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Secretaria Municipal de Educação doa 12,8 milhões de absorventes no Rio

Programa Livres para Estudar impactará 163 mil estudantes em 951 escolas cariocas
Além das meninas, alunos transexuais e não-binários também serão beneficiados pela política pública (ondacaracola photography/Getty Images)
Além das meninas, alunos transexuais e não-binários também serão beneficiados pela política pública (ondacaracola photography/Getty Images)
Por BússolaPublicado em 20/04/2022 12:36 | Última atualização em 20/04/2022 12:50Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Um item básico que impacta a saúde e também o rendimento escolar de estudantes que menstruam passa a ser distribuído gratuitamente na rede municipal de ensino: o absorvente íntimo. Ao todo, o programa Livres para Estudar, da Secretaria Municipal de Educação, vai distribuir mais de 1,6 milhão de pacotes de absorventes, totalizando 12,8 milhões de unidades, e impactar 163 mil estudantes em 951 escolas.

As distribuições começaram no início do mês e, até maio, todas as unidades já terão recebido e distribuído o item. Além das meninas, alunos transexuais e não-binários também serão beneficiados pela política pública, que atende a todas as escolas do município que tenham crianças e adolescentes em idade menstrual, da 4ª série ao EJA.

“Se for preciso faltar às aulas cinco dias por mês, todos os meses, o comprometimento do aprendizado é grande ao final do ano letivo. É função do Poder Público corrigir essa injustiça”, diz o secretário municipal de educação Antoine Lousao.

Maiores impactadas, as alunas da rede municipal apoiaram o programa Livres para Estudar, que visa garantir que ninguém deixe de ir à escola por conta da falta de absorventes durante o período de menstruação, reduzindo a evasão escolar nestas situações.

“Vai ajudar muito a gente, porque a pobreza menstrual é uma questão que existe há muito tempo. Já aconteceu comigo mesma de chegar na escola sem saber que estava menstruada e ter que pedir absorvente na secretaria”, declara a aluna Emily, do 9º ano.

“A menstruação acontece a vida toda. Quanto mais se falar sobre pobreza menstrual, melhor. Isso precisa ser ensinado nas escolas”, declara Nikoly, também do 9º ano.

Todas as pessoas que menstruam precisam de absorventes e, embora a menstruação seja parte cotidiana da vida, o preço desse item básico o torna um artigo de luxo. O pacote de absorvente custa, em média, entre R$ 8 e R$ 15. De acordo com o Dieese, a cesta básica custa hoje R$ 692,93 no estado do Rio de Janeiro, ocupando o terceiro lugar no ranking de maiores preços do país e tomando 61,80% do salário mínimo.

Com uma fatia tão alta da renda comprometida com a alimentação, acaba faltando recurso para que famílias mais pobres possam comprar absorventes íntimos. Como a menstruação é um tabu, por vergonha, muitas pessoas não falam sobre o assunto e, sem absorventes, a higiene, a saúde e até mesmo o direito à educação é colocado em risco, afastando muitas crianças das escolas.

“Essa ação vai melhorar a qualidade de vida como um todo, não apenas no que diz respeito à escola, que é a nossa prioridade, mas é uma política que vai além disso e preserva a saúde e o bem-estar de mais de 160 mil estudantes da nossa rede”, declara Antoine.

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