Quando a pressão chega, é importante ter clareza sobre a sua viabilidade (kazuma seki/Getty Images)
Publicado em 7 de setembro de 2026 às 19h24.
Última atualização em 7 de setembro de 2026 às 19h34.
Confesso que fico um pouco incomodada com alguns discursos sobre a pressão na vida. Aquela ideia de que deveríamos (ou de que é possível) eliminá-la completamente.
Quando me deparo com essas abordagens, penso que estamos olhando para a questão errada porque vamos falar a verdade: se tem uma coisa com a qual podemos contar neste mundo incerto e cheio de mudanças é a pressão.
E não afirmo isso porque acho que devemos nos conformar com a situação. Na verdade, é bem o contrário. Justamente por ser algo inevitável, a pressão, em si, não seria o problema e sim a falta de estrutura para lidar com ela. E isso vale tanto no nível individual quanto no coletivo.
Afinal, não é só você que precisa desenvolver formas de administrar momentos de maior cobrança e complexidade. As empresas também devem criar condições necessárias para que a pressão não se transforme em desorganização, ansiedade e desgaste.
Para chegar nesse estado em que existe certo nível de gerenciamento e de controle, acredito que podemos praticar alguns exercícios:
Mensurar seu tempo de forma realista
Quando a pressão chega, é importante ter clareza sobre a sua viabilidade. É realmente possível cumprir o desafio no prazo dado?
Para chegar a essa resposta, precisamos olhar para nossa rotina e saber o nível de dedicação para realizar diferentes atividades. Ter consciência disso ajuda a construir agendas mais realistas, tomar decisões de forma mais responsável e ser eficiente em meio a pressão.
Essa noção também contribui para evitar que situações de sufoco surjam desnecessariamente. Às vezes, superestimamos nossa capacidade de execução e planejamos a rotina como se o dia tivesse mais horas do que realmente tem. Colocamos uma reunião atrás da outra, assumimos mais entregas do que conseguimos realizar e esquecemos de considerar o tempo necessário para preparação, alinhamento e revisão.
O resultado é uma sensação constante de luta contra o tempo e, por consequência, de estar sob pressão o tempo inteiro.
Ser capaz de identificar urgências
Existem tarefas que são importantes e existem aquelas que são urgentes, só que nem sempre sabemos diferenciar uma da outra. A tendência é que essa confusão aumente justamente nos contextos de maior pressão.
Uma dica para aprender a diferenciar as duas coisas é usar a Matriz de Importância e Urgência. Ela ajuda a separar aquilo que exige atenção imediata daquilo que é relevante, mas pode ser planejado com mais calma.
Identificar as competências necessárias
Dar conta de um desafio não é só uma questão de tempo ou de força de vontade. Depende também do conjunto de habilidades certas para aquela tarefa.
Costumo dar o seguinte exemplo para explicar esse ponto: imagine que sua liderança peça para você participar do Ironman. Não adianta receber o desafio com antecedência, nem aceitar a proposta com a maior boa vontade do mundo. Para conseguir completar o circuito, não basta força de vontade: é preciso praticar consistentemente natação, ciclismo e corrida. Você deve se desenvolver como atleta para enfrentar esse tipo de prova.
O mesmo vale para o trabalho. É possível ter um bom desempenho diante de desafios complexos, mas, antes, é necessário construir as competências que eles exigem.
Saber quem pode ajudar
Como expliquei, não é sempre que teremos todas as habilidades necessárias para enfrentar um determinado desafio. Isso não significa que você não possa buscar em colegas o suporte necessário para complementar aquilo que ainda está desenvolvendo.
Somando a experiência de uma pessoa, o conhecimento técnico de outra e diferentes perspectivas sobre um mesmo problema, aumentamos as chances de encontrar soluções melhores e mais rapidamente.
E isso vale também para as lideranças. Em momentos de maior pressão, todo mundo se beneficia do contato com as pessoas certas para tirar dúvidas, alinhar expectativas e discutir ideias.
Quando conseguimos praticar esses exercícios, não é que a pressão desaparece. O ponto é que o impacto que ela causa muda.
Quando conseguimos praticar esses exercícios, não é que a pressão desaparece. O ponto é que o impacto que ela causa muda.
Existe uma pressão que é positiva, nos impulsiona e nos leva para lugares de superação. Agora, esse efeito só acontece quando existe uma base sólida de organização, preparo e apoio para sustentá-lo.