17 mentiras e verdades científicas em Grey's Anatomy

A EXAME selecionou 17 situações da série Grey's Anatomy que desafiam a ciência e a Medicina. Nova temporada estreia no Brasil na terça, 9

A série americana Grey's Anatomy, no ar desde 2005, já está em sua 17ª temporada em meio a polêmicas sobre a veracidade de seus casos médicos e os dramas pessoais causados pelo elenco.

A mais nova temporada da série fala especificamente da pandemia do novo coronavírus – mostrando a realidade dos médicos e como, para eles, é difícil o distanciamento de suas famílias para evitar o contágio. Na próxima terça-feira, 9, a 17ª temporada da série médica estreará no Sony Channel.

Segundo especialistas, a 17ª temporada, apesar de alguns furos, tem sido real o suficiente para expor a necessidade dos cuidados em meio à pandemia. Mas a série, por se tratar de um conteúdo dramatizado da medicina, nem sempre acertou quando o assunto foi ser fiel à realidade científica.

Pensando na estreia da temporada no Brasil, a EXAME selecionou 17 situações em que Grey's Anatomy falou verdades e todos os pontos em que a ficção venceu a ciência. Confira:

As 17 verdades

1. O caso dos orgasmos 

 (ABC/Reprodução)

Em um dos episódios da segunda temporada da série, uma paciente dá entrada no hospital chamado de Seattle Grace (à época) por ter uma condição um tanto quanto inusitada: ela tinha orgasmos frequentes e espontâneos e precisou passar por uma cirurgia para que isso parasse de acontecer. Tudo foi baseado em um caso real – e não foi invenção da showrunner Shonda Rhimes.

2. Imune a dor

 (ABC/Reprodução)

Um dos casos que poderia ser mentira, mas não é, aconteceu no terceiro episódio da terceira temporada da produção, quando uma garota é diagnosticada com insensibilidade congênita à dor com anidrose (CIPA, na sigla em inglês). Durante sua consulta com o médico fictício Alex Karev, a garota afirma que pediu para que seus colegas batessem nela com um taco de beisebol – e que não sentiu dor alguma. Não se sabe se a situação com o taco de beisebol realmente existiu, mas o quadro da garota, sim.

3. "Homem-árvore"

 (ABC/Reprodução)

Este caso é um dos mais conhecidos dentro e fora do universo fictício. Na vida real, Abul Bajandar, da região bengali de Khulna, tem verrugas em formato de cascas e galhos em suas mãos e pés e já passou por diversas operações para retirá-las – todas sem sucesso. Em Grey's, na sétima temporada, um rapaz com a mesma condição chega no hospital para passar por um tratamento bastante complicado, bem como o do rapaz em quem foi baseado.

4. Osteogênese imperfeita

 (ABC/Reprodução)

Quem não quiser um spoiler, é bom não ler essa parte. Na 11ª temporada, o bebê dos médicos April Kepner e Jackson Avery recebe um diagnóstico de osteogênese imperfeita – o tipo mais grave de ossos de vidro – e a médica recebe duas opções: abortar o bebê, ou marcar uma data para dar à luz, mesmo sabendo que a criança sobreviveria por apenas alguns minutos, se muito. A condição é bastante rara e a cada ano, no Brasil, são confirmados cerca de 15 mil casos.

5. Contaminação por cobalto

 (ABC/Reprodução)

Na 16ª temporada, (sem spoilers) um dos personagens começa a apresentar diversos sintomas estranhos, como esquecimento, alucinações e fala bagunçada. No início, a principal suspeita era alzheimer – mas não demorou para que um dos médicos do Grey-Sloan Memorial descobrisse que, na verdade, os sintomas apresentados pelo paciente se tratavam de uma contaminação por cobalto, causado por uma artroplastia total de quadril. Em casos de vazamento, o colbato pode causar sintomas parecidos com o Parkinson, além de causar alucinações e demência.

6. A paciente sem coração

 (ABC/Reprodução)

Em um dos episódios da série, uma das médicas do hospital opta por fazer uma decisão totalmente inusitada: manter uma paciente vivendo somente com o auxílio de máquinas, sem seu coração, até ser possível realizar um transplante. O caso, que pareceu maluquice para muitos, aconteceu na vida real. Na série, a paciente Kelsey Simmons ficou cerca de seis semanas ligada aos dispositivos responsáveis por imitar o trabalho de seu coração. Na vida real, uma pessoa viveu quatro meses sem seu coração. Em 2016, por exemplo, enquanto esperava por um transplante, o paciente Stan Larkin ficou 555 dias sem o órgão.

