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Carlos Guilherme: É preciso pensar no Human Mindset

Estamos deixando de lado nossas maiores habilidades e diferenciais como seres humanos?
Um bom ambiente de trabalho parte pela liderança (Eduardo Frazão/Exame)
Um bom ambiente de trabalho parte pela liderança (Eduardo Frazão/Exame)
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BússolaPublicado em 05/09/2022 às 16:00.

Por Carlos Guilherme Nosé*

Estamos no mês do Setembro Amarelo, quando falamos sobre a prevenção ao suicídio e os cuidados com a saúde mental. Um tema delicado e muito necessário de ser discutido nas empresas e no nosso dia a dia com amigos e familiares. Em um mundo onde se fala o tempo todo sobre Digital Mindset, Growth Mindset, Mindset de Sucesso e tantos outros, fico me perguntando: onde está o Human Mindset

Estamos deixando de lado nossas maiores habilidades e diferenciais como seres humanos? Nossa capacidade de se relacionar, de viver em sociedade, de tomar decisões baseadas em nossos instintos? Ou será que estamos virando máquinas, somente seguindo o que as Inteligências Artificiais nos sugerem? Acredito que muitos de nós já se perguntaram sobre isso ou anseiam por algum tipo de resposta.

Posso dividir aqui um pouco da minha experiência e no que acredito que pode nos ajudar a ter um olhar mais humano em nosso dia a dia, especialmente nas empresas. O primeiro ponto é que eu acredito profundamente que a pandemia nos fez ressignificar nosso sentido da vida, o sentido do trabalho, nossas rotinas. Trabalhar em casa, pelo menos alguns dias da semana, é bom? É muito bom. Mas nos trouxe mais distanciamento das pessoas do trabalho e mais dependência da tecnologia.

Portanto, busco na minha equipe pessoas que estejam absolutamente engajadas em nosso propósito. Por que nossa empresa existe? Já escrevi sobre isso, mas repito, este é o primeiro grande passo para ter sanidade mental: seu propósito de trabalho! Sem isso, pode ter o melhor salário, escritório perto de casa ou trabalhar 100% home office, que não irá alcançar sua felicidade.

Segundo ponto: você cria um ambiente para seus colaboradores serem quem eles realmente são? Falo aqui para serem eles mesmos, sem precisar vestir máscaras corporativas. Posso ser mais reservado? Posso ser mais expansivo? Posso dar opinião na reunião de diretoria? Se esse ambiente for livre e as pessoas não têm medo de serem quem são, é outro grande passo para um ambiente humano e feliz.

Terceiro: as recompensas para o seu time têm feito bem para o bolso e para a alma? Pessoas não são movidas apenas pelo dinheiro. Até podem ser, caso o primeiro ou segundo ponto falados aqui não estiverem alinhados, mas isso vai virar uma relação transacional e frágil. Conectar suas recompensas com o emocional, com a autoestima, com senso de pertencimento e com protagonismo do seu time, sem dúvidas, te fará ter mais sucesso.

Sei que para muitas empresas, infelizmente, é difícil praticar isso. Porém, é papel do líder trazer o tema à tona e se preocupar com o equilíbrio de médio a longo prazo. Falo que, antes de criar a maior ou mais lucrativa empresa do setor, precisamos criar uma boa empresa. Pessoas saudáveis e felizes geram resultados infinitamente melhores. Nem só de lucro se vive uma empresa. Se vive de sonhos, de propósito, de experiências, relações de longo prazo e relações ganha-ganha.

Quando a liderança tiver, de fato, comprometida a impactar positivamente a vida das pessoas, teremos, sem dúvida, um ambiente corporativo mais humano, diverso, inclusivo e feliz!

*Carlos Guilherme Nosé é CEO da FESA Group

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