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Agricultura regenerativa: o que é e como pode ajudar no caminho ao net zero

Multinacionais investem em soluções que reduzem as emissões de gase de efeito estufa e preservam a qualidade do solo

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Menos de 2% do financiamento climático é direcionado para soluções agroalimentares, diz o Fórum Econômico Mundial, e isso impede avanços maiores rumo à agricultura regenerativa (Avalon Studio/Getty Images)

Menos de 2% do financiamento climático é direcionado para soluções agroalimentares, diz o Fórum Econômico Mundial, e isso impede avanços maiores rumo à agricultura regenerativa (Avalon Studio/Getty Images)

A agricultura tem uma série de desafios para endereçar. Ao mesmo tempo que precisa encontrar soluções para alimentar toda a população global, existe a necessidade de diminuir o desmatamento e os efeitos de sua prática nas questões climáticas. Segundo o Fórum Econômico Mundial, o setor é o segundo maior emissor mundial de emissões de gases de efeito estufa, depois do segmento de energia. 

As medidas de agricultura regenerativa e inteligente para o clima vêm dando resultados positivos para endereçar esses desafios. São práticas que podem melhorar o rendimento das colheitas, transformar terras agrícolas e pastagens em sumidouros de carbono, reverter a perda de florestas, otimizar o uso de fertilizantes à base de nitrogênio e repensar as cadeias de suprimentos globais e locais para serem mais sustentáveis, reduzindo o desperdício.

O que é agricultura regenerativa

Criado em 1983 por Robert Rodale, o termo agricultura regenerativa coloca a necessidade de reestabelecer os sistemas naturais em áreas agrícolas, priorizando a saúde do solo e a gestão da terra. Na visão da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), a agricultura regenerativa é vista como o caminho para a redução dos impactos ambientais e considerada a técnica do futuro para o agronegócio. A instituição lista cinco princípios básicos da agricultura regenerativa: 

  • Preservar e tornar fértil o solo; 
  • Aumentar a infiltração de água; 
  • Aumentar a preservação da biodiversidade; 
  • Aumentar a capacidade de sequestro e estoque de carbono no solo; 
  • Produzir alimentos que ofereçam segurança alimentar e contemplem requisitos socioeconômicos satisfatórios.

Dados levantados pelo Fórum Econômico Mundial mostram que, por meio de soluções climáticas naturais (NCS na sigla em inglês), os sistemas alimentares podem contribuir com até 37% da mitigação dos efeitos no clima necessários para atingir as metas climáticas de 2030. 

No entanto, menos de 2% do financiamento climático é direcionado para soluções agroalimentares. Na União Europeia, um novo relatório do Fórum sobre estratégias climáticas que priorizam o agricultor constatou que as emissões de gases de efeito estufa poderiam ser reduzidas imediatamente em 6% ao ano se apenas um quinto dos agricultores da região recebesse apoio para fazer a transição para o net zero, aumentando a saúde do solo e os rendimentos em algo entre 2 e 9 bilhões de euros.

A conclusão do Fórum é que será preciso estabelecer “parcerias ousadas e inteligentes, liberando investimentos de capital, adotando soluções de tecnologia adequadas à finalidade e liderança corajosa” para destravar a agricultura regenerativa. “Programas financeiros precisam ser criados para ajudar a reduzir os riscos da transição de um agricultor”, explica Jim Andrew, vice-presidente executivo e diretor de sustentabilidade da PepsiCo, em um artigo sobre o tema.

Exemplos de iniciativas de agricultura regenerativa

A PepsiCo, diz Andrew, criou programas de compartilhamento de custos, de novos mercados de carbono e de empréstimos aos agricultores por meio de parcerias estratégicas.

No entanto, o dinheiro não é suficiente por si só, afirma o executivo, então a segunda coisa é fornecer assistência técnica. “Os agricultores precisam fazer parte de uma comunidade que está tentando coisas semelhantes e podem compartilhar aprendizados.” 

A multinacional atua em mais de 25 safras em 30 países, envolvendo mais de 100.000 empregos agrícolas. Cerca de um terço de suas emissões anuais vêm da cadeia de suprimentos agrícola. Isso significa que a eliminação de emissões em fazendas é essencial para a companhia conseguir atingir sua meta de ser net zero.

A Yara, multinacional norueguesa de fertilizantes, também entendeu que é parte do seu trabalho apoiar os agricultores a reduzirem as emissões de gases de efeito estufa e proteger o solo, ao mesmo tempo em que mantêm os rendimentos necessários e a qualidade das colheitas. Para a companhia, inovações revolucionárias para acelerar a agricultura regenerativa incluem soluções de agricultura digital, análises de saúde do solo, nitratos verdes e de baixo carbono e fertilizantes orgânicos. 

Em 2022, a empresa conduziu 152 projetos científicos em parceria com 48 instituições de ensino e pesquisa para encontrar soluções para a preservação do meio ambiente ao mesmo tempo em que ajudam a descarbonizar a agricultura e aumentar a produtividade das lavouras. 

Já a Unilever afirma estar comprometida com investimentos na transição para a agricultura regenerativa. “Isso significa cultivar de forma a melhorar a saúde do solo, a biodiversidade, a eficiência hídrica, a resiliência climática e reduzir as emissões de gases de efeito estufa”, explica Dorothy Shaver, chefe global de sustentabilidade da unidade de nutrição da Unilever.

Shaver comenta que a companhia implementou os “Princípios de Agricultura Regenerativa”, com um roteiro de 90 projetos até 2026. Nessa frente, estão em andamento parcerias com agricultores que trabalham com soja para reduzir a erosão do solo e com produtores de arroz para diminuir o uso de água e as emissões de metano. Junto aos produtores de leite, o trabalho é para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. 

Os três casos citados foram indicados pelo Fórum Econômico Mundial como boas práticas na área de agricultura regenerativa. 

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