7. Síndrome do vômito crônico

 (ABC/Reprodução)

Um dos casos apresentados em Grey's Anatomy foi a síndrome do vômito crônico, quando um Papai Noel não conseguia parar de vomitar. O caso foi inspirado em um drama da vida real – o da filha de Chandra Wilson, a Dra. Bailey da série. Segundo Wilson, os médicos demoraram meses para diagnosticar a jovem.

8. Transplante de garganta

 (ABC/Reprodução)

Por mais maluco que possa parecer, a história de uma garota que recebeu um transplante de garganta em Grey's foi baseada em um caso real. Em Nova Jersey, uma menina de 14 anos chamada Brianna Ranzino já havia feito três cirurgias para remover um tumor que estava prejudicando sua respiração – os doutores, então, optaram por crescer uma nova traqueia no abdomen da paciente usando células-tronco e, com sucesso, conseguiram deslocar a traqueia para a garganta da menina – assim como os médicos fictícios April Kepner e Jackson Avery fizeram com a laringe de uma paciente na 13ª temporada.

9. Caindo 47 andares – e sobrevivendo

 (ABC/Reprodução)

Nas primeiras temporadas de Grey's, um homem desesperado pula do 30º andar. Mesmo assim, ele sobreviveu para contar a sua história. Na vida real o caso foi ainda mais surpreendente: em Nova York, Alcides Moreno caiu de uma plataforma que estava na altura de 47 andares. O irmão dele morreu com a queda, mas Moreno sobreviveu depois de uma série de operações na sala de emergência, por estar muito frágil para ser transferido para o setor cirúrgico. Depois de ficar em coma por alguns meses, ele voltou a ter consciência perto do Natal e, um mês depois, teve alta do hospital, recuperando os movimentos da perna cerca de um ano depois do acidente.

10. Os mini-fígados de Meredith Grey

Na 14ª temporada da série, Meredith Grey faz uma descoberta inusitada: a de criar mini-fígados em laboratório. Mas a ideia de Grey está bem longe da ficção. Isso porque a ideia de colocar a descoberta na ficção veio de um projeto real feito pelo Dr. Lagasse. Na série, Grey utiliza seu conhecimento para gerar mini-fígados usando linfonodos. Na vida real, cientistas criaram mini-fígados totalmente funcionais usando células das pele humana, transplantando-as com sucesso para ratos. Mais um ponto para Grey's Anatomy.

11. A doença de Kawasaki

Outra vez que Grey's acertou foi ao trazer à tona um caso de um menino de 10 anos que possuía a doença de Kawasaki, comorbidade que causa inflamação nas paredes de alguns vasos sanguíneos do corpo, cujos sintomas iniciais são febres e dores no corpo – o que torna o diagnóstico bastante complicado. O episódio foi todo baseado na experiência da atriz que interpreta a mãe da criança na ficção, Sarah Chalke, que, por anos, batalhou para identificar a doença que seu filho tinha. Em casos mais graves, a doença pode levar a morte – mas seu filho sobreviveu graças a uma pesquisa na internet sobre os sintomas que ele tinha, que foram totalmente compatíveis com a doença.

12. Um tumor de 31 quilos

 (ABC/Reprodução)

Sim. O caso mostrado na primeira temporada de Grey's já aconteceu na vida real. Na série, uma mulher é admitida no hospital com um tumor de 31 quilos – pelo peso, todos os médicos precisam trabalhar no caso. No fim das contas, a paciente não sobrevive. Na vida real, em 2018, Hector Hernandez teve seu tumor do mesmo peso removido e foi diagnosticado com lipossarcoma localizado no retroperitônio. Segundo a Mayo Clinic, esse tipo de câncer se forma nas células de gordura das pessoas, geralmente sem apresentar sintomas, até que o tumor aparece. Antes de saber o que tinha, os amigos de Hernandez diziam que sua barriga era por conta da cerveja que tomava. O tumor foi removido clinicamente, sem maiores complicações.

