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Atriz, modelo e dançarina, Nayara Justino, ex-globeleza, acumula experiências que vão desde aparições na televisão até as largas avenidas do Sambódromo da Marquês de Sapucaí. A artista – que sofreu ataques racistas em 2014, quando foi chamada de "preta demais" –, voltou ao posto de musa do carnaval em 2023, como destaque do Salgueiro.

À frente do movimento #OrgulhoDaMinhaBeleza, Nayara foi protagonista no carro Destruição, que simbolizava o capitalismo desenfreado e a consequente opressão social. Ao longo do desfile, ela fez gesto simbólico de beijar a mão e sustentou seu braço erguido em ato de orgulho e união de todos que um dia se viram julgados ou com seu direito de expressão ameaçado. Para Justino, foi uma honra voltar a ser referência nesse meio, ainda mais em uma posição de destaque e com o poder de ser ela mesma.

Idealizado pela Vult, o movimento #OrgulhoDaMinhaBeleza, procura mostrar que a beleza está no orgulho da nossa trajetória e na celebração da força da união feminina “O tom é de celebração, empoderamento feminino e negro. Temos que nos orgulhar de quem somos e ter a liberdade que merecemos ter, como queremos”, diz Justino.

“Trata-se de um sonho realizado ser um dos destaques na avenida, inspirar as pessoas, as mulheres pretas e afastar qualquer tipo de intolerância. É como bem disse o samba-enredo da escola este ano: ‘a liberdade de viver e se expressar’. Não há nada que represente melhor a beleza, do que o orgulho de ser quem somos”, declara.

Em 2014, logo após ganhar a primeira votação popular para Globeleza, sendo eleita sucessora de Aline Prado, que ficou mais de oito anos na posição, Nayara passou a receber muitas críticas dos internautas, que a julgaram preta demais para representar o carnaval. A artista deu vários depoimentos de como os comentários mexeram com a sua cabeça e até rotina. “Desde pequena aprendi a admirar a figura da musa do Carnaval que via na TV, até por ser uma das poucas referências de mulher negra que eu tinha na televisão. Depois das críticas nas redes sociais, todo esse preconceito começou a afetar minha rotina, e então decidi que a melhor resposta era resistir indo atrás de novas oportunidades. Hoje, vejo que temos muitas outras mulheres servindo de espelho para meninas negras, não só no carnaval, e eu sou um delas”, afirma.

A história, inclusive, foi pauta de um documentário sobre a discriminação no País, feito pelo jornal inglês "The Guardian": ‘The Brazilian Carnival Queen Deemed too Black’.

Além de ter sido protagonista no carnaval do Salgueiro, uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro, e nove vezes campeã, Justino também endossa um projeto social parceiro da organização, no qual pessoas da comunidade do Morro do Salgueiro – no bairro da Tijuca, recebem educação profissionalizante na área da beleza, com o intuito de fomentar o empreendedorismo desse público. Seu make foi todo feito pela maquiadora Greice Monteiro, ex-aluna do projeto de formação de aceleração social que trabalha na capacitação de pessoas que querem ingressar no mercado da beleza e já formou mais de 120 profissionais de regiões periféricas.

Pensada em refletir o movimento e o samba-enredo da Salgueiro para 2023, a maquiagem e figurino de Nayara trouxeram muito da dramaticidade que é o tema direito de expressão e orgulho, utilizando tons de vermelho, com muita iluminação e contornos. Para Nayara, foi uma honra poder exibir o trabalho de mulheres como a Greice. “É isso que me motiva. Ver mulheres pretas sendo protagonistas lá no topo de um carro alegórico, e aqui embaixo em um camarim. Tenho orgulho da beleza, da união e do empoderamento feminino que enxergo nos dias de hoje, e que ainda tem muito a crescer”, afirma.

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