com a equidade, distribuir vacinas também é a coisa mais eficiente a fazer”, disse Ahmed Mushfiq Mobarak, economista da Universidade de Yale e coautor do estudo. “Você quer dar vacinas para pessoas que estão ansiosas para tomá-las.”

Como a pesquisa foi feita entre junho de 2020 e janeiro de 2021, pesquisadores como a antropóloga Heidi Larson temem que as percepções dos entrevistados podem ter mudado desde então. Na época, a campanha de vacinação mal havia começado pelo mundo.

Mesmo assim, o estudo mostra evidências fortes de que disponibilizar vacinas para países que querem se vacinar é um caminho para impedir a propagação do vírus e a criação de novas variantes.

“Os resultados devem ser usados ​​para criar um apelo moral aos países que estão acumulando vacinas para torná-las disponíveis aos países que delas precisam, não apenas para o benefício desses países, mas também para o benefício global”, disse Joubert.

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