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Paixão do brasileiro pelo home office caiu ao longo na pandemia

Levantamento de comentários em redes sociais feito pela Orbit Data Science mostra como aprovação do home office caiu de 70 para 45% no meio da pandemia

 (staticnak1983/Getty Images)

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Victor Sena

Victor Sena

Publicado em 14 de novembro de 2020 às 07h00.

Última atualização em 17 de novembro de 2020 às 16h42.

A opinião do brasileiro sobre o home office ficou menos otimista ao longo da pandemia. Um levantamento de comentários em redes sociais feito pela Orbit Data Science mostra como isso mudou.

Em janeiro, quando o isolamento social ainda não havia sido implantado no Brasil, cerca de 70% das pessoas elogiam a prática de home office. Entre abril e junho, na pior fase da pandemia, a aprovação chegou a 45%.

A pesquisa se debruçou sobre 4.798 comentários de perfis de brasileiros no Twitter, Instagram, Facebook e comentários de portais de notícias, entre janeiro e outubro de 2020.

Para isso, os cientistas de dados da empresa analisaram separadamente cada postagem e conseguiram agrupá-las em 76 grandes opiniões diferentes sobre o tema.

Segundo Caio Simi, CEO da Orbit, a imagem do trabalho em Home Office piorou na pandemia, mas há um cenário mais complexo que se desenha.

“Observamos uma crise de imagem do home office porque ele passou de ideia para realidade. Se antes era praticado por alguns profissionais apenas alguns dias por mês, passou a ser o novo padrão estabelecido. E isso traz muitas questões à tona”, explica Simi.

(EXAME Academy/Exame)

O estudo mapeou que a evolução das conversas nas redes sugerem que a percepção sobre o home office se divide em quatro diferentes fases ao longo de 2020. O "pré-impacto" é representado pelos meses de janeiro e fevereiro. O "Impacto"  vem em março. Já a "Adaptação" ganha lugar entre abril e julho. Por fim, a "Consolidação" engloba os meses de agosto e setembro. Veja a evolução abaixo:

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Em janeiro e fevereiro, na Fase 1, o trabalho de casa era elogiado em comentários como “Fico mais à vontade”, “trabalho com a roupa que quero” e “tenho tempo para outras atividades” eram os principais sentimentos. Quem reclamava, reclamava da distração do ambiente domiciliar.

Na Fase 2, em março, crescem os comentários que reclamavam do aumento na jornada de trabalho imposta pelo trabalho remoto.

A fase 3,  representada no estudo pelos meses de abril, maio e junho, é quando a percepção sobre o trabalho remoto atinge seu auge de comentários negativos. A ausência de políticas de adaptação por parte de muitas empresas veio a acarretar problemas de saúde nos funcionários.

Na Fase 4, a fase de consolidação do home office, representada na pesquisa pelos meses de julho, agosto e setembro, a discussão em torno da volta ao trabalho presencial se torna polarizada nas redes. Neste momento a imagem do Home Office volta a se tornar majoritariamente positiva.

“Entre abril e julho, notamos um crescimento de pessoas reclamando de dores nas costas, dores no corpo e estresse, o que foi decisivo para que a imagem do home office se tornasse mais negativa do que positiva nas redes pela primeira vez em todos os 10 meses de análise”, explica Simi.

De acordo com os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 7,9 milhões de trabalhadores do país estavam em home office no mês de outubro. No Brasil, a população economicamente ativa é de cerca de 79 milhões de pessoas.

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