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Rafael Catolé: você ainda não conhece seu potencial

Um apanhado de experiências adquiridas em 100 horas de mentorias

 (ferrantraite/Getty Images)

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Publicado em 28 de maio de 2024 às 10h00.

Por Rafael Catolé, VP Internacional da Natural One

No último semestre, completei 100 horas de mentorias ministradas para diversos tipos de profissionais. Durante as trocas, algo ficou muito claro: as pessoas não conhecem seu potencial

Minha observação vai além de um mero achismo, é fundamentada em muitas questões e aprofundamentos. Uma das primeiras perguntas que faço é: “no que você acha que é bom?”. 

Geralmente, isso causa estranheza e desconforto, propositalmente, é claro, mas a ideia é entender quem é ele pela própria ótica e qual o seu espaço no mundo. 

Grande parte das mentorias gera uma discussão nessa questão, e percebo que os profissionais, principalmente mulheres, têm muita dificuldade de falar com confiança sobre o tema, o que acredito que se deve a alguns fatores, como insegurança, falta de acompanhamento pessoal, pouco ou nenhum feedback ao longo da carreira e baixo estímulo ou incentivo de pessoas próximas. 

Outra pergunta que gosto muito de fazer, é como ela se venderia se fosse um produto. Isso é complexo, algumas pessoas possuem mais dificuldade de explorar esse lado mais imaginativo, mas forçar essa construção tem um valor inestimável. É nesse momento que o autoconhecimento começa a brotar de forma mais intensa.

Acho fantástico quando falo com alguém que exerce uma função menos “criativa”, como controladoria ou contabilidade, e a pessoa começa a perceber que sua autoimagem está distante de como gostaria de ser percebido pelo mundo. Um dos fatores mais preocupantes é quando eu peço para alguém me contar a própria história e depois de toda a conversa, eu pergunto: “quais os destaques da sua trajetória?” E logo vem um silêncio.

É aí que entra o que eu mais gosto de fazer: contar um resumo da história daquela pessoa, como um trailer de filme, ressaltando conquistas, avanços e diferenciais.

Todos podem dar um salto e sair desse labirinto que às vezes nos encontramos. Meu desejo com esses encontros é trazer o melhor de todos, incluindo o meu, criando conexões neurais e abrindo a cabeça para encontrarmos o lugar correto das coisas. A seguir, enumero algumas dicas que podem auxiliar nesse processo: 

1. Faça uma mini biografia

Em 20 linhas, escreva quem é você e suas principais conquistas e atingimentos. 

2. Escreva uma lista de conquistas e fracassos

Enumere em ordem do melhor para o pior e coloque o que aprendeu com cada um deles. 

3. O que eu não gosto e o que me deixa feliz

Qual a lista de coisas que te fazem infeliz? Seja honesto e ponderado consigo mesmo. O mundo não é perfeito e não funciona como você quer, mas há coisas que podemos evitar. 

4. Desenhe seu produto, quem é você?

Eu recomendo a pessoa se soltar, usar criatividade e, literalmente, pegar uma folha com canetas e canetinhas e ir fazendo esses rabiscos. 

5. Para onde queremos ir?

Nessa parte desenhamos um mapa. Algumas pessoas têm o perfil mais ambicioso e querem ver 20, 30 anos na frente, outras estão preocupadas com o próximo passo, e ninguém está errado, acredito que isso tem muita relação com maturidade. A ideia é criar um mapa e ir pensando rotas, caminhos e vendo se as escolhas fazem sentido com o ganho que buscamos. 

6. O que está disposto a perder?

Aqui, entram as trocas que vamos fazer e como isso pode ter impacto em nossas vidas. Se quer ser gerente ou VP de uma empresa, existe uma série de trade-off que deverão ser feitos para estar pronto para cadeira, muitas vezes a “compra” de determinadas habilidades, seja via cursos, mentorias, MBAs e por aí vai. 

7. Painel de metas pessoais

Quais as metas pessoais que você realmente quer atingir nos próximos três meses, seis meses, um ano? Podem ser três metas para cada bloco, o objetivo é ter uma ideia do que estamos buscando.

Essas técnicas não foram inventadas por mim, são um grande apanhado de chefes, amigos e mentores que tive na minha vida. 

Alguns usavam de maneira clara, e outros usavam de maneira menos técnicas, mas me ajudaram muito e algumas conversas, muitas vezes duras, se mostraram decisivas na minha trajetória, que ainda vejo com um enorme espaço para melhoria. 

As mentorias também fazem o papel de um grande plano de desenvolvimento pessoal e para entender essa pergunta que me incomoda, o que é sucesso. Hoje, estou com um conceito que talvez mude, de que sucesso é quando seu potencial encontra a realização de uma magnitude maior, ou seja, meu potencial, que é pessoal e único, encontra um espaço de realização e utilização desse talento, fazendo algo maior em termos de impacto, ou seja, não somente para mim, mas para o mundo. 

*Por Rafael Catolé, VP Internacional da Natural One.

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