Carreira

Qual repertório você está construindo para o seu futuro?

Saber fazer uma boa curadoria de conhecimento e desenvolver habilidades é mais importante para a sua carreira do que focar apenas no cargo que almeja alcançar

Antigamente, falávamos do futuro profissional pensando na posição que gostaríamos de alcançar e, assim, traçávamos um plano de ação. Só que cargos e funções estão passando por uma grande revolução (J Studios/Getty Images)

Antigamente, falávamos do futuro profissional pensando na posição que gostaríamos de alcançar e, assim, traçávamos um plano de ação. Só que cargos e funções estão passando por uma grande revolução (J Studios/Getty Images)

Publicado em 7 de setembro de 2026 às 19h21.

Última atualização em 7 de setembro de 2026 às 19h34.

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Eventos como SXSW, que aconteceu agora em março em Austin, são famosos pela curadoria de conteúdo. Ano após ano, eles conseguem atrair nomes relevantes e construir uma programação que antecipa tendências, provoca reflexões e conecta diferentes áreas do conhecimento.

Nesta última edição, foram mais de 600 painéis distribuídos em diversas trilhas, como Tecnologia e IA, Marketing, Ambiente de Trabalho e Saúde. Quem acompanhou o evento pessoalmente ou à distância sabe que esse volume enorme de informação pode gerar certa ansiedade. É muita coisa interessante, mas pouco tempo para consumir tudo.

O que significa que, por mais que o evento tenha um trabalho cuidadoso de seleção e organização de conteúdo, quem participa também precisa saber fazer a sua própria curadoria.

E não é só para participar de festivais de inovação que devemos desenvolver esse olhar. Na verdade, cada vez mais, é importante aprender a filtrar, priorizar e dar sentido ao que consumimos porque é assim que, aos poucos, vamos formando algo que é essencial para o momento do mercado de trabalho em que estamos. Estou falando da construção de repertório.

Digo que desenvolver isso é fundamental porque, em um contexto de transformação impulsionado principalmente pela inteligência artificial generativa, faz mais sentido construir uma carreira baseada em habilidades e capacidade de adaptação do que em cargos.

O que acontece é que, antigamente, falávamos do futuro profissional pensando principalmente na posição que gostaríamos de alcançar e, assim, traçávamos um plano de ação. Só que cargos e funções estão passando por uma grande revolução neste momento, o que exige que nós também mudemos a forma como pensamos o desenvolvimento profissional.

Não preciso explicar que a IA já está transformando a maneira como trabalhamos, certo? Todo mundo está cansado de ler notícias sobre como agentes estão se tornando mais especializados em tarefas que nunca imaginaríamos que a tecnologia conseguiria executar com tanta rapidez.

A questão é que, diante desse cenário, planejar a carreira apenas com base em cargos não faz mais tanto sentido.

Em primeiro lugar porque pode ser que determinada posição, do jeito que a conhecemos hoje, nem sequer exista em um futuro próximo. É natural que cargos sejam redesenhados e que funções sejam redistribuídas entre pessoas e tecnologia.

O segundo ponto é que, mesmo quando o cargo continua existindo, as competências exigidas para exercê-lo já não são necessariamente as mesmas de antes. Ou seja: o nome pode até permanecer, mas o conteúdo do trabalho muda.

No fim das contas, mais importante do que pensar no “título” que você gostaria de ter em uma empresa é refletir sobre quais conhecimentos e habilidades você precisa desenvolver para continuar relevante. É aqui que entra a questão da curadoria de conhecimento.

Para fazer isso, precisamos entender, antes de tudo, que ter repertório não é igual a acumular informação. Na realidade, tem a ver com conseguir conectar conhecimentos, experiências e referências de diferentes áreas para, assim, interpretar cenários e tomar melhores decisões.

Profissionais com repertório conseguem transitar com mais facilidade entre contextos, aprendem com mais velocidade e sabem lidar com desafios. É a visão ampla e diversa que ajuda essas pessoas a identificar oportunidades, fazer conexões mais inteligentes e encontrar saídas menos óbvias.

Para isso, elas estão constantemente atrás de boas referências, conversas relevantes e experiências que ampliem sua visão de mundo. Ou seja, existe um esforço para aprender com intenção, e não apenas consumir conteúdo de forma automática.

Fazer uma curadoria de conhecimento demanda disciplina, senso crítico e constância. Mais do que isso, requer também a capacidade de sair da sua zona de conforto.

Afinal, repertório não se constrói apenas dentro da sua área de atuação. Muitas vezes, as conexões mais valiosas vêm justamente de referências fora do seu campo de atuação principal.

E é dessa combinação de esforço, diversidade de conteúdo e abertura para aprender que surgem ideias, soluções e até novas possibilidades de atuação. Um repertório bem construído pode levar sua carreira para lugares que você nem sequer tinha imaginado.

Por isso, para mim, a pergunta mais relevante hoje em dia não é sobre cargo, mas sobre o que eu preciso aprender para continuar relevante. E essa não é uma questão com uma alternativa única, nem definitiva. É uma resposta que você irá construir ao longo do caminho.

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