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Por Clarissa Almeida*

O olho no olho, o aperto de mão, as conversas no café e até mesmo as reuniões presenciais já resolviam uma série de questões no trabalho. No entanto, esse cenário ficou no passado. Hoje, a linguagem corporal não é tão transparente e fica mais difícil saber se a pessoa do outro lado da tela está num bom dia ou não. Esta é a realidade de quem trabalha de maneira híbrida ou home office, transformações exigidas pela pandemia e que agregaram no mundo do trabalho.

Embora essas mudanças trouxeram elementos importantes para o ambiente corporativo, a comunicação se tornou um desafio. Isso porque há pessoas com seus escritórios improvisados que estão mais angustiadas, ansiosas, fragilizadas e que precisam de reconhecimento mesmo que de longe.

No entanto, esses não são os únicos problemas, já que existem ferramentas tecnológicas que conseguem estreitar essa comunicação e fazer com que os profissionais possam interagir de onde estiverem. Neste caso, a questão nem é tanto a distância que tem deixado a comunicação precária dentro das companhias. A falha tem a ver com o fator humano.

O levantamento "Inteligência Emocional e Saúde Mental no Ambiente de Trabalho", realizado pela The School of Life em parceria com a Robert Half, também indica que a capacidade de se comunicar está em xeque e é a competência que mais falta nos liderados, ausente em 32% deles.

Portanto, uma chave para melhorar esse aspecto e trazer benefícios é investir em uma boa comunicação interna aliada com o RH para saber o jeito e o timing certo de se falar com os colaboradores. Não basta ter uma equipe que envia alguns recados, cola algumas informações no mural da empresa e traz algumas decisões da companhia. Até porque, hoje não basta só falar; é preciso escutar também.

Essa mudança foi acelerada por diversos temas e, por isso, a comunicação interna aliada com a estratégia de RH precisa trazer informações como diversidade, sustentabilidade, ESG, saúde mental, planos da empresa, entre outros pontos de interação. Nesse novo cenário, a comunicação não ficou limitada a uma parte da empresa, mas cabe a todos os colaboradores. Todos precisam estar dentro dessa estratégia.

Comunicação interna x Cultura organizacional

É sempre bom lembrar que as pessoas são a força motriz de qualquer negócio e elas precisam ser engajadas, respeitadas, ouvidas e protagonistas nas empresas que atuam. A comunicação exerce um papel fundamental nesse aspecto. Ela garante a manutenção da cultura da companhia e possibilita que todos os colaboradores estejam engajados e alinhados aos valores da empresa, além de manter um clima organizacional saudável.

Uma pesquisa realizada durante um evento voltado para heads de recursos humanos, o HR First Class, reforça essa importância. O estudo mostra que 97,5% dos participantes afirmaram considerar a comunicação interna como uma ferramenta totalmente estratégica e 2,5% acreditam que é estratégica, mas de forma parcial.

A relevância do tema para disseminação da cultura da empresa também foi ressaltada pelos 57,5% que informaram que o departamento de recursos humanos da empresa em que trabalham utiliza a comunicação interna para alinhar propósitos e disseminar a cultura organizacional. Somente 11,7% disse que o RH utiliza ferramentas restritas para esta finalidade e nenhum participante alegou que o RH não utiliza ferramentas com este objetivo.

Desafios e oportunidades

Pode ser que a sua empresa já tenha começado a perceber quanto comunicação interna aliada com o RH é um processo necessário. Por isso, é hora de repensar esse percurso para engajar os times e ter uma equipe forte e motivada.

O trajeto não é tão simples, até porque tem a ver com pessoas. Mas diria que se as equipes de comunicação interna e RH tiverem neutralidade, transparência e objetividade para tratar às situações, provavelmente, a chance de oferecerem uma comunicação eficiente é garantida.

Se pudesse dar um conselho para as empresas, diria para elas analisarem, entenderem o perfil de seus colaboradores e desenharem estratégias de comunicação que tenham sinergia com a cultura da companhia. Além disso, tenha tecnologias para conseguir disseminar a informação de forma coerente e célere.

*Clarissa Almeida é gerente de recursos humanos e comunicação da Yank Solutions

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