Conheça oito lições que o jiu-jitsu ensina para o dia a dia do trabalho

A vida corporativa pode ser um combate diário; é melhor aprendermos a lutar corretamente

Por Rodrigo Pinotti*

Em japonês, jiu-jitsu significa “arte suave”. Nos últimos sete anos aprendi que essa é uma grandíssima mentira – a arte até pode ser suave, mas o processo de aprendizado é bastante bruto. Em compensação, a prática traz para aqueles que a ela se dedicam uma série de aprendizados que podem ser aplicados em todos os outros aspectos da vida, incluindo, claro, o dia a dia do trabalho. Nesta volta ao jiu-jitsu, depois de vacinado, refleti sobre o quanto as lições que o tatame ensina servem também para a vida corporativa.

          1. Aprenda a suportar a pressão

Imagine que uma pessoa pesando cerca de 135 kg está deitada em cima de você, te empurrando contra o chão e procurando um jeito de te estrangular. Respirar é difícil, tudo dói, mas com o tempo você encontra um jeito de ficar ali embaixo esperando uma oportunidade para virar o jogo. Claro que, em uma empresa, isso seria considerado assédio (assim esperamos), mas as situações de pressão corporativa apenas aumentaram na pandemia, com todas as questões domésticas se somando ao dia a dia do trabalho. É o que algum gestor por aí poderia chamar de resiliência. E, para isso,...

          2. A respiração é essencial

...é preciso aprender a respirar para manter a calma em situações difíceis. A respiração correta aumenta a oxigenação do corpo, ajuda o metabolismo e, de forma geral, faz você se sentir melhor. Mas parar para respirar também ajuda a colocar a situação em perspectiva, para que você possa encontrar uma solução. Claro, você não precisa bancar o mestre Rickson Gracie no meio de uma reunião no Teams, mas parar para respirar direito quando você estiver nervoso ajuda muito.

          3. Sempre há uma saída

Por mais desesperadora que seja uma situação, há sempre uma saída — nem que seja dizer “eu desisto”. Claro, se você tem mais recursos disponíveis vai conseguir se virar melhor para resolver um problema, e a ideia é vencer sempre. Mas às vezes, com um armlock encaixado, a solução é mesmo dar três tapinhas no adversário. Dizer “eu não consigo” no mundo corporativo ainda é um tabu, mas é inegável que essa frase também tem um poder libertador. O importante é você aprender com o que aconteceu, porque...

          4. Você nunca perde. Se você não ganha, aprende

Não existe derrota sem aprendizado, e mesmo lutadores experientes são subjugados de vez em quando, tirando lições de cada oportunidade e procurando melhorar. A mesma coisa acontece naquele projeto que não deu certo na empresa, ou naquela apresentação que foi um desastre. O único jeito é lamber as feridas e partir para o próximo — mas, agora, estando mais preparado e experiente.

          5. Sem diversidade não há desenvolvimento

De forma geral as empresas têm aprendido apenas recentemente a importância da diversidade, após muita pressão da sociedade. Sem diversidade, o jiu-jitsu não existiria. Para aprender, você precisa treinar com gente experiente e com iniciantes; com pessoas grandes e com pessoas pequenas; com magros e gordos; jovens e não-tão-jovens-assim (estou neste último grupo); homens e mulheres. E não importa sua cor, religião, gênero, posição política ou time de futebol — no tatame, você respeita todo mundo como igual, companheiro e adversário. É, sem dúvida, o ambiente mais democrático que conheço.

          6. Você nunca vai parar de aprender

Recentemente as escolas de negócio popularizaram o termo Lifelong Learning — passar a vida aprendendo. Claro, elas querem vender mais cursos, mas o aprendizado constante é mesmo necessário em um mundo que está sempre em transformação. Esta também é a base de todas as artes marciais. Sempre haverá algo novo a ser aprendido, sempre haverá uma situação nunca vista antes e, para tanto, uma possível inovação. Tudo evolui.

          7. A técnica é mais importante do que a força…

O jiu-jitsu foi criado para que um oponente menor subjugasse um maior. Para isso, usa-se principalmente técnicas de alavanca e estrangulamento — e a prática leva ao domínio. No trabalho, o ato de tentar resolver tudo pelo esforço é muitas vezes impulsivo, e com frequência esquece-se de buscar a melhor técnica, o método mais adequado, a ferramenta mais útil para determinada tarefa. Trabalhar muito não é sinal de sucesso, mas sim trabalhar de forma eficiente.

          8. ...porém, só não faz força quem não tem

Ouvi algumas vezes na vida que esforço faz 50% de um profissional. No tatame, se alguma técnica não funcionou de início, talvez uma forcinha extra faça acontecer. No trabalho, aquele ânimo extra também pode ser a diferença para o resultado final. Se você tem força — de vontade, principalmente — use-a. Só vai fazer bem.

*Rodrigo Pinotti é sócio-diretor da FSB Comunicação

Este é um conteúdo da Bússola, parceria entre a FSB Comunicação e a Exame. O texto não reflete necessariamente a opinião da Exame.

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