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Aprenda com ele

Cinco lições para tirar da visita de Obama ao Brasil e aplicar em sua carreira


	O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama: estratégias do líder podem ser aplicadas no ambiente de trabalho
 (REUTERS/Kevin Lamarque)

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama: estratégias do líder podem ser aplicadas no ambiente de trabalho (REUTERS/Kevin Lamarque)

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Da Redação

Publicado em 4 de abril de 2013 às 11h12.

São Paulo - Em março, a primeira visita do presidente americano, Barack Obama, ao Brasil desde que assumiu o cargo, em 2009, deixou o país alvoroçado. A expectativa era de que o homem mais poderoso do mundo viesse ao país para negociar temas sérios, como o protecionismo americano a produtos como laranja e biodiesel, e a liberação da necessidade de vistos para brasileiros entrarem nos Estados Unidos, por exemplo.

Para quem esperava a discussão desse ou de outros assuntos, Obama foi literalmente político e evitou o debate direto. A marca de sua passagem por aqui foi a revelação de seu carisma e de sua incrível habilidade como líder.

“Obama deu uma aula de marketing político, com um perfil mais moderno, que não deseja apenas conquistar uma posição favorável, mas quer seduzir seus interlocutores.E conseguiu”, diz Antonio Lavareda, cientista político e especialista em comportamento eleitoral. Um dos objetivos do presidente americano foi buscar parceria e criar um ambiente propício para que os dois países estreitem laços comerciais. Para atingir seus objetivos, Obama usou alguns recursos sutis, mas muito eficientes.

“Ficou nítido que ele adotou estrategicamente um componente emocional no seu discurso e no seu gestual com a intenção de conquistar, e isso é perfeitamente aplicável ao ambiente corporativo”, diz Antonio. Selecionamos alguns artifícios de Obama e listamos cinco lições para você aplicar no dia a dia do seu trabalho (certamente elas vão render bons frutos para sua carreira).

1 Adapte-se ao ambiente

Fato

Obama não quebrou necessariamente o protocolo ao tirar a gravata para discursar aos 2.000 convidados no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, mas ao apelar para o informal ele deu o tom do seu propósito. 

“É uma forma de encurtar a distância entre ele e um público que é composto mais por personalidades do que autoridades”, diz José Afonso Carrijo, presidente do Comitê Nacional do Cerimonial Público (CNCP). 

Objetivo

Aproximar-se, usando a imagem visual. Ele se aproveitou da cultura informal, típica do Brasil. Com certeza não daria certo em um país mais tradicional, como a Alemanha. 

No trabalho

Vai vender uma ideia ou fazer uma apresentação importante? Procure conhecer o perfil dos interlocutores. São pessoas mais informais ou a formalidade é uma marca forte? 


2 Ganhe simpatia

Fato

Obama começou seu discurso no Rio saudando o “povo brasileiro”, em português. E por diversas vezes arriscou uma palavra ou outra no idioma local. 

Objetivo

“Falar, literalmente, a mesma linguagem do interlocutor aproxima e gera uma empatia naturalmente”, diz Antonio. Iniciar o discurso dessa forma faz com que as pessoas estejam mais predispostas a ouvir o que você tem a dizer. 

No trabalho

O segredo está na forma de conduzir as conversas. Ao falar com estrangeiros, nada mal aprender duas ou três palavras no idioma dos ouvintes. Em especial as mágicas, como “oi” e “obrigada”.

Para o mesmo idioma, a regra é conhecer o estilo das pessoas. São mais assertivas ou há espaço para subjetividade? Há algum comentário que possa agradá-las para abrir o papo e quebrar o gelo? Essa é uma clara estratégia para mexer com a autoestima do ouvinte. 

3 Mostre que sabe do assunto

Fato

Por diversos momentos em seu discurso, Obama mostrou que o Brasil realmente está na pauta. Ele citou trechos da música País Tropical, de Jorge Ben Jor, o clássico Vasco x Botafogo (que ocorreu no dia de seu discurso), as mudanças econômicas e sociais vividas pelo país e fatos históricos, como a visita de Dom Pedro II aos Estados Unidos. 

Objetivo

Criar intimidade e mobilizar a seu favor a opinião pública em relação a seus interesses políticos e econômicos por aqui. “Ele mexeu com o orgulho dos brasileiros”, diz Antonio Lavareda. “Se a visita tivesse sido um fiasco, as relações entre os dois países ficariam mais difíceis”, completa. 

No trabalho

Estudar um tema antes de apresentá-lo ou tentar vendê-lo é lição básica. O diferencial é dominar detalhes e fazer menção a peculiaridades do assunto. Busque informações diferenciadas em sites, redes sociais ou com profissionais experientes nos assuntos relacionados.

Para passar segurança e convencer as pessoas, em primeiro lugar é fundamental que você esteja seguro. Isso só é possível se o assunto estiver na ponta da língua.  


4 Aproxime-se do interlocutor

Fato

Obama comparou muitas vezes as histórias e a realidade dos Estados Unidos e do Brasil. O passado como colônia, a herança africana e os desafios que ambos os países enfrentaram foram alguns exemplos disso.

Objetivo

Buscar semelhanças e pontos de interesse comuns, na tentativa de igualar os dois países e, com isso, quebrar possíveis resistências. “Ele estabeleceu uma conversa de primos iguais, e não mais de primo pobre e primo rico”, comenta Antonio.   

No trabalho

Buscar semelhanças com a empresa ou profissional com quem está conversando é um bom passo para atingir sua meta. “É uma forma de valorizar o ouvinte. É como abrir a porta de casa para que as pessoas façam parte da sua intimidade”, diz Antonio.


5 Interaja e demonstre interesse

Fato

Ao visitar pontos turísticos e emblemáticos, como o Morro do Alemão, atual símbolo brasileiro da luta contra a violência, Obama acompanhou uma roda de capoeira e até bateu uma bolinha com crianças. Atividades tipicamente brasileiras.  

Objetivo

Mostrar interesse pela cultura local e pelas pessoas, para ganhar a simpatia e estreitar relações. “Ele foi extremamente elegante com essa estratégia”, diz José Afonso Carrijo, do CNCP. 

No trabalho

Em uma conversa com clientes, pares ou chefia, não há melhor forma de mostrar interesse pela outra parte do que perguntando. Aproveite momentos de descontração para fazer isso. Mais do que disparar a perguntar sobre tudo, interaja na conversa.

Fazer com que seu interlocutor sinta que o papo está trazendo benefícios a ele — mesmo sobre temas não relacionados ao trabalho — aumenta a empatia e,  consequentemente, melhora  a conexão entre vocês.   

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