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Cigarro contrabandeado está cada vez mais acessível no comércio, diz Ibope

Pesquisa Ibope/Ipec mostra que 89,15% dos cigarros ilegais vendidos no país em 2020 foram adquiridos em estabelecimentos legais de pequeno porte

Ilegalidade tem forte impacto na geração de empregos no país. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Ilegalidade tem forte impacto na geração de empregos no país. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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6 de agosto de 2021, 12h10

Com uma participação de 49% no mercado brasileiro de cigarros, o produto de origem ilegal está mais acessível ao consumidor do que parece: 89,15% dos cigarros ilegais vendidos no Brasil em 2020 foram adquiridos em estabelecimentos comerciais legais de pequeno porte, como bares (40,8%), mercearias (17,4%) e minimercados (11,3%).

A estatística, relevada pela pesquisa Ibope/Ipec 2020, mostra que não é na barraquinha da esquina que a maioria dos cigarros do crime é vendida, já que o comércio informal, como camelôs e marreteiros, corresponde a apenas 7% das vendas do produto.

Apesar da queda do mercado ilegal entre 2019 e 2020, de 57% para 49%, a presença do produto de origem ilícita nos estabelecimentos legais aumentou, de 85,95% para 89,15%. O preço do cigarro ilegal continua sendo um atrativo, já que o cigarro legal custou em média R$ 7,51 em 2020, enquanto o cigarro do crime, apenas R$ 4,44, valor ainda abaixo do preço mínimo estabelecido por lei, de R$ 5,00.

Tudo isso acontece em meio a uma das maiores crises do varejo, com bares e restaurantes dentre os estabelecimentos mais afetados pela pandemia. De acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), cerca de 335 mil estabelecimentos encerraram as atividades definitivamente no país, considerando todos os segmentos, com uma extinção de 1,3 milhão de postos de trabalho. Ainda segundo a associação, só no estado de São Paulo, 50 mil estabelecimentos fecharam as portas definitivamente durante a pandemia, sendo 12 mil apenas na capital paulista, também levando em conta todos os segmentos.

A ilegalidade também tem forte impacto na geração de empregos no país. De acordo com pesquisa da Oxford Economics (2019), a substituição de produtos ilegais por legítimos poderia gerar uma maior atividade econômica no país, com a geração de cerca de 173 mil novos empregos, sustentando uma contribuição adicional de R$ 6 bilhões ao PIB. A atividade extra também geraria R$ 1,3 bilhões em receitas fiscais adicionais (receitas fiscais associadas ao emprego e à atividade sustentada).

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