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Ao se puxar uma pena, vem junto a galinha toda. A imagem é do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki. A confirmação de que os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes pertenciam à cúpula dos poderes do Rio de Janeiro é a tradução da imagem em fato. Surgiu a pena. Resta saber o que vão fazer com a galinha.

O caminho que levou à degradação das instituições no Rio de Janeiro sempre foi ignorar a galinha. Muitas vezes surgiram penas: assassinatos regulares, eliminação de juízes que investigaram a corrupção policial (Patrícia Accioly), desvio generalizado de recursos públicos por políticos, matança de chefões do jogo do bicho, formação de grupos paramilitares a partir das polícias do Estado, ocupação de território pelo crime organização que expulsa o Estado de seus domínios. 

São penas suficientes para fazer as alegorias de todas escolas de samba que passam pela Sapucaí no carnaval. Aliás, local onde o crime organizado costuma desfilar – desde os tempos do falso glamour do romantismo dos contraventores do bicho, com direito à cobertura midiática nacional.  Até hoje esse fenômeno se repete: algumas rainhas de bateria mantêm relações íntimas com os chefes de milícia e do crime, por vezes presentes. São responsáveis por uma ficha monumental de mortes e crimes associados às suas atividades ilícitas, que vão muito além do tráfico de drogas.

A degeneração social tornou comunidades reféns, entrou na política e tomou conta de instituições. Ao ponto de o chefe da investigação dos homicídios no estado ser apontado pela Polícia Federal como um dos planejadores do assassinato da vereadora Marielle. Claro, as apurações nunca foram adiante enquanto ele se auto-investigava.

Na campanha eleitoral municipal deste ano, cenas de outras eleições serão repetidas: somente alguns políticos conseguirão entrar em redutos controlados por milícias ou traficantes. Os adversários não terão o mesmo benefício. Nem é ato de coragem de quem entra. É sinal de subserviência ao crime. Cumplicidade institucionalizada na relação genunflexória. Afinal, sabem que eles cobram taxas de segurança de comerciantes e moradores, cobram pelo gás, pela internet, pela tv a cabo… pela vida. E são senhores da morte, a qualquer momento.

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, declarou que o caso da investigação dos mandantes do assassinado da vereadora está encerrado. Sim, foram descobertos os mandantes. Mas por que demorou seis anos? Que sistema de acobertamento funciona para que um deles fosse de vereador a deputado federal neste período, e seu irmão fosse de deputado estadual a conselheiro do Tribunal de Contas do Rio? Ascensão que permitiu contatos com o executivo, convivência estreita com o legislativo, enquanto sentenças judiciais dificultavam apurações e avanços em diversos crimes relacionados direta ou indiretamente ao grupo a que os personagens integravam.

Há muitas perguntas no ar. Há questões sobre os grupos de extermínio, escritório do crime, milícias vivendo intrinsecamente ligadas a corporações policiais e se retroalimentando de funcionários vindo do aparato policial estatal. São penas que voam pelo ar, ainda com questões em aberto.

Nas perguntas dos institutos de pesquisa, cada vez mais um item é apontado como preocupação popular. Qual? Elementar, meu caro Lewandowski: segurança pública. Esse item inflacionou tanto que os brasileiros mais pobres não os encontram mais em milhares de comunidades de diversos municípios brasileiros. 

Caso encerrado?

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