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O esperado (e largamente comentado) relatório de riscos do Fórum Econômico Mundial veio com um fator inédito de destaque em 2024.

Pela primeira vez, a preocupação com "informações falsas e desinformação" apareceu com destaque no levantamento feito com 1400 lideranças empresariais em 113 países

Na visão de longo prazo (10 anos), o tema é o 5º mais relevante e na de curto prazo (2 anos) está no topo da lista de principais riscos mapeados.

Não farei aqui um resumo geral do relatório, pois vários deles já estão disponíveis na imprensa e redes sociais. Recomendo apenas a leitura criteriosa e crítica desse volume assombroso de informação, uma vez que – como a própria pesquisa indica – o risco da desinformação é altíssimo nos dias atuais.

Contudo, me parece relevante destacar:

  • Qual o antídoto para este que se tornou o principal risco de curto prazo em todo o mundo? 
  • Se informações falsas e desinformação atingem níveis mais graves à medida que as ferramentas de Inteligência Artificial viabilizam a falsificação em massa de vídeos e fotos, como podemos nos proteger?
  • Existe esperança em um mundo no qual a verdade parece ser apenas um detalhe produzido por quem melhor manipula as ferramentas de comunicação baseadas em tecnologia?

Perguntas retóricas não pedem resposta, mas como autista não consigo deixar as coisas “em aberto”, suspensas. Então minha resposta simples é que sim, existe remédio. E ele passa pela valorização da verdade. 

Explico

O debate sobre o tema da desinformação tem se centrado em seu aspecto tecnológico – provavelmente pelo assombro que o desenvolvimento acelerado das IAs nos causa. 

A regulação e bom uso das ferramentas de fato merece atenção, mas é igualmente relevante estabelecermos uma cultura – ou uma mentalidade, como dizem os historiadores - que valorize a verdade.

Precisamos que cada pessoa exerça cotidianamente o verdadeiro espírito crítico. Se a produção de conteúdo falso está mais verossímil, é preciso desconfiar de tudo. E mais que isso: é necessário que se aprenda a checar informações, fazer perguntas e levantar evidências. 

É provável que as interações cotidianas fiquem mais custosas, na medida em que compreendemos que qualquer informação compartilhada é possivelmente falsa, exceto por aquelas veiculadas em canais de reconhecida credibilidade

Aliás, se credibilidade fosse um ativo financeiro, receberia meus investimentos. É nesse ativo que se baseia a atuação da imprensa, que tradicionalmente exerce esse papel de filtro de informações e guardiã dos métodos que permitem uma apuração precisa daquilo que é de interesse público. 

A imprensa

Por questões sociais, econômicas e técnicas, seu papel tem sido fortemente questionado e sua relevância foi enfraquecida nos últimos anos. 

Mas a partir do momento em que reconhecemos a desinformação como um grande risco para nossa sociedade e economia, se estabelece uma oportunidade para resgate do papel social do jornalismo como provedor de informações confiáveis, idôneas e verdadeiras. 

  • Isso passará por um exercício desafiador, que é instrumentalizar a sociedade como um todo para a checagem de informações e leitura crítica de conteúdos. 

Em um ambiente de hiperconectividade e bombardeio constante de dados – em grande parcela falsos –, o modelo que centralizava os filtros de credibilidade na grande imprensa não será suficiente. 

Mais do que agências de checagem, precisamos de leitores e leitoras capazes de distinguir o que é crível do que é possivelmente falso, com disposição inclusive para apontar verdades que enfraqueçam sua posição ideológica.

Nas discussões mais teóricas do jornalismo costumamos tratar de como a verdade é uma utopia, um conceito relativo que pode comportar versões por vezes contraditórias de um mesmo fato. 

Mas diante dos riscos que vivemos, é uma utopia que merece ser perseguida.

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