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Não faça outra faculdade se não souber responder estas 4 questões

Pensando em ser estudante novamente? Confira um roteiro de reflexões para descobrir se essa é a melhor opção para a sua carreira

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Diploma, livros e chapéu de graduação (franny-anne/Thinkstock)

Diploma, livros e chapéu de graduação (franny-anne/Thinkstock)

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Claudia Gasparini

Publicado em 13 de janeiro de 2017 às, 06h00.

Última atualização em 13 de janeiro de 2017 às, 20h18.

São Paulo — O momento amargo do mercado de trabalho tem levado muitos brasileiros a questionar suas escolhas profissionais. Estagnação no emprego atual, demissões inesperadas e dificuldades para conseguir emprego trazem a sensação de que é preciso passar a carreira a limpo, do zero.

Investir em um segundo curso de graduação é uma das formas de fazer isso — mas está longe de ser a única. A não ser que você esteja muito insatisfeito com a profissão que escolheu na juventude, existem soluções melhores para se reinventar e se relançar ao mercado de trabalho.

“Voltar para a faculdade só vale a pena se você quer mudar radicalmente de área”, diz o consultor em gestão de pessoas Eduardo Ferraz. Apostar numa pós-graduação ou até sair do país para aperfeiçoar o inglês são algumas alternativas com melhor custo-benefício em grande parte dos casos.

É claro que alguns profissionais podem ganhar muito com uma nova faculdade. Para Jorge Martins, sócio da consultoria de recrutamento Bullseye Executive Search, um exemplo típico é o do advogado que trabalha numa consultoria tributária e decide cursar ciências contábeis — um diploma obrigatório para fazer assinaturas técnicas e liderar determinados tipos de projetos.

No entanto, os casos em que é necessário acumular dois diplomas são bastante específicos e raros. Via de regra, diz o especialista, o investimento de tempo, dinheiro e esforço necessário para a aventura é desproporcional aos ganhos para a carreira.

Mas como ter certeza de que a decisão de fazer uma 2ª faculdade realmente é (ou não é) para você? A pedido de EXAME.com, Ferraz e Martins propuseram o seguinte roteiro de perguntas para orientar a sua reflexão:

1. Por que (realmente) quero fazer uma 2ª faculdade?

Você pode até pensar que já respondeu a essa pergunta, mas talvez seja necessário repeti-la e dar uma resposta mais completa. Se, no fundo, a sua ideia é simplesmente “embelezar” o seu currículo com um segundo diploma de faculdade na tentativa de impressionar possíveis recrutadores, esqueça.

Ao contrário do que muita gente pensa, os headhunters costumam estranhar trajetórias com essa característica. “O candidato transmitirá falta de foco se, depois de 15 anos trabalhando com marketing, ele decide fazer uma graduação em fisioterapia, por exemplo”, afirma Martins. "Se você só quer passar a ideia de que é muito estudioso ou ousado, o tiro pode sair pela culatra".

E qual seria uma razão justa para se lançar à aventura? Para o especialista, é o desejo de recomeçar a sua vida profissional do zero, porque você já não suporta mais o que escolheu para si. Transformar drasticamente a sua carreira não é impossível — em muitos casos dá certo. Se essa é a sua motivação, o próximo passo é avaliar se você tem condições de colocar o seu plano em prática, como mostrará o próximo item.

2. Tenho todos os recursos necessários?

Tempo, dinheiro, energia física e disposição mental para ser estudante novamente serão variáveis fundamentais para sua a tomada de decisão, diz Ferraz. É importante desmembrar essa reflexão em várias perguntas.

Qual é o valor das mensalidades, caso a faculdade seja particular? Quanto custa o cursinho, se a ideia é tentar uma vaga numa universidade pública? O período de estudos seria matutino, vespertino ou noturno? Poderia ser conciliado com um emprego? Se não, é possível abdicar de uma renda temporariamente? Qual seria o tempo dos deslocamentos entre casa, emprego e faculdade? Você teria mesmo energia suficiente para estudar diariamente e fazer provas?

Parece complexo — e realmente é. Para colocar tudo isso na ponta do lápis, diz Ferraz, um profissional precisa fazer planos com pelo menos um ano de antecedência. A preparação também deve incluir boas doses de networking: você precisará ter contatos para começar a ingressar num mercado totalmente novo, e é importante prospectá-los o quanto antes.

3. A hora é boa?

De acordo com Martins, não é uma boa ideia fazer um segundo curso universitário logo depois de ter se formado no primeiro. “Espere um pouco, experimente, tente colocar o que você aprendeu em prática”, aconselha ele. É preciso confirmar se realmente você não gosta da sua área original antes de buscar uma nova.

Por outro lado, é possível que em algum momento seja tarde demais para tomar a decisão? Para o recrutador, a resposta é não. As chances de sucesso nunca serão nulas, mas podem ser bem mais baixas à medida que o profissional envelhece. “Quanto mais maduro, maior fica o seu custo de vida e mais estreitas se tornam as portas para um novo mercado”, explica ele.

Para quem é mais velho e quer fazer uma 2ª graduação, a dica é tentar aproveitar sua experiência anterior na nova carreira. É o caso de um médico com muitos anos de profissão que decide fazer um curso de Direito, por exemplo, para se tornar advogado de hospitais. Ele aproveitará o conhecimento acumulado sobre o universo da saúde para se diferenciar da concorrência e abocanhar um nicho em que as duas formações se cruzam.

4. Todas as outras possibilidades estão realmente descartadas?

Voltar para os bancos da faculdade exige bons motivos, recursos suficientes e muito planejamento. É um movimento arriscado e custoso, diz Ferraz, e deve ser feito somente depois que todas as alternativas tiverem sido consideradas.

Em muitos casos, a melhor saída é a pós-graduação. Além de ser mais rápido e adequado às necessidades de quem está trabalhando, esse tipo de curso é mais eficaz para quem quer se aprofundar num assunto sem entrar em detalhes muito básicos ou técnicos do assunto. Se você é formado em psicologia e quer trabalhar com publicidade, por exemplo, não vale a pena fazer uma graduação na área: é melhor buscar uma pós em marketing ou comunicação mercadológica.

“Na crise, cada vez menos pessoas têm optado por uma segunda faculdade, porque é um investimento a longo prazo, muito caro e incerto”, afirma Ferraz. Por outro lado, a pós-graduação costuma ser uma aposta mais garantida, porque é mais valorizada pelo mercado de trabalho já se consolidou como item obrigatório em currículos de quase todas as áreas.

 

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