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Diana Tatit: afinal, qual é mesmo a finalidade da escola?

Estudantes não têm motivação para estudar nem interesse sobre os conteúdos ensinados

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Aprendizagem ativa pode ser o futuro (Alexandre Battibugli/Exame)

Aprendizagem ativa pode ser o futuro (Alexandre Battibugli/Exame)

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Diana Tatit*

Publicado em 8 de novembro de 2022 às, 19h30.

Última atualização em 8 de novembro de 2022 às, 19h55.

Parece ser consenso que a educação é um direito que deve ser garantido a toda a população, por ser parte fundamental para o desenvolvimento da nossa sociedade. As novas gerações devem ir à escola, para aprender sobre o mundo onde chegaram e adquirir o conhecimento acumulado pela humanidade ao longo dos tempos. É provável que, diante da pergunta 'para que serve a escola?', a maioria de nós responda: para aprender!

Todavia, a despeito dessa certeza, no cotidiano escolar, nem sempre a aprendizagem dos estudantes é o elemento central do processo educativo. Basta pensarmos nas nossas próprias lembranças dos tempos de escola: quantas vezes nos perguntávamos “mas por que eu tenho que saber isso?” Ou pensávamos “nem vai cair na prova, então não vou me preocupar em estudar esse assunto”. Esses exemplos são indícios de quando o ensino escolar, muitas vezes, não visa a aprendizagem. Por mais absurdo que isso possa parecer, há muitos anos o objetivo do “ensino” tem sido dar as aulas previstas, “passar os conteúdos”, cumprir o programa; mesmo que os estudantes estejam absolutamente desconectados desses conteúdos, dessas aulas ou desse programa.

Mas eis que a pandemia de covid-19 deu um chacoalhão nessa realidade. No contexto do ensino remoto, há que se descobrir formas de engajar os estudantes que estão fora do setting escolar. Se na sala de aula o professor podia exigir silêncio e atenção para expor o conteúdo, na sala virtual ele sequer podia solicitar que os estudantes mantivessem as câmeras abertas.

Esse contexto evidenciou o que estava acomodado: que a exposição de um conteúdo com o qual o estudante não tem a menor relação, não vê sentido e não se engaja, não gera aprendizagem. E que, na primeira oportunidade, o estudante fechará sua câmera e irá se dedicar a outra coisa. E foi assim, no contexto mais absurdo da contemporaneidade, que a docência foi provocada a dar atenção para a importância do engajamento. É muito frequente relatos de professores que se “redescobriram”.

Além disso, o isolamento social também trouxe à tona dois outros aspectos relacionados à educação. O primeiro diz respeito ao uso de tecnologias digitais, aliadas à “tecnologia didática”. Se em outras épocas o professor apresentava conteúdos que não seriam acessados pelos estudantes de outro modo, hoje uma criança da educação infantil pode perguntar ao Google qual é a maior planta que existe, quantos vulcões estão ativos e qual é a alimentação das baleias. Já faz um tempo que as informações estão ao nosso alcance, na palma da nossa mão. Mas isso não quer dizer que o ensino tenha se tornado desnecessário, muito pelo contrário! Porque informação não é sinônimo de conhecimento. E, por esse motivo, uma boa formação atualmente se faz ainda mais necessária, já que o estudante precisa aprender a analisar, relacionar e compreender esse universo extenso de informações que estão disponíveis na internet.

O outro fator que a pandemia colocou à luz é que a escola é um ambiente de convivência, fundamental para o desenvolvimento das crianças e dos jovens. A influência da escola para o desenvolvimento socioemocional é crucial. Não só porque esse campo tem sido integrado ao currículo escolar mas porque ele é vivenciado cotidianamente na escola. Ao se encontrar com seus pares, a criança vai ter que entender seus limites, se reconhecer na alteridade, conviver com a diversidade, desenvolver empatia. Se a escola faz um bom trabalho com essas vivências, tanto melhor!

Hoje, temos exemplos consistentes do potencial das novas tecnologias na melhora do aprendizado para crianças e jovens. A utilização da plataforma de aprendizagem ativa, Cloe, no Instituto Barros de Ensino (Ibens), em Oeiras, no interior do Piauí, trouxe benefícios visíveis não só para os estudantes mas também para pais e professores. Depois que a metodologia foi implementada na escola, foi possível recuperar alunos que frequentemente ficavam abaixo da média. Após alguns meses, esses mesmos alunos não só atingiram a média, como a ultrapassaram, com notas consideravelmente melhores. Quando o interesse e a curiosidade da criança são estimulados, sua atenção é direcionada e por isso ela entende melhor e performa melhor.

A instituição de ensino Leaders School, em Campinas, SP, teve uma vivência muito semelhante; ao implementarem a metodologia de aprendizagem ativa na escola, os alunos passaram a ter mais interesse pelas aulas. Com atividades muito mais “mão na massa” do que conteudistas, linkadas a situações reais do dia a dia, o aprendizado acontece de maneira muito mais rica e significativa, à medida que o aluno se enxerga como protagonista daquela experiência.

*Diana Tatit é head de conteúdo da Cloe

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