13. O caso do candiru

 (ABC/Reprodução)

Outro caso que pode parecer mentira, mas não é, aconteceu na terceira temporada da série, quando um homem dá entrada no hospital com complicações em seu pênis. Em pouco tempo, os médicos descobrem que o que aconteceu foi que o peixe amazonense candiru entrou na uretra do homem. Isso acontece quando os indivíduos fazem suas necessidades nos rios da Amazônia.

14. Pele de tilápia para curar queimaduras

 (ABC/Reprodução)

A arte imita a vida e, nesse caso, imitou uma pesquisa brasileira feita pelo no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da Universidade Federal do Ceará (UFC). Na série, a descoberta foi atribuída ao médico Jackson Avery, que decidiu usar pele de tilápia para tratar vítimas de queimaduras. A pele do peixe é utilizada por seu efeito de cicatrização mais rápido e por não necessitar de tantas trocas, uma vez que o colágeno presente nela interage diretamente com a ferida, facilitando a cicatrização. A cobertura inteira da pele também permite evita a contaminação do local queimado.

15. O homem grávido

Na série, um homem cis acredita que está grávido porque sua barriga cresceu e todos os testes de gravidez que ele fez deram positivo. Mas ele não estava grávido. O que aconteceu foi que os produtores da série utilizaram um tumor raro, o teratoma, para criar a história. O teratoma é basicamente um tumor com pequenos pedaços de dentes, tecidos e unhas e que produz o hormônio HCG – o que explica os testes de gravidez positivos.

16. Câncer para sempre

 (ABC/Reprodução)

Outro caso real – e baseado na vida de uma das pessoas envolvidas para o acontecimento da série – foi o da personagem Catherine Fox. A empresária descobriu na 15ª temporada que estava com um tumor cancerígeno localizado no tórax. Apesar da cirurgia, os médicos responsáveis por seu tratamento não conseguiram retirá-lo totalmente e ela aprendeu a conviver com o câncer dentro dela pelo resto de sua vida, apesar de ele ser benigno. A história foi baseada na da roteirista Elisabeth Finch, que uma vez afirmou que odiava ouvir as palavras batalha, luta e derrota quando o assunto era seu câncer. O monólogo de Meredith Grey no começo do episódio, como de praxe, foi uma homenagem à Finch: "Batalha. Luta. Vitória. Derrota. Essas são palavras que falamos quando alguém está doente. Nós usamos um linguajar militar que deixa implícito que há uma luta justa. Mas quando o assunto é vida ou morte, o que realmente vem a ser uma vitória?".

17. As dificuldades da covid-19

 (ABC/Reprodução)

Toda a 17ª temporada da série gira em torno de diversos problemas que médicos e cidadãos passam durante a pandemia do novo coronavírus. Em um dos episódios, um grupo de adolescentes faz uma festa que acaba com um acidente, em outra situação, um homem branco não quer ser atendido por um médico chinês. Fora essas situações, o seriado mostra o drama de os profissionais da área da saúde se isolarem de suas famílias, muitas vezes passando noites em hotéis ou até mesmo dentro do hospital, para cuidar dos pacientes. É o que leva dois personagens importantes (sem spoilers) a contrair a doença, com quadros graves, necessitando de ventiladores respiratórios. Sem um tratamento aprovado, os médicos ficam a mercê de estudos científicos com poucas amostras e de coquetéis padrões. E, claro, a série também endereça outro problema enfrentado na pandemia: o uso incorreto das máscaras de proteção.

O jogo dos erros em Grey's Anatomy

1. Massagens cardíacas, por favor

Apesar de acertar algumas vezes, é normal que a série cometa erros ou dramatize demais certas condições – afinal, o show deve continuar. Um dos principais pontos criticados por profissionais da área da saúde é o uso excessivo de desfibriladores quando o coração da pessoa para. Na vida real, o que geralmente acontece quando o coração para é uma massagem cardíaca para fazer com que os batimentos cardíacos retornem.

Segundo especialistas, o desfibrilador é usado em pessoas que têm arritmia, ou seja, batimentos irregulares. O pulso eletrônico é usado para restaurar a regularidade, não para fazer os pacientes voltarem à vida. Segundo o médico e YouTuber Dr. Mike, que reage a séries médicas, a primeira coisa que um doutor faz durante um código azul são as compressões torácicas.

