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Só três em cada dez brasileiros acreditam na possibilidade de uma semana de trabalho de quatro dias

Pesquisa do Instituto Ipsos, que ouviu cerca de 24 mil pessoas em 36 países, mostrou que grande parte dos trabalhadores no mundo (incluindo os brasileiros) é pessimista com a redução de jornada de trabalho por parte das empresas neste ano

Dia de folga: apenas 34% dos brasileiros acreditam em um final de semana estendido (We Are/Getty Images)

Dia de folga: apenas 34% dos brasileiros acreditam em um final de semana estendido (We Are/Getty Images)

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Luciana Lima

14 de janeiro de 2023, 20h43

Apontada como uma das principais tendências de trabalho para o futuro, a adoção de uma semana de trabalho de quatro dias parece o sonho de muitos trabalhadores — mas já é realidade em países como Islândia e Bélgica e também entre algumas empresas brasileiras

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Porém, o número de brasileiros que acreditam na possibilidade de um final de semana estendido é baixo. Pelo menos é isso que aponta uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos, que ouviu cerca de 24 mil pessoas em 36 países.

Segundo o levantamento, apenas três em cada dez (34%) brasileiros acreditam que as empresas adotarão jornada de quatro dias de trabalho em 2023. O patamar é bem próximo da média global (37%). "Nós vemos uma heterogeneidade dos países sobre essa questão", diz Marcos Calliari, CEO da Ipsos no Brasil.

"As discussões de uma semana de trabalho de quatro dias acontecem muito mais no âmbito das grandes empresas, entretanto, no caso do Brasil, essas companhias não empregam a maioria dos profissionais. Os maiores grandes empregadores brasileiros são micro e pequenas empresas, nas quais essa discussão ainda é muito incipiente", afirma.

Alguns países, porém, são mais otimistas com a possibilidade de uma semana de trabalho mais curta. Os moradores dos Emirados Árabes Unidos, com 68%, são os que mais acreditam em uma redução da jornada de trabalho.

Logo atrás está a Índia, com 63%, e a Indonésia, com 54%, completando o topo da lista. Na outra ponta do ranking, entre os países mais pessimistas com a mudança para uma semana de trabalho de quatro dias estão o Japão (15%), Suécia (22%) e Argentina (22%).

Emirados Árabes Unidos e Índia adotaram semana de trabalho de quatro dias

Calliari destaca que, em comum, os países com mais trabalhadores otimistas em relação à semana de quatro dias também foram aqueles que implementaram legislações incentivando a redução de jornada de trabalho.

Desde janeiro de 2022, os Emirados Árabes Unidos passaram a adotar uma jornada semanal de trabalho de quatro dias e meio para empresas públicas e para o seu Banco Central. Além disso, o país mudou o final de semana, que antes ocorria de sexta a sábado, para sábado a domingo.

Já a Índia propôs, em 2021, que as empresas pudessem reduzir a jornada de trabalho dos funcionários para quatro dias semanais.

Entretanto, a carga horária de trabalho de 48 horas semanais deveria ser mantida. Ou seja, embora tivessem a possibilidade de trabalhar menos dias, os trabalhadores teriam de fazer turnos mais longos, de até 12 horas por dia.

"Então, nos países em que essa possibilidade já se materializou em termos de legislação, como Emirados Árabes e Índia, obviamente, a população tem uma expectativa maior que as empresas adotem o modelo", diz Calliari.

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