2. Às vezes, o tédio

Outro fator é que nem sempre a vida de um médico é tão animadora quanto parece em Grey's – série na qual os profissionais estão sempre correndo atrás de operações e casos malucos, como duas pessoas empaladas após um acidente de trem, ou precisam resolver mistérios médicos e operar tumores inoperáveis. Grande parte do tempo dos médicos da vida real, no entanto, consiste em preencher relatórios. Um estudo de 2016 publicado na Annals of Internal Medicine, aponta que um médico gasta cerca de 1/4 de seu dia com os pacientes e quase o dobro fazendo relatórios.

3. Calma aí, estagiários

Entre as outras "mentiras" está o fato de que um interno pode praticar uma cirurgia logo em seu primeiro dia no hospital – não é bem assim. Pacientes na vida real muito provavelmente pediriam para que um "estagiário" não participasse de suas operações, e, para médicos com mais tempo de carreira, deixar alguém em treinamento como um dos principais cirurgiões pode ser bastante arriscado.

4. Como comunicar notícias ruins

De acordo com Dr. Mike, outro erro comum em Grey's Anatomy é a conversa direta com os familiares de pacientes em salas de espera. Em um dos primeiros episódios, o interno George O'Malley conta à família de um paciente que ele havia falecido na frente de diversas outras pessoas esperando pelo diagnóstico de seus entes queridos. Isso, segundo ele, não deve acontecer. "O médico precisa levar a família para uma área reservada para dar notícias ruins. Essa conversa não pode rolar em espaço aberto. É um erro", afirma ele em um de seus vídeos.

5. E os enfermeiros?

Outro ponto problemático na série é a subutilização dos enfermeiros. Em Grey's, os médicos tiram sangue, tiram a pressão, dão injeções, medem sua pressão sanguínea, administram medicamentos intravenosos... mas, na realidade, as coisas não são assim.

O autor do livro The Real Grey's Anatomy afirmou a um site americano que "esse é um dos maiores mitos médicos que o show fortifica". "Dar injeções, se certificar de que os pacientes têm seus remédios, tirar sangue, entre outras coisas, isso é o cuidado que os enfermeiros têm com as pessoas", disse. Na série, com exceção de alguns enfermeiros, os outros são jogados para escanteio e a produção dá a entender que os médicos fazem tudo, a toda hora, e o pior, sozinhos.

6. Auto-diagnóstico não é bem vindo

Em entrevista ao site Entertainment Weekly, a produtora-executiva da série, Zoanne Clack, afirmou que já ouviu alguns relatos de pessoas que se diagnosticaram depois de assistir aos episódios. "Já tivemos pessoas que, com a ajuda dos nossos episódios, se auto-diagnosticaram ou seus filhos ou que nos apreciam muito porque eles não teriam ido atrás ou perguntado certas coisas para seus médicos", disse Clack.

É bastante problemático se diagnosticar com base dos sintomas apresentados no show. Um estudo recente mostra que 42% dos adultos mais velhos acreditam que a televisão é a sua primeira fonte para informações de saúde. Algo preocupante.

7. Os procedimentos de segurança

Uma outra mentira é a de que os médicos, durante as operações, utilizam apenas máscaras como segurança. Segundo o Dr. Mike, a realidade não é bem assim: é preciso usar proteção para os olhos. "Se sangue espirra em seus olhos, é bastante perigoso, então, ao menos, use óculos ou um escudo facial que já vem com a máscara", diz. Faz sentido para a série, mas não para a vida real.

8. A ressaca que lute

Para continuar a lista, outro mito é o de usar terapias intravenosas para curar ressacas – na série, Meredith Grey e April Kepner são as campeãs do método, comumente utilizado por alcoólatras que já perderam alguns nutrientes essenciais pelas ingestão excessiva de álcool. Mike afirma que esse tipo de terapia "não acaba com as ressacas". "Fazer isso com alguém que está saudável e bebeu demais é inútil. Apenas beba água e espere algum tempo", afirma.

É claro que algumas coisas na série são exageradas para fins dramáticos, mas é importante se lembrar de que nem tudo é real – exatamente por se tratar de uma ficção – e que não existem médicos formados em Grey's Anatomy. Na dúvida se você tem ou não uma doença, o correto é buscar ajuda médica – e não ligar a Netflix para ver o que os médicos do Grey-Sloan Memorial sugerem.

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